Prefeito sancionará lei aprovada na Câmara que
preserva terreno na Consolação com árvores da Mata Atlântica
Regiane
Teixeira e Ricardo Bundukyde | Jornal Folha de São Paulo | 19 de Dezembro de
2013
O prefeito Fernando Haddad (PT) decidiu sancionar o
projeto de lei aprovado na Câmara que cria o parque Augusta, na região central.
Com árvores nativas da Mata Atlântica, como
jacarandás e ipês, o terreno de 24.752 m² entre as ruas Augusta, Caio Prado e
Marquês de Paranaguá, na Consolação, é alvo de disputa entre moradores da
região e construtoras.
Oficialmente, a prefeitura não confirma a decisão.
Mas a Folha apurou que Haddad
vai sancionar a lei --a outra opção seria vetá-la. Ele tem até a próxima terça,
véspera de Natal, para fazer isso.
Ontem, um grupo de manifestantes, alguns vestindo
maiô e roupas de mergulho, reuniu-se em frente à prefeitura, no centro, para
reivindicar a criação do parque.
Sete deles foram recebidos pelo secretário-adjunto
de Relações Governamentais, José Pivatto. Eles apresentaram formas para a
prefeitura financiar a medida.
"Há várias possibilidades, como usar o
dinheiro que o [ex-prefeito] Paulo Maluf deve para a cidade ou trocar esse
imóvel com a construtora compradora por outro que estiver ocioso e seja da
municipalidade", afirmou Célia Marcondes, presidente da Sociedade de
Amigos e Moradores do Bairro de Cerqueira César.
Pivatto disse que a solicitação seria encaminhada
ao prefeito, mas logo depois da reunião o grupo já comemorava a aprovação do
parque.
Os manifestantes haviam conversado com o vereador
Ricardo Young (PPS), que junto de Nabil Bonduki (PT), falaram com o prefeito
sobre o tema anteontem. Segundo Young, Haddad "assegurou que vai
sancionar" a lei.
Numa rede social, Bonduki disse: "O prefeito
reafirmou que irá sancionar o projeto, por ser favorável mesmo com as
restrições orçamentárias, no entanto, afirmou que deverão ser encontradas
formas de mobilizar recursos para a sua implementação".
PROCESSO
Em 2008, a área foi declarada como de utilidade
pública pelo então prefeito Gilberto Kassab (PSD). Em agosto passado, porém, o
decreto venceu sem que a prefeitura tivesse concluído o processo de
desapropriação. A Secretaria do Verde alegou, à época, que não havia dinheiro.
Em novembro, foi divulgada a compra do terreno
pelas incorporadoras Setin e Cyrela --que pretendem construir ali duas torres,
mantendo parte da área nativa. A Folha não conseguiu localizar representantes
das empresas.