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| Walter Cover, presidente da Abramat, afirma que desempenho do setor, no segundo semestre, será "bastante desafiador" |
A indústria de materiais de construção já sente os efeitos da desaceleração da economia. A projeção de crescimento do faturamento real do setor, em 2012, foi revisada, ontem, para 3,4%, abaixo dos 4,5% previstos anteriormente, conforme a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat). A piora da estimativa resulta da queda das vendas para o varejo e pelo fato da comercialização para o setor de infraestrutura estar abaixo do previsto. Já a demanda por materiais pelo do setor imobiliário tem impulsionado as encomendas feitas à indústria.
A redução nas vendas para o varejo é consequência da postergação de compras por parte do consumidor final, devido à expectativa da queda da taxa de juros. "O consumidor não está encontrando a redução de juros da qual ouve falar, então adia o momento de comprar", diz o presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), Claudio Conz. Nesta semana, a entidade revisou a estimativa de crescimento, no ano, de 8% para 4%.
O varejo responde por metade das vendas da indústria, o setor imobiliário - empreendimentos residenciais, comerciais, industriais e hospitais -, por 30%, e as obras de infraestrutura, pelos demais 20%. Apesar da piora das estimativas, as indústrias de materiais devem ter, em 2012, novo recorde de faturamento, de acordo com o presidente da Abramat, Walter Cover. No ano passado, o setor registrou o faturamento recorde de R$ 112 bilhões, com crescimento de 2,9% ante 2010.
Segundo o presidente da Abramat, para que o crescimento esperado seja alcançado, em 2012, o desempenho do setor, no segundo semestre, ainda será "bastante desafiador". Na próxima semana, a entidade vai reforçar, junto ao governo federal, o pleito para que o imposto sobre produtos industrializados (IPI) seja zerado para todos os materiais de construção.
A expansão projetada pela Abramat para as vendas totais de materiais de base - como cimento, tijolo e vergalhão -, no ano, é de 3% e de acabamento, caso de revestimentos cerâmicos e tintas, de 4,5%, ante as estimativas anteriores de 4% e 6%, respectivamente.
O setor imobiliário tem demandado tanto materiais de base para os empreendimentos lançados nos dois últimos anos, quanto de acabamento para imóveis em fase de conclusão. A desaceleração nos lançamentos imobiliários por parte das incorporadoras, neste ano, deverá ter efeito nas vendas da indústria somente a partir de 2013, segundo o presidente da Abramat.
Durante 2012, as encomendas feitas pelas construtoras devem manter o ritmo atual. No curto prazo, segundo Cover, à medida que o consumidor final sentir os efeitos da queda da taxa de juros, a demanda de materiais nas revendas será estimulada, o que deve se refletir nos pedidos à indústria. As vendas para obras de infraestrutura devem aumentar mais para o fim do ano, à medida que os projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) avançarem, na opinião do presidente da Abramat.
A projeção inicial de crescimento da fabricante de fechaduras, dobradiças, puxadores e cadeados Pado, em 2012, era de crescer 15%, mas a estimativa foi revisada para 10% já no primeiro trimestre do ano, período em que o ritmo de expansão registrado foi inferior ao inicialmente esperado. Segundo o gerente nacional de vendas da Pado, Leonardo Faria, a empresa ainda não sentiu efeitos, na demanda, das medidas do governo para estimular a economia. A Pado não informa que parcela é destinada ao varejo e às construtoras.
A Mexichem Brasil, detentora das marcas Amanco, Plastubos e Bidim, observou, nos cinco primeiros meses do ano, crescimento nas vendas para os segmentos predial - construções residenciais e comerciais - e de infraestrutura abaixo do esperado. Segundo o vice-presidente da Mexichem Brasil, Maurício Harger, esse desempenho foi compensado pelo aumento da demanda de itens de irrigação pelo setor de agricultura, o que possibilitou manter a estimativa de expansão de vendas de 8% e os investimentos anunciados. "Sem isso, talvez fosse necessário reduzir a projeção", disse Harger.
Em função da expectativa de menor crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, a Duratex, fabricante de painéis de madeira, louças e metais sanitários, ajustou sua perspectiva de expansão do faturamento, em 2012, do patamar de 5,5% a 6%, para em torno de 5%. Conforme o diretor financeiro e de relações com investidores da Duratex, Flavio Marassi Donatelli, a empresa tem crescido a taxas de uma vez e meia a duas vezes o PIB. A empresa mantém seus investimentos.
A Eternit, que atua nos segmentos de coberturas, louças e metais sanitários e acessórios cresce, historicamente, acima do PIB da construção. Sem informar projeções para o ano, o presidente do grupo Eternit, Élio Martins, conta que a tendência é que isso seja mantido, mesmo com a redução da perspectiva de aumento do PIB do país. O Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) estima elevação do PIB do setor em torno de 5% neste ano.
As vendas de tintas imobiliárias devem aumentar entre 3% e 4% no ano, conforme projeção da Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati). De acordo com o presidente-executivo da Abrafati, Dilson Ferreira, a expansão no primeiro semestre ficará na faixa de 1% a 2%, abaixo da prevista inicialmente, como consequência de vendas para o varejo e para projetos de infraestrutura inferiores às projetadas. O varejo é responsável por 75% a 80% das vendas de tintas imobiliárias. Os pedidos por parte das construtoras, tanto para o programa Minha Casa, Minha Vida quanto para empreendimentos para as classes média e média-alta estão conforme o esperado.
Fonte: Valor Econômico
Fonte: Valor Econômico
