Terminais
de carga do principal porto da Região Sul atingiram sua capacidade máxima de
movimentação
Agnaldo Brito |
Jornal O Estado de São Paulo | 04 de Novembro de 2013
SÃO PAULO - O Porto de Paranaguá, o segundo mais
importante do País na exportação de grãos, enfrenta o colapso na infraestrutura
de importação e de exportação. Cinco dos nove tipos de terminais existentes no
porto atingiram sua capacidade máxima de movimentação entre 2011 e 2012.
Até 2015, os terminais de contêiner também terão
alcançado os limite operacionais para os quais foram construídos.
Há casos, como os terminais de fertilizantes, em
que a movimentação anual já supera em 1,2 milhão de toneladas a capacidade para
o qual foi projetado.
Crescimento. Já em 2011, o porto movimentou 7,78
milhões de toneladas de fertilizantes, sendo o limite de 6,54 milhões, informa
a Administradora do Porto de Paranaguá e Antonina (Appa).
Os números integram o diagnóstico que acompanha o
Plano de Desenvolvimento e Zoneamento do Porto Organizado (PDZPO), elaborado em
2012, quando o porto atingiu a marca de 44 milhões de toneladas de carga
movimentada.
Este ano, com uma previsão de crescimento de 14%,
Paranaguá deverá superar a marca de 50 milhões de toneladas de carga. O porto
paranaense não está dimensionado para toda essa movimentação.
“É perceptível que o porto está próximo a um
colapso operacional”, aponta, em nota, a direção de Paranaguá, que até o início
deste ano era administrado pelo governo do Paraná.
A nova lei dos portos, aprovada no fim do ano
passado, determinou que as decisões de investimentos são de responsabilidade do
governo federal.
A Secretaria Especial de Portos (SEP) ainda prepara
os editais de arrendamento de novas áreas para o setor privado em Paranaguá,
assim como em outros portos brasileiros, como Santos. A direção do porto,
entretanto, não concorda com o modelo de arrendamento que o governo federal
está propondo.
Regras rígidas. Bom ou ruim, o fato é que nem o
governo federal demonstra agilidade para ofertar novos projetos para Paranaguá,
tampouco o porto administrado pelo Paraná demonstrou rapidez para evitar o
esgotamento de sua capacidade.
A única medida mais eficaz tomada pelo porto foi
impor regras rígidas para os exportadores e assim evitar as tradicionais filas
de caminhões no acesso ao porto. A medida, tomada em 2011, tem dado resultado e
pode ser copiada em Santos, onde o caos vigorou em 2013.
Mas soluções importantes como um anel ferroviário
que ligaria o interior do Paraná aos portos de Paranaguá ainda está em estudo.
Outra proposta prevê também a construção de uma ferrovia litorânea entre
Paranaguá e São Francisco do Sul que está igualmente em estudo.
Construção. Embora numa situação ligeiramente
melhor, o porto de Itajaí também espera a definição do governo federal quanto a
novos arrendamentos. Uma área de 120 mil metros quadrados poderá ser arrendada
para a construção de dois terminais, um de contêiner e outro de carga geral.
O projeto, também sob a responsabilidade da SEP,
poderá ser ofertado ao mercado no ano que vem. Segundo Antônio Aires dos Santos
Jr., superintendente do porto de Itajaí, a administração local ainda aguarda
qual a decisão final do governo sobre qual projeto será incluído no edital.
Hoje, o complexo movimenta 1 milhão de TEUs em dois
terminais, administrados pela Portonav (do Grupo Triunfo) e APM Terminals (A.P.
Moller – Maersk Group).