Marina
Gazzoni
| Jornal o Estado de São Paulo | 20 de Dezembro de 2013
A construção de um terceiro
aeroporto na Grande São Paulo - em Caieiras, a cerca de 30 quilômetros da
capital paulista -, fará concorrência direta aos aeroportos de Guarulhos e
Viracopos. Batizado de Novo Aeroporto de São Paulo (Nasp), o projeto foi
apresentado pela Camargo Corrêa e pela Andrade Gutierrez em 2011 e seria
operado pela concessionária do grupo, a CCR. A viabilidade do projeto depende
de uma mudança na legislação, que está em estudo no governo.
O governo planeja atualizar um
decreto de dezembro de 2012 que autorizou a iniciativa privada a investir em
aeroportos para a aviação executiva, apurou o Estado. A intenção é levar a
regra para aeroportos privados com voos regulares.
Em comunicado, a CCR confirmou
que há, de fato, estudos para transformar o Nasp em um aeroporto aberto ao
público: "A concretização do projeto vai proporcionar atendimento de
qualidade à demanda excedente de passageiros e importante impulso ao
desenvolvimento da região metropolitana de São Paulo."
O projeto prevê investimentos de
quase R$ 5 bilhões em um aeroporto com capacidade para receber 48 milhões de
passageiros por ano. Trata-se de um aeroporto maior que o de Guarulhos, que
poderá receber 45 milhões de passageiros por ano após as obras de ampliação.
Se o plano se concretizar, o
aeroporto de Caieiras impactará na demanda de Guarulhos e Viracopos, explica o
sócio da Bain &Company, André Castellini. "O terceiro aeroporto cria
uma concorrência real entre os aeroportos da região de São Paulo e beneficia os
passageiros."
Segundo ele, o maior prejudicado
com o terceiro aeroporto será Viracopos, que está localizado a uma distância
maior de São Paulo do que o aeroporto de Caieiras. A estimativa de Castellini é
de que os aeroportos de Guarulhos e Congonhas serão insuficientes para atender
o tráfego aéreo da região no futuro, mesmo após sua ampliação máxima, o que
criará uma demanda para um terceiro aeroporto.
O aeroporto novo também afetaria
Guarulhos ao gerar uma competição pela oferta de voos das companhias aéreas.
"Mesmo com tarifa aeroportuária controlada, a tendência é que, com a
saturação dos aeroportos, os custos não regulados sejam altíssimos e Guarulhos
se torne um aeroporto elitizado", disse Castellini. Com uma terceira
opção, esse processo poderia ser minimizado.
As companhias aéreas veem com
bons olhos os projetos de construção de novos aeroportos, disse o consultor
técnico da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Adalberto
Febeliano. Para ele, a construção de novos aeroportos dará um poder de
negociação das empresas para definir onde formarão seus hubs (centros de
distribuição de voos).
Febeliano lembrou que uma
eventual mudança na legislação para viabilizar o aeroporto de Caieiras abrirá
também oportunidades para outros aeroportos privados. Neste ano, o governo
autorizou a construção de dois novos aeroportos na região de São Paulo para
aviação executiva - em Parelheiros, na Zona Sul de São Paulo, e em São Roque, a
60 km na capital. "Guarulhos e Congonhas têm suas limitações e a
alternativa que as empresas têm hoje para ampliar a oferta de voos em São Paulo
é Viracopos. Se tivéssemos mais três aeroportos, essa oferta se espalharia entre
eles."
CCR
O aval para o aeroporto de
Caieiras pode dar à CCR a possibilidade de administrar dois aeroportos privados
do País. A empresa venceu a concessão do aeroporto de Confins em novembro, em
um leilão que teve como regra a proibição dos donos de concessões de aeroportos
de Guarulhos, Viracopos e Brasília, leiloados em 2012, de participar da disputa
como sócios majoritários.
"Se
a CCR não tivesse Confins, seria justo. Mas a partir do momento que foi imposta
uma restrição às empresas que disputaram as concessões, a CCR não poderia ter
mais que 15% na operação do aeroporto de Caieiras", disse Respicio
Espírito Santo, professor de transporte aéreo da UFRJ.