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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Haddad vai aprovar parque Augusta

Prefeito sancionará lei aprovada na Câmara que preserva terreno na Consolação com árvores da Mata Atlântica

Regiane Teixeira e Ricardo Bundukyde | Jornal Folha de São Paulo | 19 de Dezembro de 2013

O prefeito Fernando Haddad (PT) decidiu sancionar o projeto de lei aprovado na Câmara que cria o parque Augusta, na região central.

Com árvores nativas da Mata Atlântica, como jacarandás e ipês, o terreno de 24.752 m² entre as ruas Augusta, Caio Prado e Marquês de Paranaguá, na Consolação, é alvo de disputa entre moradores da região e construtoras.

Oficialmente, a prefeitura não confirma a decisão. Mas a Folha apurou que Haddad vai sancionar a lei --a outra opção seria vetá-la. Ele tem até a próxima terça, véspera de Natal, para fazer isso.

Ontem, um grupo de manifestantes, alguns vestindo maiô e roupas de mergulho, reuniu-se em frente à prefeitura, no centro, para reivindicar a criação do parque.

Sete deles foram recebidos pelo secretário-adjunto de Relações Governamentais, José Pivatto. Eles apresentaram formas para a prefeitura financiar a medida.

"Há várias possibilidades, como usar o dinheiro que o [ex-prefeito] Paulo Maluf deve para a cidade ou trocar esse imóvel com a construtora compradora por outro que estiver ocioso e seja da municipalidade", afirmou Célia Marcondes, presidente da Sociedade de Amigos e Moradores do Bairro de Cerqueira César.

Pivatto disse que a solicitação seria encaminhada ao prefeito, mas logo depois da reunião o grupo já comemorava a aprovação do parque.

Os manifestantes haviam conversado com o vereador Ricardo Young (PPS), que junto de Nabil Bonduki (PT), falaram com o prefeito sobre o tema anteontem. Segundo Young, Haddad "assegurou que vai sancionar" a lei.

Numa rede social, Bonduki disse: "O prefeito reafirmou que irá sancionar o projeto, por ser favorável mesmo com as restrições orçamentárias, no entanto, afirmou que deverão ser encontradas formas de mobilizar recursos para a sua implementação".

PROCESSO

Em 2008, a área foi declarada como de utilidade pública pelo então prefeito Gilberto Kassab (PSD). Em agosto passado, porém, o decreto venceu sem que a prefeitura tivesse concluído o processo de desapropriação. A Secretaria do Verde alegou, à época, que não havia dinheiro.

Em novembro, foi divulgada a compra do terreno pelas incorporadoras Setin e Cyrela --que pretendem construir ali duas torres, mantendo parte da área nativa. A Folha não conseguiu localizar representantes das empresas.