Fusões
e aquisições. Fundos de investimentos, como os americanos Carlyle (que, no
Brasil, investiu na CVC e na Tok&Stok) e KKR, avaliam negócio; Bradesco
Seguros tem interesse no controle e laboratórios estrangeiros também estão de
olho na empresa
Fernando Scheller e Mônica Scaramuzzo |
Jornal O Estado de São Paulo | 07 de Janeiro de 2014
A decisão
de um grupo de 24 médicos de vender o controle do laboratório Fleury foi a
fagulha para acender uma disputa acirrada pelo negócio. Segundo fontes de
mercado, são muitos os interessados. Fundos fortes no País, como Gávea
Investimentos (capitaneado pelo ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga) e
Carlyle (que já comprou CVC, Ri Happy e Tok&Stok), avaliam a empresa, que
está sendo assessorada pelo banco JP Morgan.
Além
desses dois pesos pesados, pelo menos um outro fundo americano - o KKR - e laboratórios
estrangeiros, de olho no crescimento do setor de saúde no País, também estão
avaliando a compra do Fleury.
Toda essa movimentação do mercado
seria uma "pedra no sapato" da Bradesco Seguros, que já é sócia do
empreendimento (veja quadro acima) e tem todo o interesse de ser controladora
do negócio, dizem fontes.
A companhia seguradora, que quer
aumentar sua fatia no Fleury, estaria insatisfeita com o preço pedido pelos
controladores do laboratório. "As negociações estão cozinhando desde
novembro. A impressão é que eles (controladores) estão esperando uma proposta
melhor da Bradesco Seguros", disse uma fonte. Procurados, Bradesco Seguros
e Fleury não comentaram o assunto.
Negociações lentas. Entre os fundos, a impressão é que as
negociações não estão muito fáceis - a Core Participações, que reúne os médicos
sócios do laboratório, oficializou o processo de venda do Fleury, que era alvo
de rumores há tempos, há quase dois meses. "Tudo está andando mais devagar
do que a gente imaginava a princípio", disse o diretor de um dos fundos
que estão avaliando o ativo. "Mas continuamos interessados",
ressalvou.
Segundo fontes de mercado, as
conversas com a Gávea Investimentos (controlado pelo JP Morgan), que foram
reveladas pela imprensa no mês passado, também não teriam caminhado muito até
agora. Isso porque os acionistas do Fleury teriam reservas em abrir seus dados
financeiros para o fundo, que de certa forma é seu concorrente - a gestora é
sócia do laboratório mineiro Hermes Pardini. Nos bastidores, questionava-se
também o uso do Hermes Pardini como plataforma para a compra do Fleury, que tem
um porte bem maior.
Por trás da intenção da venda do
controle do laboratório Fleury estaria a intenção de sofisticar a entrega da
empresa, cuja receita hoje está quase que totalmente baseada em repasses de
planos de saúde. A companhia, que já é dona de uma marca premium - a Labs D'Or,
por exemplo - teria a intenção de migrar de área, com a incorporação de outros
serviços médicos, além dos diagnósticos. No mercado, comenta-se que suas marcas
seriam fortes o suficiente para esse movimento.
O setor de saúde está atraindo
diversos investidores ao Brasil. "É um mercado em processo de
concentração. Além do interesse em laboratórios de análise, investidores estão
de olho em hospitais e operadoras de planos de saúde, uma vez que o aumento de
renda da classe C tem gerado demanda maior por esse serviço", disse outra
fonte de mercado.