Um sistema criado para o rastreamento dos produtos da
fazenda até o supermercado impulsiona a qualidade de nosso agronegócio
Vladimir Brandão |
Revista Exame | 05 de julho de 2013
Gado: no
Brasil, menos de 2% do rebanho bovino é monitorado individualmente
São Paulo - Saber a
fazenda de origem de uma peça de carne, o nome do produtor e se o gado foi
criado em condições sanitárias adequadas. Ou então verificar onde foi cultivada
uma fruta ou hortaliça, ver fotos do sítio e certificar-se de que os produtos
não contêm resíduos de agrotóxicos acima dos limites aceitáveis.
Essas informações já
estão disponíveis para carne bovina, frutas, verduras e legumes vendidos nas
615 lojas Pão de Açúcar e Extra espalhadas pelo país. Para checar o histórico
dessas mercadorias, basta o comprador baixar um aplicativo no celular e
escanear o código de barras dimensional da embalagem do produto. Ou então
entrar no hotsite do Pão de Açúcar e digitar o código do produto.
“Para o consumidor, o
produto rastreado se traduz em um alimento mais seguro”, diz Leonardo Miyao,
diretor comercial do Grupo Pão de Açúcar.
O êxito desse
programa pioneiro, lançado em 2008, é medido pelo aumento de quase 20% nas
vendas de frutas, legumes e verduras rastreados entre 2010 e 2012. Mas os
ganhos vão além. O rastreamento permite monitorar pontos críticos na cadeia
produtiva, identificar os melhores e piores fornecedores e sugerir melhorias.
Após a adoção do
programa, a devolução de mercadorias devido à baixa qualidade caiu pela metade.
Em dois anos, a rede varejista deve estender o programa de rastreamento para
carnes de porco, frango e pescados.
O produtor que adere
ao programa também tem vantagens. O Pão de Açúcar não paga um prêmio em
dinheiro aos melhores fornecedores, mas faz mais negócios com eles. De 40
produtores de morango do sul de Minas Gerais que abasteciam a rede, 28 foram
descredenciados por ultrapassar o limite de resíduos de agrotóxicos. Os 12 que
restaram entregam hoje volumes maiores ao grupo.
Outro benefício é que
o rastreamento se torna uma ferramenta de gestão, já que obriga o produtor a
registrar seus passos: datas e formas de plantio, aplicações de adubos e
defensivos, colheita, embalagem, transporte. O produtor deve obedecer a padrões
de boas práticas agrícolas e cumprir à risca as exigências sanitárias.
Isso ajuda a
organizar os processos, com reflexos na qualidade e na produtividade. Além
disso, o produtor pode verificar, em uma plataforma online, as notas de
qualidade atribuídas pelo Pão de Açúcar. Assim, ele pode monitorar seu
desempenho e comparar com o de outros fornecedores.
