Tendência de mais negócios no mercado de
terras
Por Fabiana Batista | De São
Paulo – 11.04.2013
Em 2012, negócios em áreas de
grãos foram mais tímidos, afirma Barinotti
Após um "morno" 2011, ano em que a Advocacia Geral da União (AGU) publicou
parecer restringindo a compra de imóveis rurais por estrangeiros no pais -, o
mercado brasileiro de terras voltou a se aquecer em 2012. A movimentação só não
foi maior porque grandes companhias compradoras pisaram no freio no segundo
semestre à espera de quedas nas cotações dos grãos, que costumam ser um
"indexador" para o valor da terra. Para 2013, a tendência é de mais
oportunidades, já que a expectativa é de acomodação dos preços das
commodities.
A NAI Commercial
Properties, uma das principais empresas imobiliárias que atuam no agronegócio,
intermediou em 2012 40 negócios com terras no país com áreas entre 5 mil e 10
mil hectares. Foi o dobro do número de 2011, quando o parecer da AGU represou
investimentos, conforme o CEO da NAI Commercial Properties, Aloisio
Barinotti.
Cinco desses
negócios foram em Rondonópolis (MT), basicamente, de terras de pecuária. O
hectare, afirma o executivo, foi vendido ao preço médio de R$ 16 mil, valor
semelhante ao apurado pela empresa na mesma região em 2011. Mas Barinotti
confirma uma certa retração na compra e venda de terras para grãos no Estado.
"Não foram registrados muitos negócios. Quem conhece esse mercado, sabe que o
preço ia baixar em linha com as cotações dos grãos", afirma.
Foi o caso da
SLC Agrícola, uma das maiores produtoras de grãos e fibras do país. O presidente
da empresa, Aurélio Pavinato, disse que, de fato, a Land Co, braço de terras do
grupo, postergou a aquisição de fazendas do segundo semestre de 2012 para este
ano, devido aos elevados preços dos grãos naquele momento. A expectativa era
que, com a entrada da safra de soja, os preços locais da oleaginosa
recuariam.
No entanto, não
foi o que aconteceu. Com os problemas logísticos nos portos, as cotações
internas demoraram a acompanhar a retração já em curso nas bolsas
internacionais. "O preço agora começa a se ajustar. Neste momento, já é
possível, pelo menos, negociar melhor. Há alguns meses, estava difícil", diz
Pavinato. A Land Co não comprou nenhuma fazenda em 2012. Também não fechou
qualquer negócio em 2013. A empresa tem meta de comprar neste ano 81 mil
hectares.
Quem aproveitou
os preços altos de 2012 foi a companhia agrícola BrasilAgro, que vendeu em
setembro do ano passado uma fazenda adquirida em abril de 2010 com uma taxa
interna de retorno anual de 27%. "Não foi momento para comprar, mas para
vender", diz o CEO, Julio de Toledo Piza.
Pavinato, da SLC
Agrícola, diz que, apesar da forte valorização das terras no Brasil nos últimos
anos, ainda há um grande espaço para ganhos. Segundo levantamento da empresa,
enquanto o preço do hectare no Brasil chega, na média, a US$ 5 mil, na Argentina
alcança US$ 12 mil e nos EUA, US$ 16 mil. Ele informou que, há dez anos, o preço
médio do hectare no Brasil era de US$ 1,5 mil.
O ritmo da
valorização no Brasil, segundo ele, também acompanhará o desenvolvimento da
logística e a redução da disponibilidade de terra. Nas regiões brasileiras onde
a terra é mais valorizada, a NAI Commercial Properties verificou uma certa
estabilidade nos preços do hectare em 2012. Em Barretos, interior de São Paulo,
a empresa negociou três fazendas ao valor médio de R$ 33 mil o hectare no ano
passado, ante os R$ 32 mil de 2011.
As maiores altas
de preços da terra, segundo a NAI, foram constatas no Paraná, na região de
Cascavel, onde o hectare foi vendido em 2012 a R$ 30 mil, ante R$ 25 mil de
2011. Foi uma recuperação, diz Barinotti, uma vez que em 2010 a NAI intermediou
negócios nessa região a R$ 29 mil. Em Jataí (GO), a NAI realizou em 2012 oito
negócios, ante três de 2011. O preço médio do hectare no período variou 36%.
