Gustavo
Bonato | Reuters.com | 10 de fevereiro de 2014
A seca das últimas semanas vai provocar perdas em
áreas de soja cultivas por cooperados da Coamo, maior cooperativa agrícola do
país, com sede em Campo Mourão, no Paraná, disse o presidente da entidade, em
entrevista à Reuters.
"Temos aí uma seca grave. Então tem uma
quebra", afirmou o presidente da Coamo, José Aroldo Gallassini. A
cooperativa tem forte atuação no Paraná, mas também opera unidades de
recebimento de grãos em Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.
Sozinha, a entidade deve receber cerca de 5,0% da
safra brasileira de soja em 2013/14, ou 4,2 milhões de toneladas em uma
colheita nacional de 90,0 milhões de toneladas. A estimativa foi feita ainda
sem considerar efeitos do clima nas últimas semanas.
Segundo Gallassini, a estimativa inicial era de que
os cooperados da Coamo conseguissem colher em média 62 sacas por hectare,
contra a média nacional de 51 sacas.
"Se chovesse hoje - e não vai chover - é uma
quebra. Se chover daqui 10 dias, aí a coisa é violenta. Precisamos esperar para
ver", disse o executivo.
A Somar Meteorologia disse nesta sexta-feira que o
bloqueio atmosférico que impede a entrada de frentes frias chuvosas no Sul e
Sudeste do país vai deixar de atuar em cerca de 10 dias, a partir de 17/2.
"E não é tanto a falta de umidade como é o
excesso de temperatura que prejudica a soja", disse ele.
A temperatura ideal para a oleaginosa é abaixo de
33ºC, segundo Gallassini, engenheiro agrônomo de formação.
Em todos os dias de fevereiro as temperaturas
máximas de Campo Mourão, por exemplo, ficaram acima de 33ºC, segundo a Somar
Meteorologia.
"Acima de 33ºC, a soja quase cozinha. O grão
que está se formando, que precisa de muita água, fica miúdo, esverdeado, perde
peso."
Safrinha
Apesar de a falta de chuvas, neste momento,
dificultar o plantio da safra de inverno de milho, Gallassini acredita que até
o final de fevereiro a situação esteja normalizada e que toda a área projetada
por seus cooperados e para o Paraná seja semeada.
O plantio do chamado milho "safrinha"
pelos cooperados da Coamo deve atingir 1,07 milhão de hectares este ano, alta
de 15,0% ante 2013. Estes produtores estão na contramão da média do Paraná,
onde o governo do Estado projeta uma queda geral de 1,0% no plantio.
"Se chover nos próximos dias, planta tudo que
estava previsto, ainda em fevereiro. O produtor tem semente, tem adubo. Está
tudo em casa", disse o presidente da cooperativa.
Para o plantio de uma segunda safra de soja,
Gallassini não vê intenção dos cooperados de aumentar a área na comparação com
anos anteriores.
"Na nossa região, é pouco. Sempre recebemos um
pouco, mas o pessoal prefere o milho safrinha."
Ele cita a janela do vazio sanitário - que obriga o
plantio da soja safrinha em fevereiro, para ser colhida antes do prazo legal de
15 de junho - e o risco de geadas no inverno como fatores que restringem a
aposta neste tipo de cultivo.
O plantio de duas safras consecutivas de soja numa
mesma área, na mesma temporada, é desaconselhado por especialistas porque ajuda
na manutenção da população de pragas, mas vem sendo visto como alternativa por
alguns produtores uma vez que o milho registra rentabilidade muito mais baixa
que a soja, atualmente.
A Secretaria de Agricultura do Paraná estima que a
soja safrinha vai ganhar 25,0% de área este ano, atingindo cerca de 100,0 mil
hectares.