Por Maria Cristina Frias
A Multiplan, administradora de shoppings e incorporadora imobiliária, planeja a construção de um condomínio residencial e comercial em Porto Alegre, ao lado do Barra Shopping Sul --empreendimento da empresa que já está em operação.
O projeto deve demandar R$ 900 milhões em investimentos e levar dez anos para ser concluído. Serão cerca de 18 prédios residenciais e dois comerciais.
A Multiplan não comenta o assunto porque está em período de silêncio --a empresa anunciou uma oferta de ações na Bolsa.
O projeto ainda está em fase embrionária. O estudo de impacto ambiental foi entregue à prefeitura na semana passada.
O condomínio será erguido em um terreno que pertencia ao Jockey Club do Rio Grande do Sul. Um contrato de permuta já foi fechado, de acordo com o presidente da entidade, José Vecchio Filho.
"Essa troca foi aprovada em assembleia geral. O que os associados não autorizaram foi a venda", diz.
O Jockey ficará com cerca de 15 mil metros quadrados em área construída. Serão espaços para escritórios que poderão ser locados.
"A ideia é rentabilizar o clube, que está precisando gerar receita", acrescenta.
O Jockey tinha 55 hectares. Desses, 17 foram repassados para a Multiplan.
Vecchio Filho acredita que as obras não deverão começas antes do segundo semestre do ano que vem.
"Mas estamos ajudando no processo de viabilização do projeto."
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quarta-feira, 10 de abril de 2013
terça-feira, 9 de abril de 2013
Incorporadora investirá R$ 320 mi em flats
Por Maria Cristina Frias
A incorporadora Vitacon irá investir em flats --ativo que praticamente deixou de ser explorado em São Paulo há cerca de 15 anos.
O grande número de empreendimentos construídos na década de 90 --superior a demanda-- e os altos custos de operação deles fizeram com que esse modelo de projeto fosse abandonado.
O grande número de empreendimentos construídos na década de 90 --superior a demanda-- e os altos custos de operação deles fizeram com que esse modelo de projeto fosse abandonado.
"Mas há um 'gap' hoje. Pessoas que precisam ficar em um local por períodos longos ou optam por um hotel, o que é caro, ou por um apartamento sem mobília e estrutura", diz o CEO da empresa, Alexandre Lafer Frankel.
A companhia fará um aporte de R$ 320 milhões em cinco prédios de flats que serão lançados neste semestre.
Os primeiros dois a serem concluídos serão administrados parcialmente pela incorporadora. Cerca de 60% serão comercializados da forma tradicional.
"Preferimos fazer os flats de forma gradual. Mas, nos próximos, 100% dos apartamentos serão nossos."
Para que o projeto vingue, o custo operacional será enxuto, segundo Frankel. Serviços como o de camareiras serão cobrado a parte. Os apartamentos também serão pequenos, com cerca de 21 m2. Isso permitirá que cada edifício tenha 150 apartamentos.
A incorporadora faturou R$ 485 milhões no ano passado. O objetivo é atingir R$ 850 milhões neste ano.
"É uma meta agressiva, mas temos estoque de terrenos. No ano passado, precisamos postergar os lançamentos de alguns projetos."
sexta-feira, 5 de abril de 2013
Alta no preço dos imóveis perde fôlego
Por Sheila D'Amorim
Do pico de 19% no final de 2009, valorização no país cai para 3,6% na virada deste ano e deve se estabilizar
Para BC e especialistas, não há estouro de 'bolha imobiliária', mas, sim, reequilíbrio entre oferta e demanda
A valorização anual nos preços dos imóveis residenciais no Brasil, que encostou em 20% no fim de 2009, despencou para 3,6% na virada deste ano, segundo dados do Banco Central.
E a expectativa é que se estabilize nesse patamar, afirma o diretor de Fiscalização do BC, Anthero Meirelles.
Apesar da forte desaceleração na alta dos preços, ele diz que a situação não caracteriza o estouro de uma bolha imobiliária. "Quando bolha estoura, o valor vai lá embaixo. Os imóveis no Brasil continuam se valorizando, mas a uma taxa mais razoável."
Para o diretor, o mercado se "reequilibrou" e não há mais uma pressão exagerada nos preços, que, se mantida, poderia representar riscos ao sistema financeiro.
"Talvez se a valorização se mantivesse em 20% [ao ano] por muito tempo, fosse difícil de sustentar", afirmou.
A alta nos preços dos imóveis foi mais significativa entre 2007 e 2010. A taxa quase dobrou, passando de 10%, em dezembro de 2006, para 19% no início de 2010.
DESEQUILÍBRIO
Segundo especialistas, a valorização é explicada pela alta demanda, pelo aumento da renda no país e pela falta de capacidade das construtoras de responder à velocidade do crescimento da procura por imóveis.
"Não tinha mão de obra, não tinha engenheiro suficiente. A estrutura não era adequada para o nível de demanda que se apresentou", diz Cláudio Bernardes, presidente do Secovi (Sindicato da Habitação de São Paulo).
O diretor do BC ainda cita como incentivo ao mercado a adoção de instrumentos legais que facilitaram a recuperação dos imóveis em caso de calote nos financiamentos.
Segundo o coordenador do núcleo de mercado imobiliário da Universidade de São Paulo, João da Rocha Lima Júnior, aos poucos o mercado se adaptou à demanda existente. "Uma gordura de preços se esvaiu", diz.
"Estamos entrando em uma normalidade dentro de um novo patamar", afirma Bernardes, do Secovi.
O ciclo de desaceleração nos preços dos imóveis começou em 2010, mas as taxas continuaram em patamar elevado -naquele ano, a menor valorização registrada foi de cerca de 16%, em dezembro.
Em 2011 e 2012, o declínio foi acentuado, batendo em 4,1% em dezembro passado e recuando ainda mais, para 3,6%, em janeiro deste ano.
Os números referem-se ao IVG-R (índice de valores de garantia dos imóveis residenciais financiados), do BC, formado a partir do preço dos imóveis que servem de garantia nos financiamentos.
O mercado imobiliário ganhou relevância para o BC nos últimos anos, sobretudo em razão do crescimento dos financiamentos para a compra de imóveis.
Para o governo, os empréstimos habitacionais devem sustentar, cada vez mais, o mercado de crédito.
Do pico de 19% no final de 2009, valorização no país cai para 3,6% na virada deste ano e deve se estabilizar
Para BC e especialistas, não há estouro de 'bolha imobiliária', mas, sim, reequilíbrio entre oferta e demanda
A valorização anual nos preços dos imóveis residenciais no Brasil, que encostou em 20% no fim de 2009, despencou para 3,6% na virada deste ano, segundo dados do Banco Central.
E a expectativa é que se estabilize nesse patamar, afirma o diretor de Fiscalização do BC, Anthero Meirelles.
Apesar da forte desaceleração na alta dos preços, ele diz que a situação não caracteriza o estouro de uma bolha imobiliária. "Quando bolha estoura, o valor vai lá embaixo. Os imóveis no Brasil continuam se valorizando, mas a uma taxa mais razoável."
Para o diretor, o mercado se "reequilibrou" e não há mais uma pressão exagerada nos preços, que, se mantida, poderia representar riscos ao sistema financeiro.
"Talvez se a valorização se mantivesse em 20% [ao ano] por muito tempo, fosse difícil de sustentar", afirmou.
A alta nos preços dos imóveis foi mais significativa entre 2007 e 2010. A taxa quase dobrou, passando de 10%, em dezembro de 2006, para 19% no início de 2010.
DESEQUILÍBRIO
Segundo especialistas, a valorização é explicada pela alta demanda, pelo aumento da renda no país e pela falta de capacidade das construtoras de responder à velocidade do crescimento da procura por imóveis.
"Não tinha mão de obra, não tinha engenheiro suficiente. A estrutura não era adequada para o nível de demanda que se apresentou", diz Cláudio Bernardes, presidente do Secovi (Sindicato da Habitação de São Paulo).
O diretor do BC ainda cita como incentivo ao mercado a adoção de instrumentos legais que facilitaram a recuperação dos imóveis em caso de calote nos financiamentos.
Segundo o coordenador do núcleo de mercado imobiliário da Universidade de São Paulo, João da Rocha Lima Júnior, aos poucos o mercado se adaptou à demanda existente. "Uma gordura de preços se esvaiu", diz.
"Estamos entrando em uma normalidade dentro de um novo patamar", afirma Bernardes, do Secovi.
O ciclo de desaceleração nos preços dos imóveis começou em 2010, mas as taxas continuaram em patamar elevado -naquele ano, a menor valorização registrada foi de cerca de 16%, em dezembro.
Em 2011 e 2012, o declínio foi acentuado, batendo em 4,1% em dezembro passado e recuando ainda mais, para 3,6%, em janeiro deste ano.
Os números referem-se ao IVG-R (índice de valores de garantia dos imóveis residenciais financiados), do BC, formado a partir do preço dos imóveis que servem de garantia nos financiamentos.
O mercado imobiliário ganhou relevância para o BC nos últimos anos, sobretudo em razão do crescimento dos financiamentos para a compra de imóveis.
Para o governo, os empréstimos habitacionais devem sustentar, cada vez mais, o mercado de crédito.
segunda-feira, 18 de março de 2013
Com áreas pública e privada, minibairro vira moda em SP
Por Giba Bergamin Jr.
Empreendimentos serão discutidos no Plano Diretor e na lei de zoneamento.
Presidente do sindicato da habitação diz que os projetos são única saída para cidade; órgão da prefeitura é contrário.
Naquele ano, a prefeitura fez um concurso junto com Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) para o projeto do "Bairro Novo".
Os vencedores receberam R$ 50 mil à época. O plano da prefeitura era criar um bairro com prédios baixos, de no máximo seis andares, com calçadas largas e árvores numa área de 100 mil m².
De São Paulo
Colaboração Para a Folha Thiago Santos
A forma como os minibairros serão erguidos e seu desenvolvimento são as condicionantes da qualidade do modelo empregado para a cidade, dizem especialistas.
Urbanistas ouvidos pela Folha dizem ser favoráveis a empreendimentos que privilegiam o uso misto. Iniciativas de construtoras vão encontrar resistência, porém, se essas grandes áreas ganharem muros no entorno.
O vereador Nabil Bonduki (PT), que será o relator do novo Plano Diretor, diz que, para serem aprovados, os empreendimentos devem doar parte da área ao município para espaços públicos, requisito que já foi exigido dos últimos lançamentos.
Bonduki diz também que futuros projetos terão que misturar as classes sociais no mesmo empreendimento e incentivar os condomínios sem garagem, para estimular o uso de transporte público.
Segundo Bonduki, pode ser estudado a liberação de uma área para a instalação de habitações de interesse social.
Para o arquiteto Roberto Loeb, iniciativas do tipo não funcionam para a cidade se não houver infraestrutura no entorno desses projetos.
FALTA DE ESPAÇO
Para as construtoras, os minibairros são um modelo lucrativo. No entanto, devem esbarrar na escassez de terrenos.
A Brookfield Incorporações, responsável pelo Terrara, lançou cerca de 1.500 unidades do tipo em 2012; 65% delas já foram vendidas.
A OR (Odebrecht Realizações Imobiliárias) comercializou 70% das unidades do LED Barra Funda -que reúne escritórios, apartamentos, hotel e um centro de conveniência. As unidades residenciais estão esgotadas.
Em comparação, um edifício exclusivamente residencial da empresa na Saúde (zona sul) com as mesmas características alcançou vendas inferiores a 60% no período.
O Parque da Cidade, na zona sul, esgotou suas unidades comerciais em uma semana.
"A viabilidade tem a ver com a possibilidade de constituir em grande terrenos. A operação é complexa e envolve grandes custos para diminuir os impactos urbanos", diz Ricardo Laham, da Brookfield
Empreendimentos serão discutidos no Plano Diretor e na lei de zoneamento.
Presidente do sindicato da habitação diz que os projetos são única saída para cidade; órgão da prefeitura é contrário.
O corretor do empreendimento conduz o potencial comprador do imóvel de 159 m² por um corredor onde alto-falantes emitem o som de passarinhos, na Barra Funda, zona oeste da cidade.
"Bem-vindo ao mais novo minibairro da cidade" é a mensagem da estratégia de marketing dos vendedores.
Segundo incorporadoras ouvidas pela Folha, empreendimentos assim são a nova tendência urbanística e aposta das grandes construtoras para os próximos anos.
O tema vai entrar nas discussões da revisão do novo Plano Diretor e da lei de zoneamento da cidade, que devem ser votados na Câmara Municipal até o fim deste ano.
Deve, no entanto, encontrar resistência no DPH (Departamento de Patrimônio Histórico). Em entrevista à Folha no mês passado, a diretora do órgão, Nádia Somekh, afirmou ser contra a proliferação de empreendimentos do tipo na cidade.
Os mais badalados do novo modelo são o Jardim das Perdizes -da descrição acima-, com 250 mil m², e o Parque da Cidade, no Brooklin, na zona sul, com 80 mil m².
Esses minibairros são formados por grandes áreas arrematadas pelas construtoras. Seus projetos prometem unir numa mesma região torres residenciais, comerciais, empresariais e hotéis no entorno de uma área verde pública, sem ter grades ou muros.
Apenas os condomínios dentro deles são fechados, como outro prédio qualquer, mas com ruas de uso público.
Nos casos do Jardim das Perdizes e do Parque da Cidade, eles pertencem respectivamente às construtoras Tecnisa, que comprou a área da Telefônica por R$ 133 milhões em 2007, e Odebrecht.
O primeiro deve atrair 12 mil pessoas para a região. O Parque da Cidade, 65 mil.
EXPANSÃO
As construtoras buscam novas áreas para esse tipo de empreendimento, que, para vingar, deve se enquadrar no conjunto de regras das operações urbanas da prefeitura.
O Jardim das Perdizes e o Parque da Cidade estão de acordo com as operações Água Branca, na zona oeste, e a Água Espraiada, sul.
A favor dos dois lançamentos está a proximidade com linhas de transporte público.
Por outro lado, as regiões sofrem com o trânsito pesado -um está próximo às congestionadas Marquês de São Vicente e Francisco Matarazzo, o outro perto da Marginal Pinheiros.
Se o da zona oeste tem oferta maior de ônibus, trem e metrô, o mesmo não se pode falar do Parque da Cidade. A linha Esmeralda da CPTM, que passa ali, está saturada.
No caso do Jardim das Perdizes, outro entrave são as enchentes dos bairros vizinhos Lapa, Pompeia e Perdizes. A Tecnisa diz ter feito um plano de drenagem, com tubulação especial contra alagamentos.
O presidente do Secovi (sindicato da habitação) diz que os minibairros são a única saída da cidade para conter o drama da mobilidade urbana.
A lógica é incentivar a moradia perto do trabalho. Para isso, os minibairros misturam apartamentos e salas comerciais na mesma área.
"Se não for dessa maneira, a cidade precisa ganhar com urgência mais 500 km de linhas de metrô, o que não acontecerá", disse.
Grandes áreas nas regiões da Mooca (zona leste), Pirituba (norte) e Santo Amaro (sul) estão na mira do mercado.
Moradores dos Jardins, o casal de aposentados Eliana Del Negro, 60, e José Ximenes, 76, foi ao estande saber mais do "novo bairro". "Meus parentes do interior estão interessados", disse Eliana.
Plano da prefeitura para ocupar local foi parar na gaveta
De São Paulo
A região que abrigará o Jardim das Perdizes já foi palco de um plano de ocupação lançado em 2004, na gestão Marta Suplicy (PT), e que foi deixado de lado ainda no mandato petista e engavetado de vez nas gestões seguintes, de José Serra (PSDB) e Gilberto Kassab (PSD).Naquele ano, a prefeitura fez um concurso junto com Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) para o projeto do "Bairro Novo".
Os vencedores receberam R$ 50 mil à época. O plano da prefeitura era criar um bairro com prédios baixos, de no máximo seis andares, com calçadas largas e árvores numa área de 100 mil m².
Especialistas condicionam apoio ao livre acesso
Por Giba Bergamin Jr.De São Paulo
Colaboração Para a Folha Thiago Santos
A forma como os minibairros serão erguidos e seu desenvolvimento são as condicionantes da qualidade do modelo empregado para a cidade, dizem especialistas.
Urbanistas ouvidos pela Folha dizem ser favoráveis a empreendimentos que privilegiam o uso misto. Iniciativas de construtoras vão encontrar resistência, porém, se essas grandes áreas ganharem muros no entorno.
O vereador Nabil Bonduki (PT), que será o relator do novo Plano Diretor, diz que, para serem aprovados, os empreendimentos devem doar parte da área ao município para espaços públicos, requisito que já foi exigido dos últimos lançamentos.
Bonduki diz também que futuros projetos terão que misturar as classes sociais no mesmo empreendimento e incentivar os condomínios sem garagem, para estimular o uso de transporte público.
Segundo Bonduki, pode ser estudado a liberação de uma área para a instalação de habitações de interesse social.
Para o arquiteto Roberto Loeb, iniciativas do tipo não funcionam para a cidade se não houver infraestrutura no entorno desses projetos.
FALTA DE ESPAÇO
Para as construtoras, os minibairros são um modelo lucrativo. No entanto, devem esbarrar na escassez de terrenos.
A Brookfield Incorporações, responsável pelo Terrara, lançou cerca de 1.500 unidades do tipo em 2012; 65% delas já foram vendidas.
A OR (Odebrecht Realizações Imobiliárias) comercializou 70% das unidades do LED Barra Funda -que reúne escritórios, apartamentos, hotel e um centro de conveniência. As unidades residenciais estão esgotadas.
Em comparação, um edifício exclusivamente residencial da empresa na Saúde (zona sul) com as mesmas características alcançou vendas inferiores a 60% no período.
O Parque da Cidade, na zona sul, esgotou suas unidades comerciais em uma semana.
"A viabilidade tem a ver com a possibilidade de constituir em grande terrenos. A operação é complexa e envolve grandes custos para diminuir os impactos urbanos", diz Ricardo Laham, da Brookfield
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
Empresa lança shoppings no Rio e em Cotia (SP)
Por Maria Cristina Frias
A Vértico, empresa de shopping centers do grupo WTorre, lançará dois novos empreendimentos em 2013. Um deles será em Cotia, região metropolitana de São Paulo, e o outro, na cidade do Rio de Janeiro.
"Nós vamos investir R$ 300 milhões nos dois shoppings. No do Rio de Janeiro, serão aplicados R$ 230 milhões e, no de Cotia, outros R$ 70 milhões", afirma Dante Colluci, sócio e diretor de novos negócios da Vértico.
O início de ambas as obras está previsto para o segundo semestre do ano que vem.
"No primeiro semestre de 2013 faremos o lançamento dos dois empreendimentos", diz o executivo.
O executivo não revelou o local onde a unidade carioca será erguida, mas afirmou que não será na Barra da Tijuca. A inauguração aindanão foi definida.
O projeto de Cotia, que será em uma região central, está previsto para 2014 e atenderá também os moradores de Itapevi.
No próximo ano, a companhia inaugura outros dois shoppings: em Limeira (SP), que consumiu R$ 255 milhões (somados os investimentos dos lojistas), e em Três Lagoas (MS), com custo de cerca de R$ 104 milhões.
R$ 300 milhões é o que a companhia irá investir nos shoppings do Rio de Janeiro e de Cotia (SP)
R$ 104 milhões foi o aporte demandado pelo primeiro centro de compras da empresa, o Nações Bauru (SP)
R$ 409 milhões é quanto a construtora aportará nos empreendimentos de Limeira (SP), Três Lagoas (MS) e Araguaína (TO)
Fonte: Folha de São Paulo
A Vértico, empresa de shopping centers do grupo WTorre, lançará dois novos empreendimentos em 2013. Um deles será em Cotia, região metropolitana de São Paulo, e o outro, na cidade do Rio de Janeiro.
"Nós vamos investir R$ 300 milhões nos dois shoppings. No do Rio de Janeiro, serão aplicados R$ 230 milhões e, no de Cotia, outros R$ 70 milhões", afirma Dante Colluci, sócio e diretor de novos negócios da Vértico.
O início de ambas as obras está previsto para o segundo semestre do ano que vem.
"No primeiro semestre de 2013 faremos o lançamento dos dois empreendimentos", diz o executivo.
O executivo não revelou o local onde a unidade carioca será erguida, mas afirmou que não será na Barra da Tijuca. A inauguração aindanão foi definida.
O projeto de Cotia, que será em uma região central, está previsto para 2014 e atenderá também os moradores de Itapevi.
No próximo ano, a companhia inaugura outros dois shoppings: em Limeira (SP), que consumiu R$ 255 milhões (somados os investimentos dos lojistas), e em Três Lagoas (MS), com custo de cerca de R$ 104 milhões.
R$ 300 milhões é o que a companhia irá investir nos shoppings do Rio de Janeiro e de Cotia (SP)
R$ 104 milhões foi o aporte demandado pelo primeiro centro de compras da empresa, o Nações Bauru (SP)
R$ 409 milhões é quanto a construtora aportará nos empreendimentos de Limeira (SP), Três Lagoas (MS) e Araguaína (TO)
Fonte: Folha de São Paulo
domingo, 18 de novembro de 2012
Locomotivas da Grande SP
Por Mariana Sallowicz
Terrenos caros na capital paulista transferem oferta de salas comerciais e apartamentos para cidades vizinhas
Na esteira de grandes lançamentos residenciais e do fortalecimento empresarial, as cidades vizinhas à capital paulista têm puxado também o desempenho das salas comerciais na região metropolitana de São Paulo.
Barueri é o destaque tanto em lançamentos residenciais como comerciais, segmento que vive expansão também no cinturão formado por Diadema, Osasco, Cotia e o ABC.
Esses municípios tornaram-se polos de atração de pequenas empresas, consultórios e escritórios, que buscam endereços com boa infraestrutura e custo menor, mas próximos à capital.
Este caderno retrata o desempenho do mercado imobiliário nesses municípios e mostra como eles se transformaram em uma alternativa também para o setor empresarial.
Traz informações sobre o segmento de escritórios de alto padrão e relata os novos serviços em prédios de salas comerciais, como o compartilhamento de recepção.
Fonte: Jornal Folha de S. Paulo
domingo, 4 de novembro de 2012
Augusta abaixo
Por Daniel Vasques
Região do Baixo Augusta, no centro de São Paulo, está na mira das construtoras; cinco lançamentos estão por vir
Referência em baladas e atrações culturais, o Baixo Augusta está com tudo também no mercado imobiliário. Por ora, as máquinas e os terrenos devastados ainda dividem a paisagem com bares, botecos, teatro e boates. Mas o cenário está mudando.
Segundo a imobiliária Lopes, 30 empreendimentos foram lançados desde 2004 na região, que fica entre a avenida Paulista e o centro (no entorno da rua Augusta).
No caso do mercado residencial, que respondeu por 77% desses lançamentos, mais cinco empreendimentos estão previstos para até o início do ano que vem.
Além deles, o empreendimento Parque Augusta é um candidato a imprimir um novo desenho ao local. Se for erguido, terá um parque aberto ao público e ficará num terreno de 25 mil metros quadrados, perto da renovada praça Roosevelt. Próximo dele, também estão as obras do Ca'd'Oro, complexo com uma torre comercial (com hotel) e outra residencial.
Para as obras do Parque Augusta começarem, porém, é necessário que a área deixe de ser considerada de utilidade pública pela prefeitura, que planeja transformá-la num parque (leia mais na página 4). Ainda não há definição a respeito.
"A Augusta está mudando de perfil. Daqui a um tempo, com essas obras entregues, terá o seu entorno valorizado. A boate vai melhorar a fachada, o bar vai virar restaurante e a padaria, uma butique de pães", diz Mirella Parpinelle, diretora de atendimento da Lopes.
O vice-presidente de vendas e marketing do Secovi-SP, Elbio Fernández Mera, diz que um dos atrativos da região é que ela concentra muitos postos de trabalho: "Todo mundo foge do trânsito".
Fonte: Jornal Folha de S. Paulo
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
Construtoras investem em bairro planejado
Por Carolina Matos
Terrenos de até 25 quarteirões --raros hoje na capital paulista, principalmente nos endereços mais centrais-- modelados para aproximar residências, escritórios, comércio e parques.
Os empreendimentos com ares de bairros planejados, total ou parcialmente abertos à comunidade do entorno, são a aposta de grandes construtoras na cidade.
São projetos com valor estimado de venda de até R$ 4 bilhões. O mais recente, apresentado pela Odebrecht Realizações Imobiliárias no início deste mês, prevê, em 80 mil metros quadrados (ou oito quarteirões), prédios comerciais, residenciais, hotel, shopping e um parque.
O empreendimento, nas imediações do Brooklin e da Chácara Santo Antônio, na zona sul, terá acesso livre da população externa --exceto as torres residenciais.
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| Danilo Verpa/Folhapress |
A estimativa é que, depois de todas as fases entregues, em 2020, o local receba 65 mil pessoas diariamente, sendo 45 mil de fora.
"Esse modelo é comum em cidades que passaram por revitalização, como Nova York", diz Paulo Aridan, diretor regional da Odebrecht Realizações para São Paulo.
Na Barra Funda, zona oeste, uma área de 250 mil metros quadrados (25 quarteirões) abrigará torres residenciais, comerciais, centro para lojas de conveniência e praça aberta ao público.
O projeto é da Tecnisa e da PDG, responsáveis também pela infraestrutura da área, incluindo a abertura de nove ruas e duas avenidas.
Diferentemente do empreendimento do Brooklin, em que já houve lançamento de uma torre de escritórios --o metro quadrado foi comercializado por R$ 14,2 mil--, o da Barra Funda aguarda liberações para começar as vendas.
"Pretendemos lançar a primeira etapa, que são seis prédios residenciais e a praça, até o fim do ano", diz Fabio Villas Bôas, diretor-executivo técnico da Tecnisa.
A estimativa é que o empreendimento seja totalmente entregue em seis anos.
PEQUENO SHOPPING
Em Interlagos, também na zona sul, um terreno de 200 mil metros quadrados (20 quarteirões) reunirá residências, clube, parque e um "mall" (pequeno shopping) aberto ao público.
O projeto, da Tiner e da Brookfield Incorporações, teve a primeira fase lançada em 2008 e deverá estar concluído em 2016.
"Optamos por abrir ao público só o centro comercial porque a preferência dos potenciais compradores era que o empreendimento fosse fechado", diz Ricardo Laham, diretor da Brookfield.
Diferentemente dos casos do Brooklin e da Barra Funda, o terreno adquirido há quase dez anos não faz parte de nenhuma operação urbana. Não houve, portanto, exigência específica da prefeitura quanto à ocupação. "Áreas desse tipo praticamente não existem mais em São Paulo."
Fonte: Jornal Folha de S. Paulo
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
CVM agora libera mais prédios na Faria Lima em SP
Por Evandro Spinelli
A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) recuou e decidiu autorizar a Prefeitura de São Paulo a vender títulos que permitirão construir mais prédios na região da avenida Brigadeiro Faria Lima.
O órgão que regula operações em Bolsa de Valores havia vetado a negociação em agosto, já autorizada pela Câmara, mas a prefeitura convenceu os conselheiros.
Antes de vender os títulos, denominados Cepacs (certificados de potencial adicional de construção), a prefeitura precisa cumprir uma série de exigências feitas pela CVM que devem inviabilizar o leilão ainda neste ano.
Para a comissão, o total de Cepacs tinha de ser fixado na criação da Operação Urbana Faria Lima e vir acompanhada de estudo de viabilidade.
Por isso, o órgão que a prefeitura faça novo estudo de viabilidade que determine o preço a ser cobrado e a demanda por novos Cepacs.
A CVM ainda exigiu que seja detalhada porque houve erro no cálculo do número necessário de títulos, além de relatórios de venda, distribuição e utilização dos Cepacs já vendidos desde que a operação foi criada, em 2004.
A quantidade de prédios que o novo leilão vai viabilizar, na verdade, já estava prevista na criação da operação urbana, mas a quantidade de Cepacs não foi suficiente.
Para muitos, a região já está saturada e não comporta novos prédios. Para o setor imobiliário, as novas construções vão atrair mais moradias, levando pessoas a morar perto do trabalho e diminuindo o trânsito da área.
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A prefeitura vende os Cepacs para o mercado imobiliário que, depois, "troca" esses papéis pelo direito de construir acima de determinados limites previstos no Plano Diretor.
Eles também podem ser usados para modificar o uso do imóvel (de residencial para comercial, por exemplo).
A operação é boa para a prefeitura porque o dinheiro entra no caixa do município antes mesmo de o projeto imobiliário ser aprovado. O recurso só pode ser usado em obras na própria região.
Fonte: Folha de S. Paulo
domingo, 14 de outubro de 2012
Valorização no Itaim Bibi chega a 126%
Por Ana Magalhães - Colaboração para a Folha
Famoso pelos bares e restaurantes, pelos empreendimentos de luxo e por ser um dos principais polos empresariais da cidade, o Itaim Bibi, na zona oeste, recebeu 72 lançamentos residenciais nos últimos cinco anos.
Ao todo, são 7.900 novos apartamentos, segundo pesquisa da Geoimovel. Outras oito torres residenciais devem ser lançadas em breve.
Desde 2007, os imóveis residenciais tiveram valorização de 126% no período, contra 113% da média da cidade.
Há cinco anos, um apartamento recém-lançado de 90 metros quadrados custava cerca de R$ 385 mil. Hoje, uma unidade no mesmo padrão não sai por menos de R$ 870 mil. O preço médio do metro quadrado é R$ 9.693.
Para João da Rocha Lima Jr., professor da Poli-USP (Universidade de São Paulo), o Itaim Bibi mudou de padrão a partir da consolidação da avenida Faria Lima como polo de comércio e serviços.
"A avenida Faria Lima se tornou uma zona comercial e hoje é o ponto de serviço mais caro da cidade. O distrito acompanhou essa tendência no âmbito residencial, e vieram os prédios de luxo."
Previsto para ficar pronto em 2013, o Vitra, por exemplo, teve a cobertura vendida por R$ 20,9 milhões.
Para Luiz Roberto de Lima Faria, 60, que tem um restaurante no Itaim há 22 anos, o distrito é um dos melhores.
"É a versão paulistana do Leblon [bairro na zona sul do Rio]. Aqui, as pessoas andam muito a pé e em cada esquina tem um restaurante legal", diz.
Fonte: Jornal Folha de S. Paulo
terça-feira, 28 de agosto de 2012
Após dez anos, obra do largo da Batata fica só para 2013
Por Giba Bergamin Jr.
O comerciante Paulo Koji Ito, 73, toca o negócio da família no largo da Batata desde 1954. Nos últimos anos, ouviu que a região no coração de Pinheiros, zona oeste paulistana, ganharia cara nova, com amplos espaços arborizados e praças.
Ao olhar o vaivém de caminhões e tratores, o dono da Casa Ito, de roupas e calçados, acredita que "agora vai".
Passados dez anos --três mandatos de prefeito-- e gastos de R$ 55 milhões, as obras de revitalização da região, porém, só devem ser totalmente entregues pelo próximo governante, em maio de 2013.
De 2009 para cá, a reforma foi paralisada pelo menos três vezes por motivos que vão de impasses judiciais, acidente nas obras do metrô, em 2007, e a investigação de um suposto sítio arqueológico.
O reflexo das obras: interdições de ruas, trânsito e poeira. Segundo a gestão Gilberto Kassab (PSD), o custo final chegará a R$ 145 milhões.
O projeto foi idealizado em 2001, na gestão Marta Suplicy (PT), quando o arquiteto Tito Lívio Frascino ganhou um concurso. As sondagens da área começaram no ano seguinte e, de lá para cá, o projeto sofreu alterações.
A região ganhará um terminal de ônibus ao lado da estação Pinheiros do Metrô e uma praça com um espaço cultural na rua Martin Carrasco, onde lojas dos anos 1950 resistem em meio às obras.
O arquiteto disse à Folha que uma das principais mudanças ocorre na área da antiga Companhia Agrícola Cotia, que fica ao lado do mercado municipal de Pinheiros.
Em vez de um centro cultural permanente inicialmente planejado, o espaço deve ganhar um empreendimento comercial. "Essa foi uma das principais modificações, o que descaracterizou um pouco o projeto inicial. A área foi devolvida aos donos, que tiveram a ideia de fazer um shopping", diz Frascino.
A VR Benefícios, dona da área, disse que não há definição e que as obras ali são apenas de fundações do terreno.
O governo promete entregar neste ano o terminal, já o calçadão da Martim Carrasco ficará para o ano que vem.
A revitalização do largo da Batata está prevista na Operação Urbana Faria Lima, plano de requalificação da área, o que fez crescer os olhos do mercado imobiliário.
Com isso, lojas populares já dão lugar a prédios empresariais. Tudo muito diferente dos anos 1990, quando a área era ocupada por camelôs, no ápice de sua degradação.

Mudanças
A tabacaria Polimeno fechou as portas no largo após 68 anos de funcionamento. Tinha movimento baixo por causa das obras que impediam o trânsito na rua Martim Carrasco. A cerzideira que desde os anos 50 consertava roupas também sumiu dali.
Mas houve quem resistiu e agora aposta no "novo largo". Caso da Pesca Pinheiros, que desde 1970 atua na região.
"Depois de tantas promessas, esperamos que a obra acabe. Não fossem os clientes de sempre, a situação teria sido feia", disse Edson Oliveira, 52, dono da loja, fundada pelo pai. Segundo o comerciante, com as obras paradas, a área virou depósito clandestino de entulho.
O largo leva esse nome por conta da vocação comercial dos anos 1920 até 1970. Comerciantes de origem japonesa negociavam legumes --batatas, claro-- ali.
A prefeitura afirmou que as intervenções foram debatidas com moradores e comerciantes e que ofereceu apoio para mudanças.
Fonte: Jornal Folha de S. Paulo
O comerciante Paulo Koji Ito, 73, toca o negócio da família no largo da Batata desde 1954. Nos últimos anos, ouviu que a região no coração de Pinheiros, zona oeste paulistana, ganharia cara nova, com amplos espaços arborizados e praças.
Ao olhar o vaivém de caminhões e tratores, o dono da Casa Ito, de roupas e calçados, acredita que "agora vai".
Passados dez anos --três mandatos de prefeito-- e gastos de R$ 55 milhões, as obras de revitalização da região, porém, só devem ser totalmente entregues pelo próximo governante, em maio de 2013.
De 2009 para cá, a reforma foi paralisada pelo menos três vezes por motivos que vão de impasses judiciais, acidente nas obras do metrô, em 2007, e a investigação de um suposto sítio arqueológico.
O reflexo das obras: interdições de ruas, trânsito e poeira. Segundo a gestão Gilberto Kassab (PSD), o custo final chegará a R$ 145 milhões.
| Obras no entorno do largo da Batata em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo; local será entregue em 2013 |
O projeto foi idealizado em 2001, na gestão Marta Suplicy (PT), quando o arquiteto Tito Lívio Frascino ganhou um concurso. As sondagens da área começaram no ano seguinte e, de lá para cá, o projeto sofreu alterações.
A região ganhará um terminal de ônibus ao lado da estação Pinheiros do Metrô e uma praça com um espaço cultural na rua Martin Carrasco, onde lojas dos anos 1950 resistem em meio às obras.
O arquiteto disse à Folha que uma das principais mudanças ocorre na área da antiga Companhia Agrícola Cotia, que fica ao lado do mercado municipal de Pinheiros.
Em vez de um centro cultural permanente inicialmente planejado, o espaço deve ganhar um empreendimento comercial. "Essa foi uma das principais modificações, o que descaracterizou um pouco o projeto inicial. A área foi devolvida aos donos, que tiveram a ideia de fazer um shopping", diz Frascino.
A VR Benefícios, dona da área, disse que não há definição e que as obras ali são apenas de fundações do terreno.
O governo promete entregar neste ano o terminal, já o calçadão da Martim Carrasco ficará para o ano que vem.
A revitalização do largo da Batata está prevista na Operação Urbana Faria Lima, plano de requalificação da área, o que fez crescer os olhos do mercado imobiliário.
Com isso, lojas populares já dão lugar a prédios empresariais. Tudo muito diferente dos anos 1990, quando a área era ocupada por camelôs, no ápice de sua degradação.
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Mudanças
A tabacaria Polimeno fechou as portas no largo após 68 anos de funcionamento. Tinha movimento baixo por causa das obras que impediam o trânsito na rua Martim Carrasco. A cerzideira que desde os anos 50 consertava roupas também sumiu dali.
Mas houve quem resistiu e agora aposta no "novo largo". Caso da Pesca Pinheiros, que desde 1970 atua na região.
"Depois de tantas promessas, esperamos que a obra acabe. Não fossem os clientes de sempre, a situação teria sido feia", disse Edson Oliveira, 52, dono da loja, fundada pelo pai. Segundo o comerciante, com as obras paradas, a área virou depósito clandestino de entulho.
O largo leva esse nome por conta da vocação comercial dos anos 1920 até 1970. Comerciantes de origem japonesa negociavam legumes --batatas, claro-- ali.
A prefeitura afirmou que as intervenções foram debatidas com moradores e comerciantes e que ofereceu apoio para mudanças.
Fonte: Jornal Folha de S. Paulo
segunda-feira, 28 de maio de 2012
Área nobre, Itaim Bibi concentra empreendimentos 'trava-trânsito'
Por Cristina Moreno de Castro
Distrito recebeu 72 dos 677 polos geradores de tráfego, mostra levantamento com dados desde 1995
Das 10 regiões que mais receberam construções, metade está na zona oeste e metade se divide entre sul e centro
Há pelo menos 30 novas construções nas redondezas da rua Tabapuã, calcula o zelador Pedro Queiroz, 47, morador da via desde 1995. Seu prédio, de dez andares, agora ficou "baixinho" perto dos espigões construídos ao lado, atrás e em frente.
A consequência direta disso, explica ele, foi no trânsito. Antes já conturbado, agora está cada vez pior, diz. "Levo 40 minutos para ir ao mercado, a quatro quarteirões. Quando me mudei, fazia em 10, em qualquer horário."
O prédio fica no Itaim Bibi, área nobre da zona oeste e o distrito que mais recebeu empreendimentos que provocam congestionamentos na cidade, segundo levantamento inédito feito pela Folha.
Foram 72 de um total de 677 na cidade. A maioria (60%) foi de prédios de escritórios com mais de 120 vagas de garagem.
A pesquisa foi feita a partir de documentos gerados desde 2005 pela Secretaria Municipal de Transportes, que estão sendo analisados pelo Ministério Público.
Considera os chamados polos geradores de tráfego -escritórios, faculdades, hospitais, igrejas e shoppings, por exemplo. Resumindo: eles são grandes, atraem muita gente e seus carros e, consequentemente, travam o trânsito da região.
Para que recebam autorização para funcionar, a secretaria exige que façam obras para compensar esse impacto.
Um exemplo recente é o shopping JK Iguatemi, ali mesmo no Itaim. O empreendimento, de R$ 322,3 milhões e 7.700 vagas de garagem, está proibido de abrir até que conclua as obras viárias exigidas.
ZONA OESTE
No período de sete anos da pesquisa, 677 desses empreendimentos foram construídos ou ganharam "puxadinhos". Há ainda alguns em construção, como o estádio de Itaquera (zona leste).
Entre os dez distritos que mais receberam essas construções, metade está na região oeste: Barra Funda, Vila Leopoldina, Pinheiros e Morumbi, além do Itaim.
A outra metade se divide entre a zona sul (Santo Amaro, Vila Mariana e Campo Grande) e o centro (Bela Vista e Consolação).
Já os bairros mais afastados pouco receberam os benefícios -e transtornos- desse tipo de investimento.
"É preciso resgatar a ideia de desenvolver os subcentros da cidade, como Santo Amaro, Penha e Santana, pois mais de 85% dos motivos de deslocamento são emprego e escola. Essas atividades ficaram concentradas no centro expandido, que já estava saturado", diz Flamínio Fichmann, urbanista especialista em trânsito.
SEM METRÔ
O destaque para o Itaim se deu por três razões principais, dizem especialistas: o incentivo para desenvolver a região facilitado pela operação urbana Faria Lima (de 1995); a presença de lotes grandes, onde havia galpões e indústrias, que deram lugar a grandes prédios; e o fato de o bairro ter um mercado consumidor de renda e escolaridade acima da média.
Thiago Guimarães, especialista em mobilidade, aponta a inexistência do metrô na região como um agravante para o caos no trânsito. "Que pelo menos façam transporte coletivo paralelamente e olhem alternativas para chegar de ônibus mais rápido."
Impacto
Promotoria investiga cada um dos polos
O Ministério Público vai apurar, em lotes, cada um desses 677 polos geradores de tráfego. O objetivo é ver se estão cumprindo as obrigações legais de fazer obras de compensação. Maurício Ribeiro Lopes, promotor de habitação e urbanismo, diz que aguarda informações pedidas à CET sobre o grau de impacto de cada um.
Emprego longe de casa dificulta o trânsito
Por Vaguinaldo Marinheiro
Oportunidades de trabalho são criadas onde é caro morar e levam multidões a cruzar a cidade todos os dias
Na cidade dos sonhos dos planejadores urbanos, poucos moradores teriam de sair de sua vizinhança para trabalhar, comprar, se divertir, estudar.
Muito seria feito a pé. Carro seria um luxo, e haveria um bom transporte coletivo quando necessário.
Infelizmente, São Paulo é o avesso desse sonho.
A densidade populacional é grande onde não há emprego. Já o emprego, principalmente no setor de serviços, o que mais cresce, aparece onde morar é caro.
Resultado: multidões cruzam a cidade de manhã para ir ao trabalho e à noite para voltar para casa.
Segundo um estudo, a população do centro expandido de São Paulo (área de aproximadamente 150 quilômetros quadrados entre os rios Pinheiros e Tietê e que concentra a maioria dos empregos) teve queda de 13% em sua população residente entre 1997 e 2007. Nas áreas mais afastadas, houve acréscimo de 13%.
A situação se inverteu um pouco nos últimos anos, mas as distorções persistem.
Somados, os moradores das regiões central e oeste equivalem a apenas 36% dos que vivem na zona leste.
É o que explica a estimativa de que 3 milhões de pessoas, quase a população do Uruguai, se desloquem todo dia da zona leste para as demais.
Isso significa quilômetros de congestionamentos, ônibus, trens e metrô lotados.
Os dados levantados agora pela Folha sobre a distribuição de novos polos geradores de tráfego na cidade acrescentam mais um dado nessa distorção paulistana.
O bairro do Itaim Bibi, famoso por seus congestionamentos, é o recordista na construção desses polos.
Foram 72 concluídos ou aprovados de 2005 até este ano -10,6% do total. Desses, 43 (60%) são escritórios.
Como a grande maioria dos empregados desses escritórios não podem pagar o alto custo da moradia no bairro, a cidade ganha mais deslocamentos.
Para voltar à comparação com população, o Itaim sozinho, com 92,5 mil habitantes (dados de 2010), teve quase o mesmo número de novos polos de trânsito que a zona leste toda (89), região que abriga mais de 4 milhões.
Distrito recebeu 72 dos 677 polos geradores de tráfego, mostra levantamento com dados desde 1995
Das 10 regiões que mais receberam construções, metade está na zona oeste e metade se divide entre sul e centro
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| Veículos próximos ao shopping JK Iguatemi, no Itaim Bibi - Joel Silva/Folhapress |
Há pelo menos 30 novas construções nas redondezas da rua Tabapuã, calcula o zelador Pedro Queiroz, 47, morador da via desde 1995. Seu prédio, de dez andares, agora ficou "baixinho" perto dos espigões construídos ao lado, atrás e em frente.
A consequência direta disso, explica ele, foi no trânsito. Antes já conturbado, agora está cada vez pior, diz. "Levo 40 minutos para ir ao mercado, a quatro quarteirões. Quando me mudei, fazia em 10, em qualquer horário."
O prédio fica no Itaim Bibi, área nobre da zona oeste e o distrito que mais recebeu empreendimentos que provocam congestionamentos na cidade, segundo levantamento inédito feito pela Folha.
Foram 72 de um total de 677 na cidade. A maioria (60%) foi de prédios de escritórios com mais de 120 vagas de garagem.
A pesquisa foi feita a partir de documentos gerados desde 2005 pela Secretaria Municipal de Transportes, que estão sendo analisados pelo Ministério Público.
Considera os chamados polos geradores de tráfego -escritórios, faculdades, hospitais, igrejas e shoppings, por exemplo. Resumindo: eles são grandes, atraem muita gente e seus carros e, consequentemente, travam o trânsito da região.
Para que recebam autorização para funcionar, a secretaria exige que façam obras para compensar esse impacto.
Um exemplo recente é o shopping JK Iguatemi, ali mesmo no Itaim. O empreendimento, de R$ 322,3 milhões e 7.700 vagas de garagem, está proibido de abrir até que conclua as obras viárias exigidas.
ZONA OESTE
No período de sete anos da pesquisa, 677 desses empreendimentos foram construídos ou ganharam "puxadinhos". Há ainda alguns em construção, como o estádio de Itaquera (zona leste).
Entre os dez distritos que mais receberam essas construções, metade está na região oeste: Barra Funda, Vila Leopoldina, Pinheiros e Morumbi, além do Itaim.
A outra metade se divide entre a zona sul (Santo Amaro, Vila Mariana e Campo Grande) e o centro (Bela Vista e Consolação).
Já os bairros mais afastados pouco receberam os benefícios -e transtornos- desse tipo de investimento.
"É preciso resgatar a ideia de desenvolver os subcentros da cidade, como Santo Amaro, Penha e Santana, pois mais de 85% dos motivos de deslocamento são emprego e escola. Essas atividades ficaram concentradas no centro expandido, que já estava saturado", diz Flamínio Fichmann, urbanista especialista em trânsito.
SEM METRÔ
O destaque para o Itaim se deu por três razões principais, dizem especialistas: o incentivo para desenvolver a região facilitado pela operação urbana Faria Lima (de 1995); a presença de lotes grandes, onde havia galpões e indústrias, que deram lugar a grandes prédios; e o fato de o bairro ter um mercado consumidor de renda e escolaridade acima da média.
Thiago Guimarães, especialista em mobilidade, aponta a inexistência do metrô na região como um agravante para o caos no trânsito. "Que pelo menos façam transporte coletivo paralelamente e olhem alternativas para chegar de ônibus mais rápido."
Impacto
Promotoria investiga cada um dos polos
O Ministério Público vai apurar, em lotes, cada um desses 677 polos geradores de tráfego. O objetivo é ver se estão cumprindo as obrigações legais de fazer obras de compensação. Maurício Ribeiro Lopes, promotor de habitação e urbanismo, diz que aguarda informações pedidas à CET sobre o grau de impacto de cada um.
Emprego longe de casa dificulta o trânsito
Por Vaguinaldo Marinheiro
Oportunidades de trabalho são criadas onde é caro morar e levam multidões a cruzar a cidade todos os dias
Na cidade dos sonhos dos planejadores urbanos, poucos moradores teriam de sair de sua vizinhança para trabalhar, comprar, se divertir, estudar.
Muito seria feito a pé. Carro seria um luxo, e haveria um bom transporte coletivo quando necessário.
Infelizmente, São Paulo é o avesso desse sonho.
A densidade populacional é grande onde não há emprego. Já o emprego, principalmente no setor de serviços, o que mais cresce, aparece onde morar é caro.
Resultado: multidões cruzam a cidade de manhã para ir ao trabalho e à noite para voltar para casa.
Segundo um estudo, a população do centro expandido de São Paulo (área de aproximadamente 150 quilômetros quadrados entre os rios Pinheiros e Tietê e que concentra a maioria dos empregos) teve queda de 13% em sua população residente entre 1997 e 2007. Nas áreas mais afastadas, houve acréscimo de 13%.
A situação se inverteu um pouco nos últimos anos, mas as distorções persistem.
Somados, os moradores das regiões central e oeste equivalem a apenas 36% dos que vivem na zona leste.
É o que explica a estimativa de que 3 milhões de pessoas, quase a população do Uruguai, se desloquem todo dia da zona leste para as demais.
Isso significa quilômetros de congestionamentos, ônibus, trens e metrô lotados.
Os dados levantados agora pela Folha sobre a distribuição de novos polos geradores de tráfego na cidade acrescentam mais um dado nessa distorção paulistana.
O bairro do Itaim Bibi, famoso por seus congestionamentos, é o recordista na construção desses polos.
Foram 72 concluídos ou aprovados de 2005 até este ano -10,6% do total. Desses, 43 (60%) são escritórios.
Como a grande maioria dos empregados desses escritórios não podem pagar o alto custo da moradia no bairro, a cidade ganha mais deslocamentos.
Para voltar à comparação com população, o Itaim sozinho, com 92,5 mil habitantes (dados de 2010), teve quase o mesmo número de novos polos de trânsito que a zona leste toda (89), região que abriga mais de 4 milhões.
domingo, 27 de maio de 2012
De portas bem fechadas
Por Natália Zonta
Assim como o shopping JK, prédio de luxo tem abertura adiada por não concluir obras para aliviar o trânsito
O endereço é diferente, mas a história é parecida. Assim como o shopping JK Iguatemi, outro prédio comercial de luxo da cidade está pronto e sem data de inauguração por falta de Habite-se, documento emitido pela prefeitura para atestar que a obra foi concluída dentro da lei.
O motivo da falta de certificação para o Pátio Victor Malzoni, nova construção no Itaim Bibi, na região oeste, também é o mesmo: a não conclusão de obras que aliviem o impacto no trânsito da região.
Apesar de não serem as únicas exigências no processo de obtenção do Habite-se, as contrapartidas de impacto viário são, geralmente, motivo de atraso e de disputas judiciais na inauguração de grandes empreendimentos.
Sem a aprovação do órgão, a opção é tentar conseguir o documento judicialmente, como fez o JK.
O Pátio Victor Malzoni pertence ao Grupo Victor Malzoni e fica no número 3.477 da avenida Brigadeiro Faria Lima. O edifício ocupa uma área de cerca de 19.000 m² e vai abrigar, entre outras empresas, o banco BTG Pactual e o Google. O espaço ainda terá um restaurante do grupo Fasano e um café francês, ainda não divulgado.
Ao todo, o prédio terá 2.957 vagas de estacionamento, contando as reservadas para carga e descarga. O tamanho do empreendimento deve atrair ainda mais veículos para a região.
Para aliviar o impacto no trânsito no entorno, a CET exige, entre outras obras, o alargamento da rua Aspásia, o prolongamento da rua Iguatemi e a construção de ilhas e passeios em cinco cruzamentos da área. A sinalização de algumas ruas da região também precisa ser revitalizada.
Neste mês, a Brookfield, construtora responsável pela execução do prédio, iniciou o alargamento da Aspásia. Mas a vistoria da CET só é feita após a conclusão de todas as obras.
Só então a companhia avalia a liberação do empreendimento. Enquanto isso, o edifício inteiro fica fechado e nem mesmo os inquilinos podem entrar para montar seus escritórios.
Segundo a construtora, uma mudança no projeto proposta em 2008, quando a Brookfield comprou o espaço, fez com que a CET tivesse que reavaliar o impacto no trânsito. "Passamos outra vez pelos órgãos públicos. No caso das obras viárias, fomos informados sobre as contrapartidas em abril de 2011", afirma José de Albuquerque, diretor de incorporação da Brookfield.
Agora, a empresa espera inaugurar o espaço no início de junho. "Há uma pressão pela abertura, mas sabemos que não é possível sem essa documentação", completa Albuquerque.
Multas
As conversas sobre a construção de um prédio de escritórios onde hoje está o Pátio Victor Malzoni são antigas. O primeiro projeto é de 2004 e, desde então, acumula polêmicas e multas. Um dos pontos que provocou mais tumulto foi a Casa Bandeirista, construção tombada pelo Conpresp, órgão de defesa do patrimônio municipal, que está no meio do terreno. Na ocasião, ficou acordado que a casa não poderia ser derrubada.
Assim, a Brookfield construiu o prédio ao redor dela e a restaurou.
Diferentemente do que aconteceu com a construção histórica, a associação de moradores não conseguiu manter muitas das árvores da área.
A Secretaria do Verde e do Meio Ambiente autorizou o corte de 127 exemplares, além do transplante de outros 41. Em contrapartida, entre outras ações, a empresa teve de entregar 1.632 mudas de espécies nativas ao Viveiro Manequinho Lopes e construir um parque no Butantã (região oeste).
"O bairro acabou perdendo as árvores. A compensação será feita, mas em outras regiões", afirma Helcias Bernardo Pádua, da Associação Grupo Memórias do Itaim Bibi.
Mas, por começar as intervenções sem todas as licenças e não cumprir os prazos estipulados, a Brookfield foi multada em pouco mais de R$ 543 mil ao longo dos anos.
Segundo a Secretaria do Verde, agora a empresa tem cumprido os prazos estipulados e já concluiu as obras do parque linear do Sapé, que ainda passará por vistorias.
Raio-x
Endereço: av. Brigadeiro Faria Lima, 3.477, Itaim Bibi, região oeste
Conclusão da obra: março de 2012
Estrutura: uma torre dividida em três blocos, dois deles com 19 pavimentos e o central com 11 pavimentos
Detalhes: 35 elevadores e seis subsolos com mais de 2.900 vagas de estacionamento
Aluguel: R$ 185 pelo metro quadrado; o menor conjunto tem 500 m2 e custa a partir de R$ 92,5 mil por mês
Valor: construído pela Brookfield, foi vendido em 2010 por R$ 600,6 milhões para o Grupo Victor Malzoni
em busca do habite-se
Liberação só sai após obras para melhoria do trânsito
QUEM PRECISA FAZER OBRAS VIÁRIAS
Imóveis comerciais com 120 vagas ou mais localizados em áreas "especiais de tráfego" (devido ao fluxo intenso)
Nas demais regiões da cidade, construções que tenham 280 vagas de estacionamento ou mais
O PROJETO
Depois de aprovado pela Secretaria de Habitação, o projeto passa pelo crivo da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego). Nessa fase, que leva, em média, um ano, a companhia elabora estudos que podem alterar a planta
AS MELHORIAS
Na sequência, são definidas melhorias como viaduto, alargamento de rua etc. Antes de iniciá-las, a construtora deve comunicar as empresas de água, luz e telefonia sobre o projeto. O ritmo das obras dependerá de sua complexidade
FIM DA OBRA
Apenas após a conclusão das melhorias e da aprovação da CET, o empreendimento obtém o Habite-se
Alternativa: a empresa pode tentar conseguir na Justiça a licença sem fazer as obras viárias -como tentou o shopping JK, sem sucesso
Fonte: Folha de São Paulo
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Financiamento de imóvel terá juro menor
Com 74% do mercado, Caixa anuncia hoje novas taxas para empréstimos; custo deve cair para linhas mais caras
Presidente do banco diz que serão anunciados ainda juros mais baixos para o programa Minha Casa, Minha Vida
Por Valdo Cruz e Sheila D'Amorim
No esforço do governo de pressionar os bancos privados a reduzir juros, a Caixa Econômica Federal anuncia hoje queda nas taxas dos financiamentos imobiliários.
O tamanho dos cortes estava sendo definido ontem à noite pelo Conselho Diretor da Caixa, banco que domina o mercado habitacional.
Com uma carteira de R$ 153 bilhões, o banco público tem 74% desse mercado e espera induzir cortes também no setor privado porque essa é uma das áreas de maior interesse dos bancos atualmente.
Além de ser um setor em expansão, o crédito imobiliário estabelece relacionamentos de longo prazo. Bem aproveitado, dá ao banco oportunidade de vender outros serviços aos mutuários.
As taxas cobradas pela Caixa no crédito imobiliário atualmente variam de 4,5% a 10% ao ano. O banco vai reduzir o custo dos financiamentos mais caros, que têm como lastro os depósitos em caderneta de poupança e hoje respondem por cerca de metade dos financiamentos.
O presidente da Caixa, Jorge Hereda, antecipou que as linhas do banco terão juros mais baixos também para móveis, eletrodomésticos e para o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida.
A Caixa vai anunciar também, nos próximos dias, a criação de dois novos fundos de investimentos com baixas taxas de administração.
A presidente Dilma defende uma queda dessa cobrança como forma de manter os fundos mais rentáveis do que a caderneta de poupança diante da tendência de queda da Selic, a referência de juros fixada pelo Banco Central.
Com isso, a equipe econômica considera que o BC terá mais tranquilidade para fazer novas reduções na Selic, hoje em 9% ao ano.
Nas contas de técnicos, uma queda significativa nas taxas de administração pode permitir que o BC reduza seus juros para ao menos 8% sem necessidade de mudar a forma de remuneração da poupança, que tem rendimento mínimo fixado em lei e não paga Imposto de Renda (IR).
Nas últimas semanas, Caixa e Banco do Brasil já haviam anunciado a redução dos juros de várias operações.
A iniciativa dos bancos públicos forçou os concorrentes privados a seguir o mesmo caminho para evitar perda de clientes e, principalmente, para pôr fim à guerra com o Palácio do Planalto.
Inicialmente, o setor privado resistiu às pressões da presidente Dilma, tentando transferir para o governo a responsabilidade pela redução dos chamados "spreads" -diferença entre o que os bancos pagam para captar recursos e o que cobram de seus clientes nos empréstimos-, mas depois recuaram.
Fonte: Jornal Folha de São Paulo
quarta-feira, 21 de março de 2012
Às vésperas de sair, Kassab lança plano de corredores de ônibus
Por Evandro Spinelli
Pacote de vias exclusivas, promessa de campanha, terá licitação aberta
Em 2008, na campanha eleitoral, Gilberto Kassab (PSD) mostrava o que seria um corredor de ônibus feito em seu governo: tecnológico e com área para ultrapassagem.
Só agora, em seu último ano de mandato, o prefeito promete iniciar as primeiras obras. Se tiverem continuidade, elas serão entregues apenas por seu sucessor, a ser eleito no final deste ano.
Até abril, a prefeitura diz que abrirá licitação estimada em R$ 2 bilhões para obras de transporte: quatro novos corredores -mais a reforma de dois-, cinco terminais e duas rodoviárias intermunicipais.
A oposição o critica por não ter investido em corredores, marca da gestão petista de Marta Suplicy (2001-2004).
Em resposta, Kassab costuma dizer que concluiu a etapa inicial do Expresso Tiradentes (antigo Fura-Fila), do centro ao Sacomã e à Vila Prudente, e transformou o trecho até Cidade Tiradentes em monotrilho.
Mesmo que fosse possível concluir as obras em 2012, Kassab não atingiria sua própria meta de criar 66 km de corredores de ônibus. Os quatro novos somam 39,3 km.
Também não concluirá a meta de entregar nove terminais. Um foi concluído, no Campo Limpo, e outro, em Pinheiros, está previsto para o fim do ano. Com os cinco da da licitação, seriam sete.
Kassab prometeu ainda requalificar 38 km de corredores. Está em obras o corredor Rebouças (10 km) e, em licitação, o Guarapiranga (8 km). Na nova licitação entrarão mais 22,6 km -dos corredores Inajar de Souza e M'Boi Mirim.
A Secretaria de Transportes nega demora na implantação de corredores. Diz que a prioridade foi o metrô -a prefeitura transferiu R$ 1 bilhão para a companhia, parte para as obras do Expresso Tiradentes.
Fonte: Folha de S. Paulo

Pacote de vias exclusivas, promessa de campanha, terá licitação aberta
Em 2008, na campanha eleitoral, Gilberto Kassab (PSD) mostrava o que seria um corredor de ônibus feito em seu governo: tecnológico e com área para ultrapassagem.
Só agora, em seu último ano de mandato, o prefeito promete iniciar as primeiras obras. Se tiverem continuidade, elas serão entregues apenas por seu sucessor, a ser eleito no final deste ano.
Até abril, a prefeitura diz que abrirá licitação estimada em R$ 2 bilhões para obras de transporte: quatro novos corredores -mais a reforma de dois-, cinco terminais e duas rodoviárias intermunicipais.
A oposição o critica por não ter investido em corredores, marca da gestão petista de Marta Suplicy (2001-2004).
Em resposta, Kassab costuma dizer que concluiu a etapa inicial do Expresso Tiradentes (antigo Fura-Fila), do centro ao Sacomã e à Vila Prudente, e transformou o trecho até Cidade Tiradentes em monotrilho.
Mesmo que fosse possível concluir as obras em 2012, Kassab não atingiria sua própria meta de criar 66 km de corredores de ônibus. Os quatro novos somam 39,3 km.
Também não concluirá a meta de entregar nove terminais. Um foi concluído, no Campo Limpo, e outro, em Pinheiros, está previsto para o fim do ano. Com os cinco da da licitação, seriam sete.
Kassab prometeu ainda requalificar 38 km de corredores. Está em obras o corredor Rebouças (10 km) e, em licitação, o Guarapiranga (8 km). Na nova licitação entrarão mais 22,6 km -dos corredores Inajar de Souza e M'Boi Mirim.
A Secretaria de Transportes nega demora na implantação de corredores. Diz que a prioridade foi o metrô -a prefeitura transferiu R$ 1 bilhão para a companhia, parte para as obras do Expresso Tiradentes.
Fonte: Folha de S. Paulo
| Editoria de Arte/Folhapress |
domingo, 18 de março de 2012
Só 2% das prefeituras têm gestão 'excelente' no país
Por Pedro Soares - Rio de Janeiro
| Bairro Jardim Colorado, com problemas de infraestrutura, em Cuiabá, a pior capital avaliada no estudo da Firjan Chico Ferreira/Folhapress |
Municípios brasileiros estão longe de ter boa administração de suas finanças e padecem com problemas como baixo nível de investimentos, pequena arrecadação própria, dívidas roladas de um ano para o outro e elevados gastos com funcionários.
Somados, esses entraves fazem com que apenas 2% das cidades (95, em número absoluto) tenham uma gestão fiscal de "excelência" e outros 11,4% sejam consideradas com "boa" nota.
Na outra ponta, 64% dos municípios receberam uma classificação "difícil" ou "crítica", segundo o Índice Firjan de Gestão Fiscal 2010, divulgado pela primeira vez.
O índice também pouco avançou: subiu 1,9% de 2006 a 2010 -segundo ano de cada administração municipal.
Um dado que chama a atenção, ressalta a Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), é o aumento do inchaço da máquina pública. O subíndice que mede a contratação de pessoal piorou em 15,2%. Ou seja, as cidades passaram a gastar mais com o pagamento de funcionários.
Para Guilherme Mercês, economista da Firjan, tal fato sugere que a Lei de Responsabilidade Fiscal foi "desvirtuada" e o teto estabelecido de 60% da receita para despesas com funcionários virou "uma meta a ser alcançada". Pelos dados, 7,5% comprometem receitas acima do que determina a LRF.
Mas outros indicadores usados para qualificar a gestão fiscal melhoraram. Diante do crescimento robusto do PIB em 2010 (7,5%), houve avanço de 6,9% de 2006 a 2010 no subíndice que mede a receita própria gerada por meio de impostos municipais -como IPTU. As cidades também ampliaram investimentos -alta de 9,5%.
Mas, segundo Mercês, isso não inverte o quadro de "altíssima dependência das cidades de transferências de Estados e União".
Apesar da melhora da arrecadação, 83% dos municípios não geram nem 20% de receita própria.
Outro problema detectado são os chamados restos a pagar, ou seja, despesas "roladas" de um ano para o outro: 19% das cidades deixaram menos dinheiro em caixa do que as obrigações postergadas para o ano seguinte.
A LRF só prevê punição ao prefeito que fizer isso no último ano de mandato.
Pelos dados da Firjan, a melhor gestão fiscal foi a de Santa Isabel (GO), município criado em 1982, com 3,7 mil habitantes (censo 2010).
Das dez mais bem avaliadas, seis estão em SP: Poá, Barueri, Piracicaba, Caraguatatuba, Birigui e Paraibuna.
Dívida de São Paulo é 'impagável', afirma secretário de Finanças
Apesar de não ser um problema para o conjunto de municípios, o peso do endividamento é talvez o maior obstáculo para as capitais, sobretudo São Paulo -que convive com dívida junto à União "impagável" -segundo o secretário de Finanças da cidade, Mauro Ricardo Costa.
Sem uma repactuação, diz, não há como quitar a dívida, renegociada originalmente em 2000. De lá para cá, o cenário econômico mudou radicalmente, diz, e ficou "insustentável" arcar com a correção -IGP-DI, mais 9% ao ano. Só no ano passado, a cidade amortizou R$ 2,7 bilhões. Ainda assim, a dívida cresceu outros R$ 4 bilhões e bateu em R$ 48 bilhões. Pelos dados da Firjan, São Paulo comprometeu 11% da sua receita com o pagamento do saldo devedor.
Para Costa, é urgente fechar com a União uma nova fórmula para corrigir a dívida e o saldo devedor. "Mas, para isso, é preciso ter vontade política", diz. Já ocorreram encontros como a Fazenda e a presidente Dilma Rousseff, mas não há ainda a definição.
Endividada, Cuiabá é a pior entre as capitais
Por Rodrigo Vargas - Colaboração para a Folha, de Cuiabá
Capital de um dos polos do agronegócio no mundo, sede de jogos da Copa de 2014 e responsável por quase 20% do PIB de Mato Grosso, Cuiabá não conseguiu aproveitar o crescimento econômico para colocar suas contas em dia.
Segundo o índice da Firjan, é a capital com a pior gestão fiscal. Está endividada, sem liquidez e sua capacidade de investimento é quase nula. A arrecadação, que poderia ajudar a equilibrar o orçamento, é baixa. Em 2011, quando cobrou mais de R$ 93,4 milhões em IPTU, a prefeitura conseguiu arrecadar apenas R$ 44,3 milhões.
A situação se traduz em ruas e avenidas esburacadas, distribuição de água ineficiente e rede de saúde pública em frangalhos.
Mais de 90 credores aguardam pelo pagamento de precatórios (dívidas reconhecidas pela Justiça). Entre eles a Cemat, distribuidora de energia, com R$ 60 milhões em créditos.
O prefeito Francisco Galindo (PTB) disse, por meio da assessoria, que só comentará o ranking após a divulgação de "toda a metodologia", mas disse que a "situação é hoje muito melhor". Galindo assumiu a prefeitura em 31 de março de 2010, após a renúncia do então prefeito Wilson Santos (PSDB).
Procurado, Santos limitou-se a listar uma série de números da gestão fiscal em seu mandato, iniciado em 2005. No período, segundo ele, a receita do município cresceu 75,5%.
"A baixa capacidade de geração de receita e a falta de liquidez são os grandes responsáveis pelo investimento insatisfatório. E há necessidade cada vez maior de investimentos em saúde e educação", disse Fernando Tadeu, da faculdade de economia da Federal de Mato Grosso.
Fonte: Folha de S. Paulo
domingo, 11 de março de 2012
Torre mais alta do mundo será nova atração de Tóquio
Por Paula Leite
Previsão é que cerca de 5,4 milhões de pessoas visitem o complexo por ano
Conjunto terá prédio de escritórios de 31 andares, shopping, estação de trem, aquário e planetário
Perto do bairro de Asakusa, conhecido por seus templos budistas e xintoístas e casas e prédios tradicionais, Tóquio vai ganhar um toque futurista: a Tokyo Sky Tree, de 634 metros de altura.
O prédio, uma antena de TV e rádio digital, é a resposta do Japão à Canton Tower, de Guangzhou (China), que tem 600 metros de altura e foi inaugurada em 2010.
O projeto não se limita à torre: num terreno de quase 37 mil metros quadrados, que era um pátio de trens de carga, haverá, além da torre, um prédio de escritórios de 31 andares, shoppings, estação de trem, aquário e planetário, somando 230 mil metros quadrados de área construída -para comparar, o MorumbiShopping (São Paulo) tem quase 206 mil metros quadrados de área construída.
A torre em si foi feita para ser uma atração turística além de transmitir ondas de TV e rádio. Há dois observatórios, um a 350 metros e outro a 450 metros, além de lojinha e restaurante.
A previsão é que cerca de 5,4 milhões de pessoas visitem o complexo por ano, revitalizando o bairro de Oshiage, que atualmente não é um destino importante de turistas em Tóquio.
O projeto começou a ser discutido no fim de 2003 e a construção começou em 2008. O dono do complexo é um consórcio formado pela empresa de ferrovias Tobu Railway e por seis empresas de radiodifusão, entre elas a estatal NHK.
Como todos os prédios modernos de Tóquio, a torre tem design antiterremoto -o pilar central é conectado à estrutura externa por braços com absorção de choque, para que todo o conjunto vibre sem cair no caso de sismos.
O complexo também tem geração independente de energia para aquecimento e refrigeração, que combina o uso de gás natural e o de energia geotermal.
Isso significa que os prédios não dependem da rede externa de eletricidade para calefação, ar-condicionado e água quente nas torneiras.
A água é armazenada em canos que foram enterrados a até 120 metros de profundidade, embaixo do complexo. Como nessas profundidades a temperatura é constante o ano todo, usa-se menos energia para esquentá-la no inverno e refrigerá-la no verão.
A independência energética do complexo também é importante porque ele pode servir de refúgio em caso de um desastre, como um terremoto, que interfira com a rede externa de eletricidade.
No terremoto de 11 de março de 2011, outros prédios de Tóquio que têm sistemas semelhantes abrigaram pessoas que não conseguiram ir para suas casas.
Fonte: Folha de S. Paulo
Previsão é que cerca de 5,4 milhões de pessoas visitem o complexo por ano
Conjunto terá prédio de escritórios de 31 andares, shopping, estação de trem, aquário e planetário
Perto do bairro de Asakusa, conhecido por seus templos budistas e xintoístas e casas e prédios tradicionais, Tóquio vai ganhar um toque futurista: a Tokyo Sky Tree, de 634 metros de altura.
O prédio, uma antena de TV e rádio digital, é a resposta do Japão à Canton Tower, de Guangzhou (China), que tem 600 metros de altura e foi inaugurada em 2010.
| A Sky Tree ficou pronta no dia 29 de fevereiro, mas só abre ao público em maio. |
O projeto não se limita à torre: num terreno de quase 37 mil metros quadrados, que era um pátio de trens de carga, haverá, além da torre, um prédio de escritórios de 31 andares, shoppings, estação de trem, aquário e planetário, somando 230 mil metros quadrados de área construída -para comparar, o MorumbiShopping (São Paulo) tem quase 206 mil metros quadrados de área construída.
A torre em si foi feita para ser uma atração turística além de transmitir ondas de TV e rádio. Há dois observatórios, um a 350 metros e outro a 450 metros, além de lojinha e restaurante.
A previsão é que cerca de 5,4 milhões de pessoas visitem o complexo por ano, revitalizando o bairro de Oshiage, que atualmente não é um destino importante de turistas em Tóquio.
O projeto começou a ser discutido no fim de 2003 e a construção começou em 2008. O dono do complexo é um consórcio formado pela empresa de ferrovias Tobu Railway e por seis empresas de radiodifusão, entre elas a estatal NHK.
Como todos os prédios modernos de Tóquio, a torre tem design antiterremoto -o pilar central é conectado à estrutura externa por braços com absorção de choque, para que todo o conjunto vibre sem cair no caso de sismos.
O complexo também tem geração independente de energia para aquecimento e refrigeração, que combina o uso de gás natural e o de energia geotermal.
Isso significa que os prédios não dependem da rede externa de eletricidade para calefação, ar-condicionado e água quente nas torneiras.
A água é armazenada em canos que foram enterrados a até 120 metros de profundidade, embaixo do complexo. Como nessas profundidades a temperatura é constante o ano todo, usa-se menos energia para esquentá-la no inverno e refrigerá-la no verão.
A independência energética do complexo também é importante porque ele pode servir de refúgio em caso de um desastre, como um terremoto, que interfira com a rede externa de eletricidade.
No terremoto de 11 de março de 2011, outros prédios de Tóquio que têm sistemas semelhantes abrigaram pessoas que não conseguiram ir para suas casas.
Fonte: Folha de S. Paulo
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Investimento em imóvel comercial atrai jovens
Por Carolina Matos e Mariana Sallowics
Há 5 anos, investimento em aluguel ou revenda tinha público mais velho
Maior chance de ganho está nas lajes corporativas, que têm retorno superior ao de salas comerciais
O investidor de pequenas salas comerciais, que compra imóveis na capital paulista para alugar ou revender, ficou mais jovem e tem renda menor do que há cinco anos.
Um estudo feito pela imobiliária Lopes para a Folha mostra que o público que procura imóveis nesse perfil tem, em média, 43 anos e renda familiar mensal de R$ 23 mil.
Há cinco anos, a idade média superava os 50 anos e a renda familiar era o dobro.
Os investidores eram quase sempre empresários bem sucedidos -havia pouco espaço para assalariados. Agora, 25% são executivos contratados por companhias.
O estudo considerou os compradores de empreendimentos da imobiliária em 36 bairros da cidade.
Edgar Nunes, 36, é um dos investidores recentes. Diretor de uma multinacional, Nunes comprou sete salas em um empreendimento em Santo Amaro (zona sul) lançado em 2009. Já vendeu cinco.
"Como as unidades esgotaram no lançamento, houve grande procura por revenda. Vendi as cinco depois de um mês e obtive 10% de ganho", diz. "Agora, o m² que custava R$ 6.500 supera R$ 9.000 [alta de 38%]. A previsão de entrega é 2013 e estou pensando se vendo ou alugo."
No estudo, os investidores se dividem de forma equilibrada entre os que procuram salas para revender e os que pretendem alugar.
"Hoje, conta para o investidor não só a rentabilidade no curto prazo, mas também a composição de um patrimônio para o futuro", diz Mirella Parpinelle, diretora da Lopes.
LAJES CORPORATIVAS
No aluguel comercial, o grande potencial está nas lajes corporativas, com custo a partir de R$ 30 milhões.
O retorno mínimo para locação fica em 0,8% ao mês, enquanto que as salas comerciais rendem 0,6% -patamar do aluguel residencial.
No Tesouro Direto, o investidor pode ter hoje na casa de 0,8% ao mês -10% num ano, sem o desconto de imposto.
"O mercado de salas comerciais seguirá crescendo", diz Roberto Coelho da Fonseca, diretor da Coelho da Fonseca.
Valorização de sala comercial pode não se repetir
Quem pretende entrar agora em um investimento em salas comerciais, entusiasmado com a valorização recente do m², deve ser cauteloso e analisar bem as condições.
O preço médio do m² de imóveis lançados nesse perfil subiu 54% de 2008 a 2011 na capital paulista, segundo dados da Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio) publicados pela Folha no sábado -o tamanho médio das novas salas diminuiu de 61 m² para 43 m².
"Os preços já subiram muito e certamente quem se aventurar agora não vai obter tanto ganho quanto quem entrou há alguns anos", diz Valter Police, planejador financeiro pessoal.
"Além disso, é preciso considerar que o dinheiro investido em salas comerciais ou residências fica imobilizado, mais difícil de se tornar disponível em caso de necessidade", acrescenta.
Como também mostrou a reportagem da Folha, entre os bairros que mais se destacaram quanto ao aumento de salas, estão Santo Amaro (zona sul), Barra Funda e Perdizes (ambos na zona oeste).
"Santo Amaro é densamente ocupado por indústrias, que estão com os seus espaços saturados, e os departamentos administrativos das empresas estão saindo para salas comerciais em prédios próximos. Além disso, há os prestadores de serviços", afirma Luiz Paulo Pompéia, diretor da Embraesp.
Na Barra Funda, há "forte demanda por escritórios de advocacia, devido à proximidade dos fóruns [trabalhista e criminal]", diz Pompéia.
O bairro de Perdizes tem se destacado "por causa da busca de unidades por empresários e profissionais liberais que moram na região e querem ter escritórios nas proximidades", diz o diretor.
CUIDADOS
Police ressalta a necessidade de pesquisar bem a região onde se pretende comprar uma sala: para o investimento ter potencial, a oferta de imóveis precisa ser baixa em relação à demanda existente por recompra ou locação.
"Os imóveis são uma boa opção para dar mais segurança a uma carteira de investimentos, mas não devem representar todo o patrimônio", afirma João Crestana, presidente do conselho consultivo do Secovi-SP.
sábado, 26 de novembro de 2011
Restrição a estrangeiro trava US$ 37 bi
Folha de S.Paulo - Gustavo Hennemann
Valor corresponde a investimentos suspensos no setor de florestas plantadas após medida do governo para terras. Extensão de terra que pode ser comprada por empresa brasileira com capital estrangeiro foi limitada 50 módulos.
As barreiras criadas pelo governo federal à compra e ao arrendamento de terras por estrangeiros já travaram R$ 37,2 bilhões em investimentos no ramo de florestas plantadas e também ameaçam a expansão do setor sucroalcooleiro no país.
Os dois setores, cujas unidades industriais dependem do controle das lavouras para operar, foram os maiores prejudicados pelo parecer da AGU (Advocacia-Geral da União) de agosto de 2010.
A medida limitou a 50 módulos fiscais -de 250 a 5.000 hectares, variando conforme a região- a extensão de terra que pode ser comprada ou arrendada por empresas brasileiras controladas por capital estrangeiro.
Multinacionais produtoras de celulose, aço e painéis de madeira -que dependem de florestas plantadas para alimentar unidades industriais- suspenderam ou paralisaram investimentos já iniciados que somam R$ 28 bilhões.
Outros dois projetos, de R$ 9 bilhões, foram suspensos, segundo a Abraf (Associação Brasileira de Produtores de Florestas Plantadas).
No setor de açúcar e álcool, o novo ciclo de expansão, que deve ser iniciado no próximo ano, pode ser freado pelas restrições aos estrangeiros, de acordo com o presidente da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), Marcos Jank.
As multinacionais controlam 25% do setor atualmente e seriam responsáveis por um terço dos investimentos até 2020, estima a Unica.
Segundo o consultor André Pessoa, da Agroconsult, os setores de cana e de florestas são os mais atingidos pelo parecer porque os projetos industriais só são viáveis se tiverem garantia de fornecimento de matéria-prima.
Por isso, as plantas que processam madeira e as usinas de açúcar e álcool têm de controlar pelo menos 50% da área destinada à produção.
Para viabilizar um projeto industrial do setor florestal, são necessários pelo menos 100 mil hectares. No caso de uma usina de cana média, é preciso uma área de aproximadamente 35 mil hectares.
DIÁLOGO
Segundo o diretor-executivo da Abraf, Cesar Augusto dos Reis, há uma "abertura do governo para dialogar".
Reis diz que o setor espera um novo marco legal que viabilize o investimento estrangeiro além de regras específicas para um "período de transição", que permitiriam a retomada dos projetos hoje paralisados.
O deputado federal Beto Faro (PT-PA), relator da subcomissão da Câmara dos Deputados que trata do tema, defende as atuais barreiras a empresas controladas por capital estrangeiro.
Segundo ele, as agroindústrias, se quiserem, podem encontrar alternativas para viabilizar o fornecimento sem ter o controle das terras.
Mercado de terras cai pela metade no ano
O mercado de terras em fronteiras agrícolas do país, que apresentava alta acelerada nos preços desde 2007, reduziu o ritmo e perdeu liquidez depois de o governo restringir a atuação de estrangeiros.
O parecer da Advocacia-Geral da União de 2010 freou a comercialização de grandes áreas em regiões do Tocantins, do Piauí e da Bahia -onde estrangeiros já atuam-, conforme dados da NAI Commercial Properties.
A área de grandes fazendas -com mais de 5.000 hectares- comercializada pela empresa caiu pela metade em 2011.
A retração na demanda também fez o valor médio do hectare negociado cair neste ano nas regiões de fronteira agrícola.
A empresa diz intermediar cerca de 25% das transações de grandes propriedades rurais no país. Ao menos 50% dos negócios envolviam estrangeiros até 2010, diz o presidente, Aloisio Barinotti.
Valor corresponde a investimentos suspensos no setor de florestas plantadas após medida do governo para terras. Extensão de terra que pode ser comprada por empresa brasileira com capital estrangeiro foi limitada 50 módulos.
As barreiras criadas pelo governo federal à compra e ao arrendamento de terras por estrangeiros já travaram R$ 37,2 bilhões em investimentos no ramo de florestas plantadas e também ameaçam a expansão do setor sucroalcooleiro no país.
Os dois setores, cujas unidades industriais dependem do controle das lavouras para operar, foram os maiores prejudicados pelo parecer da AGU (Advocacia-Geral da União) de agosto de 2010.
A medida limitou a 50 módulos fiscais -de 250 a 5.000 hectares, variando conforme a região- a extensão de terra que pode ser comprada ou arrendada por empresas brasileiras controladas por capital estrangeiro.
Multinacionais produtoras de celulose, aço e painéis de madeira -que dependem de florestas plantadas para alimentar unidades industriais- suspenderam ou paralisaram investimentos já iniciados que somam R$ 28 bilhões.
Outros dois projetos, de R$ 9 bilhões, foram suspensos, segundo a Abraf (Associação Brasileira de Produtores de Florestas Plantadas).
No setor de açúcar e álcool, o novo ciclo de expansão, que deve ser iniciado no próximo ano, pode ser freado pelas restrições aos estrangeiros, de acordo com o presidente da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), Marcos Jank.
As multinacionais controlam 25% do setor atualmente e seriam responsáveis por um terço dos investimentos até 2020, estima a Unica.
Segundo o consultor André Pessoa, da Agroconsult, os setores de cana e de florestas são os mais atingidos pelo parecer porque os projetos industriais só são viáveis se tiverem garantia de fornecimento de matéria-prima.
Por isso, as plantas que processam madeira e as usinas de açúcar e álcool têm de controlar pelo menos 50% da área destinada à produção.
Para viabilizar um projeto industrial do setor florestal, são necessários pelo menos 100 mil hectares. No caso de uma usina de cana média, é preciso uma área de aproximadamente 35 mil hectares.
DIÁLOGO
Segundo o diretor-executivo da Abraf, Cesar Augusto dos Reis, há uma "abertura do governo para dialogar".
Reis diz que o setor espera um novo marco legal que viabilize o investimento estrangeiro além de regras específicas para um "período de transição", que permitiriam a retomada dos projetos hoje paralisados.
O deputado federal Beto Faro (PT-PA), relator da subcomissão da Câmara dos Deputados que trata do tema, defende as atuais barreiras a empresas controladas por capital estrangeiro.
Segundo ele, as agroindústrias, se quiserem, podem encontrar alternativas para viabilizar o fornecimento sem ter o controle das terras.
Mercado de terras cai pela metade no ano
O mercado de terras em fronteiras agrícolas do país, que apresentava alta acelerada nos preços desde 2007, reduziu o ritmo e perdeu liquidez depois de o governo restringir a atuação de estrangeiros.
O parecer da Advocacia-Geral da União de 2010 freou a comercialização de grandes áreas em regiões do Tocantins, do Piauí e da Bahia -onde estrangeiros já atuam-, conforme dados da NAI Commercial Properties.
A área de grandes fazendas -com mais de 5.000 hectares- comercializada pela empresa caiu pela metade em 2011.
A retração na demanda também fez o valor médio do hectare negociado cair neste ano nas regiões de fronteira agrícola.
A empresa diz intermediar cerca de 25% das transações de grandes propriedades rurais no país. Ao menos 50% dos negócios envolviam estrangeiros até 2010, diz o presidente, Aloisio Barinotti.
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