Sindicato da
Habitação, porém, considera correta decisão de adensar a cidade nos eixos do
transporte público
Jornal O Estado de S. Paulo | 19 de agosto de 2013
Representantes do mercado
imobiliário afirmam que a proposta de Plano Diretor da gestão Fernando Haddad
(PT) pode ser favorável à cidade, desde que não limite as opções de venda.
"A diretriz de aproximar o adensamento dos eixos de transporte está
correta. Dessa forma, poderemos usar melhor espaços como o entorno da Avenida
Tiradentes, que tem metrô e não tem incentivos", diz o vice-presidente do
sindicato da habitação (Secovi), Ricardo Yazbek.
O equilíbrio entre as
necessidades de moradia, trabalho e mobilidade será obtido com outra mudança no
Plano Diretor, segundo o planejamento do secretário de Desenvolvimento Urbano,
Fernando de Mello Franco. A construção em territórios que não compreendem eixos
de transporte e operações urbanas será limitada a um coeficiente de
aproveitamento de terreno básico de 1. Quem quiser construir acima de uma vez o
tamanho do terreno já terá de pagar outorga.
"Além de
reorganizar a cidade, vamos aumentar a arrecadação e assim teremos mais
recursos para investir", diz Franco. A isenção só deve ocorrer nas áreas
já divulgadas pelo prefeito Haddad. São duas: Avenidas Jacu Pêssego, na zona
leste, e Cupecê, na zona sul. Em ambos os casos, o benefício de construir
quatro vezes mais que o terreno só valerá para empreendimentos não
residenciais, como forma de incentivar a geração de empregos. No caso da zona
leste, a proposta ainda prevê um pacote de isenções fiscais.
Para a arquiteta
Lucila Lacreta, do Movimento Defenda São Paulo, instrumentos de incentivo são
positivos, mas a generalização de coeficientes máximos de aproveitamento pode
deixar São Paulo mais insustentável. "A sobreposição das linhas de trem e
ônibus no mapa mostra que praticamente todo o território ficará nas mãos do
mercado imobiliário. Nada foi protegido, e o plano permite construir em toda a
cidade." / A.F.