Marcela Ayres | Reuters Brasil | 18 de Fevereiro de 2014
SÃO
PAULO (Reuters) - O presidente da empresa de imóveis comerciais BR Properties,
Claudio Bruni, acredita que 2014 será um ano difícil em função do aumento da
oferta de empreendimentos e lentidão da economia, mas avalia que haverá absorção
de estoque até meados de 2015, quando a situação começará a ser normalizada.
Em
teleconferência com analistas nesta terça-feira, Bruni previu a construção de
menos imóveis comerciais na cidade de São Paulo, principal mercado para a
empresa, depois das mudanças introduzidas pelo novo código de zoneamento, cujo
projeto de lei está na Câmara Municipal.
"Vemos
mercado bastante positivo a partir de 2015, 2016 ... com oferta menor e
incremento significativo dos valores de locação", disse o executivo.
Ele
reconheceu que as companhias estão demorando mais tempo para alugar espaços
buscando "ter uma visão mais clara do que acontece na economia como um
todo". No entanto, a expectativa da BR Properties é de diminuir suas taxas
de vacância já no primeiro trimestre deste ano.
Na
véspera, a companhia divulgou prejuízo líquido de 149,1 milhões de reais entre
outubro e dezembro, ante lucro de 172 milhões um ano antes, afetada por ajuste
contábil pela venda de galpões à WTGoodman, além de maiores despesas
financeiras.
Apesar
de ter reduzido a vacância financeira, que mede o percentual de receita mensal
perdida devido à vacância de imóveis, para 8,6 por cento, contra 10,5 no
trimestre anterior, o percentual ainda ficou longe do patamar de 4 por cento
registrado em igual período de 2012.
Segundo
o diretor financeiro e de Relações com Investidores da BR Properties, Pedro
Daltro, janeiro e fevereiro serão meses bons em termos de locação para as
Torres JK, empreendimento-chave para a companhia e que apresentava vacância
física de 81 por cento no fim de 2013.
Durante
o primeiro trimestre, a expectativa também é de redução na vacância no edifício
Manchete, no Rio de Janeiro, disse Daltro. A taxa de vacância do empreendimento
de alto padrão era de 32 por cento em dezembro.
Ele
acrescentou que a companhia já executou cerca de 75 por cento do seu programa
de recompra de ações até dezembro, equivalente a 225 milhões de reais,
enxergando espaço para incrementá-lo.
O
programa havia sido aprovado pela companhia no início de novembro, prevendo a
recompra de até 5,5 por cento do total de ações em circulação da companhia até
8 de maio.
REAÇÃO
DO MERCADO
Depois
das perspectivas de melhorias apontadas na teleconferência, as ações da BR
Properties diminuíram a queda em relação ao início do pregão, quando chegaram a
recuar 2,79 por cento diante da avaliação de analistas de que o cenário para o
mercado de imóveis comerciais continuaria ruim em 2014.
Às
13h12, as ações perdiam 1,43 por cento, a 16,56 reais, com o Ibovespa mostrando
variação negativa de 0,07 por cento no mesmo momento.
Mais
cedo, o Credit Suisse chamou a atenção para a desaceleração dos chamados
leasing spreads da BR Properties pelo segundo trimestre consecutivo, em
relatório assinado pela equipe da analista Nicole Hirakawa.
A
linha, que reflete o ganho real com renovações ou revisões de contratos e novas
locações de áreas vagas, teve avanço de 1,3 por cento no período, contra alta
de 31,9 por cento em igual etapa de 2012.
Durante
a teleconferência, o diretor financeiro da BR Properties sustentou que a
diminuição do ritmo já era prevista, sendo que o resultado anual, de aumento de
3 por cento nos leasing spreads, ficou dentro da faixa esperada pela
administração de estabilidade a crescimento de 5 por cento no ano.
"Acho
que vai ser a mesma coisa para os próximos 12 a 24 meses", disse Daltro,
em referência ao intervalo mencionado para o crescimento dos leasing spreads.
Na
avaliação do Credit Suisse, a baixa contábil adicional de 29 milhões de reais
na avaliação do portfólio da BR Properties no último trimestre, num ajuste à
parte do calculado para a venda de seus ativos industriais e logísticos, também
foi vista como outro sinal de que "a ciclicidade deve ficar contra o
mercado de escritórios de São Paulo até 2015".
"Mesmo
com a possibilidade do considerável pagamento de dividendos esperado para o
primeiro semestre de 2014 compensar esta tendência por enquanto, não estamos
muito otimistas com o futuro", disse o banco, em relatório.
Apesar
de concordar que a performance de curto prazo da companhia continuará sendo
dirigida pelos riscos de excesso de oferta em São Paulo e pela locação das
Torres JK, o Bank of America Merrill Lynch manteve a recomendação de compra
para ação, "com base no seu atrativo valor", disse o time liderado
pelo analista Guilherme Vilazante.
Nos
últimos 12 meses até a véspera, a ação da BR Properties caiu 30,75 por cento,
contra recuo de 17,83 por cento do Ibovespa.