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terça-feira, 28 de agosto de 2012

Após dez anos, obra do largo da Batata fica só para 2013

Por Giba Bergamin Jr.


O comerciante Paulo Koji Ito, 73, toca o negócio da família no largo da Batata desde 1954. Nos últimos anos, ouviu que a região no coração de Pinheiros, zona oeste paulistana, ganharia cara nova, com amplos espaços arborizados e praças.

Ao olhar o vaivém de caminhões e tratores, o dono da Casa Ito, de roupas e calçados, acredita que "agora vai".

Passados dez anos --três mandatos de prefeito-- e gastos de R$ 55 milhões, as obras de revitalização da região, porém, só devem ser totalmente entregues pelo próximo governante, em maio de 2013.

De 2009 para cá, a reforma foi paralisada pelo menos três vezes por motivos que vão de impasses judiciais, acidente nas obras do metrô, em 2007, e a investigação de um suposto sítio arqueológico.

O reflexo das obras: interdições de ruas, trânsito e poeira. Segundo a gestão Gilberto Kassab (PSD), o custo final chegará a R$ 145 milhões.

Obras no entorno do largo da Batata em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo; local será entregue em 2013
Obras no entorno do largo da Batata em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo; local será entregue em 2013


O projeto foi idealizado em 2001, na gestão Marta Suplicy (PT), quando o arquiteto Tito Lívio Frascino ganhou um concurso. As sondagens da área começaram no ano seguinte e, de lá para cá, o projeto sofreu alterações.

A região ganhará um terminal de ônibus ao lado da estação Pinheiros do Metrô e uma praça com um espaço cultural na rua Martin Carrasco, onde lojas dos anos 1950 resistem em meio às obras.

O arquiteto disse à Folha que uma das principais mudanças ocorre na área da antiga Companhia Agrícola Cotia, que fica ao lado do mercado municipal de Pinheiros.

Em vez de um centro cultural permanente inicialmente planejado, o espaço deve ganhar um empreendimento comercial. "Essa foi uma das principais modificações, o que descaracterizou um pouco o projeto inicial. A área foi devolvida aos donos, que tiveram a ideia de fazer um shopping", diz Frascino.

A VR Benefícios, dona da área, disse que não há definição e que as obras ali são apenas de fundações do terreno.

O governo promete entregar neste ano o terminal, já o calçadão da Martim Carrasco ficará para o ano que vem.

A revitalização do largo da Batata está prevista na Operação Urbana Faria Lima, plano de requalificação da área, o que fez crescer os olhos do mercado imobiliário.

Com isso, lojas populares já dão lugar a prédios empresariais. Tudo muito diferente dos anos 1990, quando a área era ocupada por camelôs, no ápice de sua degradação.

Editoria de Arte/Folhapress



Mudanças

A tabacaria Polimeno fechou as portas no largo após 68 anos de funcionamento. Tinha movimento baixo por causa das obras que impediam o trânsito na rua Martim Carrasco. A cerzideira que desde os anos 50 consertava roupas também sumiu dali.

Mas houve quem resistiu e agora aposta no "novo largo". Caso da Pesca Pinheiros, que desde 1970 atua na região.

"Depois de tantas promessas, esperamos que a obra acabe. Não fossem os clientes de sempre, a situação teria sido feia", disse Edson Oliveira, 52, dono da loja, fundada pelo pai. Segundo o comerciante, com as obras paradas, a área virou depósito clandestino de entulho.

O largo leva esse nome por conta da vocação comercial dos anos 1920 até 1970. Comerciantes de origem japonesa negociavam legumes --batatas, claro-- ali.

A prefeitura afirmou que as intervenções foram debatidas com moradores e comerciantes e que ofereceu apoio para mudanças.

Fonte: Jornal Folha de S. Paulo