Claudio
Bernardes
| Jornal O Estado de São Paulo | 29 de Janeiro de 2014
Para o empreendedor, as outorgas onerosas são
interessantes porque criam uma economia de escala. Ou seja, o custo de cada unidade
é diluído, uma vez que se pode construir mais unidades no mesmo empreendimento.
Esse mecanismo cria uma facilidade para que o comprador adquira seu imóvel.
Como ele fica mais barato, muita gente pode comprar. Do ponto de vista da
cidade, o fundo também é interessante, desde que seja bem aplicado. O dinheiro
arrecadado é alocado em um fundo específico, para que não seja colocado no
caixa e gasto em salários.
Como há um limite de estoque por distrito, grande
parte da cidade já foi esgotada, exceto nos locais que não têm interesse do
mercado. Em muitos casos, os municípios limítrofes dos locais onde acabou o
estoque têm alta incidência de lançamentos de empreendimentos.
O mercado tenta sempre equilibrar oferta e demanda,
mas se não for possível ele vai para outro município. O interessado vai morar
lá, mas continua trabalhando em São Paulo. Então, isso tem um efeito negativo,
que é piorar o deslocamento na cidade. O que está proposto para a revisão do
Plano Diretor é que nos eixos de transporte a outorga ficará um pouco mais
barata, estimulando o adensamento. Mas, fora dos eixos, a outorga aumentará,
dificultando, portanto, a viabilização de empreendimentos a preços competitivos
fora dos eixos.