Área entre as ruas Caio Prado, Augusta e Marques de Paranagua
Na época em que a rua Augusta era revestida por um carpete
colorido, nos idos dos anos 1970, o terreno no quarteirão entre as ruas Caio
Prado e Marquês de Paranaguá já era disputado quase a tapa.
Os únicos que nunca o deixaram foram
jacarandás, seringueiras e ipês nativos da Mata Atlântica que, a exemplo de um
pórtico na entrada, são tombados pela prefeitura e não podem ser removidos.
Os vizinhos batem o pé contra a ideia de o
terreno se tornar um conglomerado de escritórios e residências.
"É uma das últimas áreas permeáveis na
região central. Não podemos deixar que o concreto mande por aqui", disse
Célia Marcondes, da Sociedade Amigos do Bairro de Cerqueira César.
A entidade organiza hoje uma vigília para
"iluminar a mente" daqueles que estão debruçados sobre o tema.
A história do terreno começou em 1907, quando
ali foi construído o Des Oiseaux, colégio feminino tradicional que teve como
alunas Marta Suplicy e Ruth Cardoso.
O grupo japonês Tejin decidiu erguer ali o "maior hotel do Hemisfério Sul", com mais de 50 andares. Não deu certo.
Em meados dos anos 1980, empresários montaram
ali um "circo". O espaço abrigou shows e outras intervenções
artísticas, mas problemas com a prefeitura o fecharam.
Desde 1996, a área é do
ex-banqueiro Armando Conde, que, com as incorporadoras Setin e Cyrela, planeja
erguer os prédios. O empreendimento pode começar na próxima semana, com o fim
do prazo do decreto.
