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terça-feira, 5 de junho de 2012

Real Properties investirá R$ 1 bi

Por Chiara Quintão

Walter Torre, presidente, diz que não há conflito de interesses em
atuar em propriedades comerciais com três empresas

A Real Properties, empresa de renda com ativos imobiliários pertencente ao grupo WTorre, vai investir quase R$ 1 bilhão, neste ano, nos segmentos de galpões e de grandes lajes corporativas. A empresa foi criada a partir de terrenos e projetos em fase inicial que pertenciam à antiga WTorre Properties e ficaram de fora quando o BTG entrou no capital dessa controlada do grupo, no início do ano passado.

A Real nasceu com ativos de R$ 2 bilhões e caixa de R$ 300 milhões, segundo o presidente da WTorre S. A., Walter Torre. "São três milhões de metros quadrados em terrenos, em São Paulo e no Rio de Janeiro, prontos para serem utilizados para galpões e grandes lajes", conta. A WTorre tem 100% da Real.

Os recursos para os investimentos previstos na Real poderão ser originados do processo de "build to suit" (construção sob medida), que prevê locação prévia dos ativos e securitização dos recebíveis. Outra possibilidade são captações no formato de "project finance", com parte de recursos próprios e parte decorrente de dívida bancária.

A maior parte dos investimentos previstos - R$ 750 milhões - será destinada ao desenvolvimento de galpões, todos com perfil de alto padrão, com características como pé direito de 12 metros a 14 metros. "Acredito que o mercado será inundado por galpões no prazo de um ano e meio a dois anos. Os bons armazéns sobreviverão", avalia.

Durante o ano, a Real deve dar início ao desenvolvimento de galpões no total em 550 mil metros quadrados de terrenos em São Paulo e no Rio de Janeiro. Em São Paulo, as áreas estão localizadas na rodovia Anhanguera, em Cajamar; na rodovia dos Bandeirantes, em Vinhedo; na região do aeroporto de Viracopos, em Campinas; e em Hortolândia.

A Real vai desenvolver armazéns em Duque de Caxias, na divisa com o Rio. No bairro carioca de Santa Cruz, em terreno vizinho à fábrica da Brahma, a empresa de renda fará grande centro logístico para o chamado mercado especulativo. Esse empreendimento terá três milhões de metros quadrados, sendo um milhão de metros quadrados na primeira fase.

No segmento de escritórios, a Real vai erguer dois empreendimentos em áreas que possui, no Rio, nos arredores da futura sede da Petrobras, a ser entregue pela BR Properties em meados do ano.

No começo do ano passado, lajes corporativas e galpões concluídos ou quase prontos da WTorre ficaram com a empresa criada a partir da entrada do BTG. Da WTorre Properties, o banco de investimentos deteve 70%, e a WTorre, os 30% restantes. As dívidas da WTorre no segmento de renda foram concentradas nessa empresa.

Em setembro de 2011, a WTorre Properties uniu suas operações à BR Properties, o que criou a maior empresa de renda do país. Durante o processo de união das empresas, a WTorre Properties passou a se chamar One Properties.

Dois ativos que pertenciam à WTorre Properties - área para a construção do maior edifício de escritórios de São Paulo e terreno para projeto de escritórios e residencial, onde funcionava a antiga fábrica da Kibon, ambos na zona sul da capital- não foram incluídos no negócio com a BR Properties, sendo direcionados para outra empresa, a BW, da qual BTG tem 70% e WTorre, os demais 30%.

Os ativos da BW - terrenos, Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs) e obras já iniciadas em um deles - são estimados entre R$ 700 milhões e R$ 800 milhões. Os imóveis da BW serão alugados, mas o objetivo da empresa é a venda. "A compradora poderá ser até a BR Properties", diz Torre. Quando os dois empreendimentos forem desenvolvidos e comercializados, as atividades da BW poderão ser encerradas.

A WTorre S. A. é o segundo maior acionista da BR Properties, com 8,42% de participação, atrás apenas do BTG, que tem 28,23%. Conforme o empresário, não há conflito de interesses no fato de a WTorre atuar no segmento de propriedades comerciais por meio de três empresas distintas. Na BR Properties, a companhia não tem assento no conselho e não participa das decisões. Na Real Properties e na BW, a WTorre S. A. é responsável pela gestão.

Fonte: Valor Econômico