Circe
Bonatelli | Jornal O Estado de São Paulo | 22 de Janeiro de 2013
Os lançamentos e vendas de imóveis no País
cresceram na comparação de 2013 com 2012, puxados principalmente pelo forte
avanço nas operações nos últimos meses do ano. O resultado, porém, não chega a
configurar uma tendência de expansão constante dos negócios para este ano,
segundo analistas. Eles ponderam que as perspectivas macroeconômicas para 2014
carregam certo grau de incerteza, enquanto boa parte das empresas de construção
ainda precisa equilibrar o fluxo de caixa e retomar níveis saudáveis de
rentabilidade antes de cogitar ampliar as operações.
Em 2013 foram lançados empreendimentos imobiliários
com valor geral de vendas (VGV) de R$ 22,178 bilhões, alta de 10,2% ante 2012.
Os lançamentos nos últimos três meses do ano representaram 41,7% desse
montante. No quarto trimestre, os novos projetos atingiram VGV de R$ 9,253
bilhões, aumento de 20,9% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.
Já as vendas contratadas em 2013 totalizaram R$
23,853 bilhões, alta de 9,1%. As vendas no quarto trimestre somaram R$ 7,824
bilhões, ampliação de 25,3%. Os dados foram levantados pelo Broadcast, serviço
em tempo real da Agência Estado, a partir de relatórios operacionais prévios
das nove maiores incorporadoras do País listadas na Bolsa - Cyrela, PDG, MRV,
Gafisa, Tecnisa, Even, Direcional, Rodobens e Helbor. Brookfield e Rossi não
foram incluídas porque só divulgarão seus resultados junto com o balanço
financeiro, no próximo mês.
"Os números do quarto trimestre dão o conforto
de sinalizar que a demanda por imóveis continua saudável", afirmou o
analista de construção civil da corretora Bradesco, Luiz Mauricio Garcia. Ele
observou que a concentração das operações no fim do ano foi mais forte que o
habitual e ocorreu porque muitas empresas tiveram dificuldades para obter as
licenças para lançamentos nos meses anteriores. "É um ano de troca de
gestão nas prefeituras, isso é normal", disse.
Garcia ponderou, no entanto, que o tamanho do
mercado imobiliário em 2014 ainda é incerto. Do ponto de vista macroeconômico,
falta clareza sobre o ritmo de crescimento da economia brasileira neste ano.
Além disso, o calendário terá Copa do Mundo e eleições, com perspectiva de
impacto negativo para as vendas de imóveis.
Outro fator que diminui a visibilidade sobre o
tamanho das vendas e lançamentos neste ano é o fato de que parte das
incorporadoras ainda está se reestruturando, após sofrerem com atrasos de obras
e estouros de orçamentos. Pela frente, essas empresas ainda têm o desafio de
concluir obras antigas e repassar os clientes para o financiamento bancário,
quando recebem o grosso do pagamento pela unidade vendida na planta.
"Acreditamos que o setor ainda guarda bons
fundamentos e que as empresas mais bem posicionadas nas principais praças e
segmentos podem se beneficiar", afirmou Wesley Bernabé, em relatório do BB
Investimentos. "O problema, no entanto, é que os investidores precisam que
esse otimismo seja refletido em números pelas companhias, o que ainda custa a
acontecer em alguns casos."
Um ponto comum na estratégia de reestruturação das
incorporadoras em 2013 foi o foco na venda de estoques, ao invés da oferta de
novos projetos. De acordo com levantamento do Broadcast, a diferença entre
lançamentos e vendas culminou na redução, em média, de R$ 1,675 bilhão nos
estoques do setor no ano passado. O cálculo não considera vendas e projetos
cancelados ou outras operações com influência sobre os estoques. As informações
são do jornal O Estado de S. Paulo