Fabiana Batista | Jornal Valor
Econômico |
28 de Janeiro de 2014
O ano de
2013 foi um período difícil para quem teve que comprar ou vender terras no
Brasil, país visto como um dos que têm as melhores oportunidades de
investimento nessa área. As restrições à compra desses ativos por estrangeiros,
os preços de fazendas em patamares elevados e o próprio desaquecimento da
economia global tiraram no ano passado o vigor desse mercado. Nesse quadro, os
preços do hectare subiram, porém, a taxas mais modestas.
Essa acomodação no segmento vem sendo observada desde 2012 nos chamados negócios "empresariais", que envolvem áreas maiores, em regiões com agricultura em desenvolvimento, explica o diretor técnico da Informa Economics FNP, José Vicente Ferraz. Mas o mercado de áreas menores, de negócios realizados por produtores rurais independentes, continua movimentado, diz ele, principalmente em regiões onde a ocupação agrícola é mais consolidada.
Essa acomodação no segmento vem sendo observada desde 2012 nos chamados negócios "empresariais", que envolvem áreas maiores, em regiões com agricultura em desenvolvimento, explica o diretor técnico da Informa Economics FNP, José Vicente Ferraz. Mas o mercado de áreas menores, de negócios realizados por produtores rurais independentes, continua movimentado, diz ele, principalmente em regiões onde a ocupação agrícola é mais consolidada.
Como
reflexo do menor volume de negócios, a alta nos preços das terras no Brasil
arrefeceu em 2013 em algumas regiões, como no Oeste da Bahia e nas regiões
canavieiras de São Paulo (ver texto ao lado). Para Ferraz, este deve ser mais
um ano de poucos negócios no segmento empresarial.
No ano
que passou, pelo menos três empresas que detêm e operam terras agrícolas no
país foram, sem sucesso, à mesa de negociações para venda parcial ou total de
seus ativos. Do lado vendedor, as demandas também encalharam. Companhias com
recursos captados para investir colocaram o pé no freio, diante da baixa oferta
de oportunidades que trouxessem o retorno esperado.
Roberto
Barreto Martins, presidente da Agrinvest Brasil, que opera uma área de 100 mil
hectares, dos quais 16 mil próprios, no país avalia que "os preços
elevados demais" por si só travaram os negócios. "Em Mato Grosso, as
áreas agrícolas mais tradicionais subiram de preço a ponto de limitar o nível
de retorno do investidor que pretende entrar nesse mercado a níveis inferiores
a 2% ao ano", diz.
A
Agrinvest Brasil foi uma das grandes empresas desse segmento que decidiram
colocar à venda, não as terras, mas uma participação acionária na companhia.
Contratou o Pátria Investimentos para assessorá-la com objetivo de levantar
recursos para expandir o cultivo, atualmente (2013/14) em 85 mil hectares em
Mato Grosso e no Maranhão. "Recursos para custeio temos em abundância. Mas
esse tipo de investimento (abertura de novas áreas) demanda capital de longo
prazo, pouco disponível no Brasil", afirma.
Martins
considera que o maior entrave para fechar negócio foi o preço oferecido pelos
interessados. "Nossas possibilidades se estreitaram diante das restrições
de compra de terras por estrangeiros. É esse tipo de investidor que enxergaria
o valor de uma empresa como a nossa, com governança", argumenta o
executivo. Ele reitera que a participação ainda está à venda, mas que a empresa
não tem pressa. " Estamos perdendo oportunidades de crescer. Mas não há
urgência", garante.
O ritmo de
negócios intermediados pela NAI
Commercial Properties, empresa americana que opera no ramo imobiliário no
Brasil, recuou 30% em 2013. O presidente da NAI no país, Aloisio Barinotti,
lembra que em 2012 a NAI havia intermediado 40 negócios de compra e venda de
terras com tamanho entre 5 mil e 10 mil hectares. Em 2013, foram 28 operações.
Para ele, os
vendedores embutiram no preço pedido não apenas o valor da terra, mas também a
expectativa de ganho com o ativo. "Uma fazenda pode até ter o potencial de
alcançar um determinado preço. Mas para isso, teria que haver correção de solo
ou abertura de outras áreas dentro da propriedade, entre outras melhorias.
Muitas vezes, os que querem vender, buscam capturar esse preço potencial, mas o
mercado não aceita, e não compra", explica Barinotti.
A Sollus
Capital, empresa de investimentos da americana Touradji Capital e da brasileira
Vinci Partners, também tentou negociar seu portfólio, formado por fazendas que
somam 30 mil hectares - dos quais, aproximadamente 16 mil cultiváveis em
fazendas no Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia.
O Valor apurou que a empresa conseguiu
no ano passado apenas vender uma fazenda de pequeno porte no Maranhão a um
valor compatível com o retorno esperado pelos acionistas. As outras áreas, no
entanto, seguem sendo negociadas. Procurada, a Sollus não comentou.
A maior
parte das áreas da Sollus é arrendada pela Ceagro, uma operadora agrícola cujo
controle foi adquirido pela japonesa Mitsubishi no ano passado. No mercado,
alguns rumores indicavam que a japonesa poderia adquirir as áreas da Sollus.
Mas segundo fontes, a Mitsubishi não estaria avaliando o ativo devido às
restrições existentes no Brasil para a compra de terras por estrangeiros.
A
holandesa Kobra Agrícola também colocou à venda seus cerca de 15 mil hectares,
distribuídos em fazendas no cerrado baiano, principalmente. A empresa ainda não
conseguiu comercializar as propriedades, pois pediu um valor muito alto pelos
ativos, disseram fontes do setor. Procurada, a Kobra não retornou à solicitação
de entrevista.
Para quem
estava do lado comprador, a maré também não foi favorável em 2013. A Land Co,
braço de terras da produtora de grãos e fibras SLC Agrícola, captou US$ 238
milhões em 2012 com o fundo inglês Valiance para investir na compra de fazendas
no Brasil. Com os preços da soja nas alturas naquele ano, a empresa não
encontrou muitas oportunidades. Em 2013, comprou só uma fazenda, de 10 mil
hectares - no Maranhão, por R$ 37,5 milhões.
De acordo
com o presidente da SLC Agrícola, Aurélio Pavinato, a dificuldade para adquirir
terras em 2013 foi reflexo das cotações ainda firmes da soja, usadas como
referência para os preços das terras. "Mas não temos pressa. A SLC
Agrícola já tem um grande banco de terras ainda para ser aberto", afirma.
