Por Naiana Oscar
Investidor espanhol, que uniu as empresas Agra, Klabin Segall e Abyara, compra 55% da desenvolvedora de shoppings Fitout, de portugueses
O investidor espanhol Enrique Bañuelos está de volta ao mercado imobiliário brasileiro. Ele comprou nesta semana o controle da desenvolvedora de shoppings Fitout - uma empresa brasileira fundada por três investidores portugueses, que vem tentando se firmar no País desde 2010.
As conversas com a Fitout começaram há cerca de um mês e o contrato foi assinado no último domingo, em São Paulo, no escritório da Veremonte - a holding de investimento que o espanhol criou em 2008 para entrar no Brasil.
Em geral, Bañuelos compra participações minoritárias em companhias problemáticas. Neste caso, ele adotou uma estratégia diferente. Adquiriu de uma só vez 55% de uma empresa que ainda é novata no mercado brasileiro. "A Fitout será o braço de desenvolvimento de shoppings da Veremonte no Brasil, setor que promete ter grande atividade e crescimento nos próximos anos", diz Aline Lex, diretora da holding. "Temos planos de lançar três shoppings em 2013 e dois por ano a partir de 2014." Ela não revelou o valor da aquisição nem a forma de pagamento.
Essa é a segunda investida do bilionário espanhol no mercado imobiliário brasileiro. Entre 2009 e 2010, Bañuelos uniu as incorporadoras Agra, Klabin Segall e Abyara e vendeu a empresa originada dessa fusão para a incorporadora PDG, que se tornou a maior companhia do setor - e desde o início do ano vem enfrentando uma situação difícil, com atrasos de obra e prejuízo.
Foi também no mercado imobiliário que o investidor ganhou fama internacional. Na década de 90, Bañuelos criou em Valência, na Espanha, a incorporadora Astroc - que foi um sucesso no mercado de capitais e entre 2006 e 2007 viu seu valor de mercado despencar na bolsa. O episódio, que se somou a uma ação na Justiça de um acionista descontente, acabou transformando Bañuelos em símbolo do estouro da bolha imobiliária na Espanha. O investidor se afastou da gestão e vendeu a maior parte de sua participação na companhia.
Depois do contratempo no mercado espanhol, Bañuelos chegou ao Brasil com planos ambiciosos nos setores imobiliário, de saúde, energia, infraestrutura e alimentação que acabaram não se provando. A compra da Fitout se dá num momento em que o mercado já considerava a saída dele do País - embora em 2009, ele tivesse declarado que veio para ficar pelo menos 40 anos.
A desconfiança de que o investidor estava abandonando o País está baseada em dois fatos recentes: Bañuelos se desfez de sua participação na PDG e na Vanguarda Agro - empresa criada por ele a partir da incorporação da Maeda e da Vanguarda na Brasil Ecodiesel. O espanhol se desentendeu com os sócios e deixou o negócio em maio. Desde então, Bañuelos tinha participação indireta em apenas uma empresa no Brasil, a Medidata, controlada pela espanhola Amper, da qual ele é dono de 28%.
Fontes próximas à empresa de shopping dizem que os sócios portugueses não se incomodaram com o histórico de confusões envolvendo Bañuelos no País. "A Fitout precisava de dinheiro para tocar os projetos e Bañuelos queria investir em shoppings."
Iniciante. A empresa tem projetos em desenvolvimento nos Estados de Santa Catarina, São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Espírito Santo, mas nenhum deles ainda saiu do papel. O mais adiantado é o projeto de um shopping na cidade catarinense de Itajaí - que tem previsão para iniciar as obras no começo do ano que vem. A Fitout já fechou com um fundo imobiliário brasileiro que vai financiar a obra. Depois de pronta, a empresa continua na administração do empreendimento.
Quem criou a Fitout no Brasil foi o investidor português Jaime Lopes, ex-executivo do Grupo Amorim, que antes da crise financeira mundial tinha um braço de desenvolvimento de shoppings. Na Europa, Lopes desenvolveu 16 projetos de centros comerciais sob a bandeira Dolce Vita.
Fonte: O Estado de S.P.