Ramal do metrô entre zona norte e centro será feito
e operado por empresa privada
Caio do Valle | Jornal O Estado de São
Paulo | 19 de Dezembro de 2013
A futura Linha 6-Laranja do Metrô, que ligará a
Vila Brasilândia, na zona norte, ao centro da capital paulista, poderá começar
a funcionar parcialmente em 2018. A informação foi divulgada nessa
quarta-feira, 18, pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), que assinou o
contrato para a construção do ramal de 15,9 km e 15 estações - a obra será
tocada pela iniciativa privada.
O ramal é conhecido como "linha das
faculdades", já que passa perto da Pontifícia Universidade Católica (PUC),
Fundação Armando Alvares Penteado (Faap) e Mackenzie. O traçado por
Higienópolis rendeu polêmica em 2011. O Metrô alterou o endereço da Estação
Higienópolis, embora negue que a mudança tenha sido motivada por pressão dos
moradores.
O consórcio vencedor para tocar o empreendimento,
que custará R$ 9,6 bilhões, é o Move São Paulo, formado por Odebrecht, Queiroz
Galvão, UTC Participações e Fundo Eco Realty, que irá administrar a Linha 6 por
19 anos após a sua entrega total, até a Estação São Joaquim, prevista para
2020. As obras devem começar no primeiro semestre do ano que vem. As desapropriações
serão pagas com recursos do governo, mas feitas pela iniciativa privada. Ao
todo, a Linha 6 transportará 633 mil passageiros por dia útil, em média.
Dez anos. Alckmin também falou sobre a Linha 4-Amarela,
construída pelo governo do Estado, mas administrada pela concessionária
ViaQuatro. As obras do ramal, que hoje liga a Estação da Luz, no centro, ao
Butantã, na zona oeste, começaram em 2004. Questionado sobre a demora para a
entrega total da linha, Alckmin disse que o ramal foi programado para ser feito
em duas fases.
"Não foi uma PPP (parceria público-privada)
integral. Toda a obra física foi feita pelo governo. A PPP foi só material
rodante, os trens, enfim. A Linha 4 foi programada em duas etapas, porque o
governo não tinha recurso para fazer toda a obra. Então, foi fazendo em
etapas."
O tucano declarou ainda que hoje o governo paulista
vive outro momento financeiro, o que permite obras mais complexas em um prazo
menor. "O governo tem uma outra situação financeira hoje, graças a
Deus."
O secretário estadual dos Transportes
Metropolitanos, Jurandir Fernandes, se irritou quando foi perguntado sobre os
dez anos que as obras completarão em 2014. "A Linha 4 é em duas etapas. A
primeira etapa foi entregue há dois anos."
Ele admitiu que houve atrasos, mas comparou as
obras às dos metrôs europeus. "Uma linha de Paris que tem 113 anos e tem
um aumento você diz que ela está há 113 anos sendo construída? A Linha Jubilee,
de Londres, que teve uma parte construída agora, mas tem uma parte de mais de
40 anos, levou 40 anos para ser construída? A Linha 2 (Verde) da Paulista vocês
estão dizendo que demorou 30 anos para ser construída?"
Em meados dos anos 2000, a promessa do governo era
entregar a linha completa em 2010. Contudo, um acidente nas obras da Estação Pinheiros,
na zona oeste, com a morte de sete pessoas, levou o governo a rever o prazo.
Depois, o prazo passou para 2012. No ano passado, a promessa era que a entrega
de todas as estações da linha seria em 2014, mas recentemente o Metrô admitiu
que as Estações Vila Sônia e São Paulo-Morumbi só devem sair em 2015.
"O meu papel é fazer com que a obra aconteça e
seja entregue. Se eu for ficar olhando para o retrovisor todo dia e chorando, o
que você quer? Que eu faça o quê? Pare as obras?", disse Fernandes. O secretário
acrescentou que, em três anos, entregará os atuais 55 km de obras de metrô, nas
Linhas 4-Amarela, 5-Lilás, 15-Prata e 17-Ouro. As inaugurações mais recentes de
estações foram em setembro de 2011, das paradas Luz e República da Linha
4-Amarela.