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quarta-feira, 6 de junho de 2012

PIB 1º.Trimestre – a culpa é do agro…

Por Paulo Costa


Divulgados os dados relativos ao Produto Interno Bruto brasileiro para o primeiro trimestre do ano, nada de surpresas. Um crescimento pífio, até certo ponto artificial, de 0,2% sobre os valores do último trimestre de 2011 e de 0,8% sobre o mesmo período do ano passado. A manchete de Exame.com que nos brindou com a informação sobre os números já diz tudo: “Para Mantega, PIB é resultado de perdas na agropecuária - Mantega ressaltou o crescimento da indústria, de 1,7% com relação ao último trimestre do ano passado.” Claro, alguns setores da atividade industrial tem recebido contínuo apoio governamental, tanto em forma de desoneração tributária como em tentativas de onerar as importações de manufaturados. Ao final não está adiantando muito:  as exportações brasileiras acabam de ter recorde histórico para os meses de maio, alcançando o valor de US$ 23,215 bilhões, que é superior às vendas de US$ 23,209 bilhões no mesmo mês do ano passado. Mas nas importações, também houve recorde para o mês (US$ 20,3 bilhões), que superaram as compras de US$ 19,7 bilhões de maio de 2011.

Voltando ao PIB do 1º trimestre, o setor de serviços registrou elevação de 0,6%. Mas quem segurou mesmo os números em território positivo foi o consumo das famílias (+ 1,0%), em conjunto com o consumo da administração pública (0,5%), que teve alta de 1,5% no trimestre. Aí também não tem milagres: o esforço governamental, até certo ponto irresponsável por conta das taxas de inadimplência das famílias, em suportar o crescimento do consumo tanto com a queda de juros como com a isenção ou diminuição de IPI para produtos populares (inclusive e particularmente na indústria automobilística). são visíveis.

Não se espere que o quadro, no caso dos produtos agrícolas e agropecuários, vá alterar muito a conjuntura no decorrer deste ano. O desempenho dos preços agrícolas até 31 de maio foi decepcionante, mas em linha com o quadro macroeconômico mundial. Com exceção da soja e do farelo de soja, que apreciaram no ano  respectivamente 12,2% e 28,5%, as demais commodities agrícolas sofreram grandes quedas. Por exemplo, para ficar em nossos produtos de exportação, o suco de laranja perdeu 35%, café 30%, algodão 23%, açúcar 18% e milho 13%. De um lado estamos com a moagem da cana-de-açúcar bastante atrasada, o que tende a gerar um volume exportável mais concentrado no segundo semestre de 2012 – mas a safra será pequena novamente e os preços em nada ajudam, apesar de que a desvalorização do Real vai minorar perdas (o faturamento do setor vai ser pobre, também por conta dos baixos preços internos de açúcar e etanol).

Mas o carro chefe, a soja, que teve enorme quebra de safra tanto aqui no Brasil como na Argentina, mantendo os preços internacionais elevados, está passando por o que chamamos no jargão de trading de “front end exports”, ou seja, as exportações estarão mais concentradas no primeiro semestre. Basta ver que as exportações de soja do Brasil atingiram um recorde histórico em maio, somando 7,28 milhões de toneladas, conforme dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior. No acumulado do ano até maio, as exportações do Brasil já somam 18,5 milhões de toneladas, ante 13,5 milhões de toneladas no mesmo período do ano passado!

Para o setor o fato é uma vitória de Pirro. Durante anos e anos o agronegócio vem segurando não apenas os resultados positivos da balança comercial brasileira bem como tendo papel preponderante, para não dizer decisivo, na manutenção da variação do PIB. Quando isto acontece pouco significado se dá. Agora, por conta de fatores climáticos adversos e uma queda generalizada nos preços consequente a uma conjuntura sobre a qual não temos controle, o destaque é grande!

Fonte: Exame.com.br - BIOAGROENERGIA