Preço do café subirá para ajudar produtores
Novos
preços que serão estabelecidos pelo governo devem pressionar o valor do
cafezinho, que já acumula alta de 11,4% nos últimos 12 meses
Depois de cortar os
impostos federais para baixar o preço da cesta básica e ajudar no controle da
inflação, o governo deve aplicar um forte reajuste no preço mínimo do café.
Responsável por 35% da produção mundial, com cerca de 48 milhões de sacas de
café por ano, o Brasil está com preços "muito defasados", que não são
mais capazes de cobrir os custos de produção, entendem os técnicos do governo
Dilma Rousseff.
Com o objetivo de estimular
um dos setores mais tradicionais da economia, o governo pode anunciar os novos
preços mínimos amanhã, após a reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), que
também deve aprovar novas condições de financiamento para o setor, cuja
colheita da safra 2013/14 começa no mês que vem. Em estudo estão reajustes de
dois dígitos tanto para o café do tipo "arábica", que representa
quase 70% da produção total, quanto no tipo "robusta". Os preços
atuais estão congelados desde 2009.
O grão arábica, por
exemplo, está sendo negociado a cerca de R$ 300 a saca no mercado, mas o preço
mínimo está em R$ 261,69. Com o reajuste preparado pelo governo, essa saca
passará a custar, no mínimo, entre R$ 320 e R$ 340. Já o robusta deve ter preço
mínimo elevado a R$ 180, dos atuais R$ 156,57.
Referência. Os preços
mínimos balizam as compras públicas, feitas pela Companhia Nacional de
Abastecimento (Conab), e, com isso, também a negociação no mercado entre os
cafezais e os compradores.
O Estado apurou que a
presidente já deu sinal verde para a elevação do preço mínimo, mas o valor
final ainda não havia sido fechado ontem. No Palácio do Planalto, a visão é que
um reajuste forte neste ano evitaria o início de uma crise no setor, afetado
pelos preços baixos.
As consequências desses
reajustes, no entanto, devem ser amargas para o consumidor. Ao forçar um
aumento da saca do café, a medida de estímulo do governo deve pressionar o
valor do cafezinho. De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor
Amplo (IPCA), o café ao consumidor já acumula alta de 11,4% nos últimos 12
meses. Somente o cafezinho representou cerca de 0,07% do IPCA, termômetro oficial
de inflação no País.
Crédito. Além do forte
reajuste para a saca de café, outras medidas estão em estudo no governo
federal. Os técnicos vão bater o martelo sobre o montante de recursos do Fundo
de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) para o financiamento do custeio,
colheita e comercialização do café, inclusive estocagem.
Os valores programados no
Funcafé, que na safra atual somam R$ 2,7 bilhões, devem aumentar para R$ 3,1
bilhões no ano agrícola que começa em julho deste ano e termina em junho de
2014. Até dezembro do ano passado, o governo já havia liberado R$ 2 bilhões dos
R$ 2,7 bilhões programados até junho deste ano.
Outra mudança em análise no
governo diz respeito à linha Financiamento para Aquisição de Café (FAC),
destinada à compra da matéria-prima pelas cooperativas, torrefadoras e
exportadores de café.
Atualmente a FAC só
financia a compra de café por valores acima do preço mínimo de garantia. A
ideia do governo federal é retirar a restrição na compra, mas exigir que o
produto seja vendido somente acima do preço mínimo.