Nova divisão coloca bairros nobres, centro, Santana
e Anália Franco entre os mais valorizados; Governo estabelece descontos
progressivos e alega 'justiça social'
Artur Rodrigues |
Jornal O Estado de S. Paulo | 03 de outubro de 2013
A
estimativa da gestão Fernando Haddad (PT) é de que 1,385 milhão de imóveis
paguem o teto do aumento do IPTU no ano que vem, 45% do total de contribuintes
paulistanos. Caso a nova proposta da Planta Genérica de Valores (PGV), base de
cálculo do imposto, seja aprovada pela Câmara Municipal, 38% das casas e 45%
dos comércios pagarão o reajuste máximo, de 30% e 45%, respectivamente.
A administração estabeleceu o critério progressivo
de IPTU, em que áreas mais valorizadas e grandes contribuintes pagam mais. Por
exemplo: os 173 mil que pagam até R$ 200 terão diminuição média de 3,92% no
imposto. Já 756 mil que pagam mais de R$ 1.000 terão reajuste médio de R$
26,73%. A lista com o aumento médio em cada distrito pode ser conferida no site
da Prefeitura .
Foram criadas três zonas fiscais, que servirão como
base de cálculo do valor venal dos imóveis. A primeira abrange o centro e a
maioria dos bairros nobres e de classe média das zonas oeste e sul, como
Pinheiros, Jardins, Moema, Perdizes. A segunda é composta por regiões mais
próximas da região central, como Mooca, Limão, Casa Verde. A última zona é a
periferia.
"Se você tinha uma residência de 100 m², construída
em Itaquera ou em Pinheiros, no mesmo padrão, tinha a mesma base de
cálculo", afirma o secretário municipal de Finanças, Marcos Cruz. "A
gente entende que isso não reflete mais a realidade de mercado", completa.
Há dois bairros que, com a supervalorização dos
últimos anos, foram incorporados à zona 1, apesar de geograficamente fazerem
parte da 2: Santana e Jardim Anália Franco.
Hoje, a base de cálculo para uma casa de padrão
médio é de R$ 750 o m². Com a mudança, uma residência do mesmo tamanho na zona
central terá um reajuste de 90%, para R$ 1.420 o valor do m². Um imóvel na zona
2 terá o m² reajustado para R$ 1.070. Na periferia, o m² vai diminuir para R$
710. "A gente entende que com isso há uma justiça social ", afirma o
secretário de Finanças, Marcos Cruz.
A alíquota vai diminuir em 0,1% porcentual para
todas as faixas, que variam de 0,7% a 1,5%, no caso de residências. Os
critérios para descontos também foram mudados e passaram também a ser
progressivos, nos moldes do que acontece com o Imposto de Renda. "Até a
PGV deste ano, até um determinado valor, não se pagava nada. A partir disso, se
o seu valor venal fosse R$ 1 a mais, a base de cálculo já era de R$ 90 mil.
Isso causava a situação de às vezes você ter dois vizinhos e um não pagava nada
e o outro já passava a pagar", exemplificou Cruz.
Aprovação. Caso a Câmara aprove a proposta do
Executivo na íntegra, a próxima correção deverá ser feita só depois de quatro
anos. A revisão precisa do voto de 28 dos 55 parlamentares. Rebatendo às
críticas da oposição, que já avisou que vai tentar barrar o reajuste, o
secretário municipal de Governo, Antonio Donato, afirmou que o aumento é
"mais justo" do que o aprovado em 2009. "Se a Câmara decidir
diminuir esses valores, vai ter de ajustar isso no orçamento, cortando
despesas."
O Executivo argumenta que o aumento permitirá
congelar a tarifa de ônibus. "Um dos destinos é o subsídio dos
transportes, que sai de R$ 600 milhões para R$ 1,6 bilhão", diz o prefeito
Haddad.