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quinta-feira, 7 de março de 2013

Imóveis valorizam 0,9%, mas 5 cidades perdem da inflação

Por Julia Wiltgen

Recife viu desvalorização, e Distrito Federal e cidades do ABC Paulista tiveram alta modesta; valorização média foi puxada por Fortaleza e Florianópolis

                                                                                                                 Wikimedia Commons
 Fortaleza (CE)
Fortaleza foi a cidade que mais valorizou nos últimos 12 meses

São Paulo – O Índice FipeZap Ampliado, que acompanha o preço dos imóveis usados anunciados em 16 cidades brasileiras, teve em fevereiro alta de 0,9%, a mesma cifra do mês passado, quando foi lançada a nova versão com mais cidades. No ano, a alta é de 1,9%. Apesar da valorização, diz o relatório, cinco cidades tiveram aumento de preços do metro quadrado anunciado inferior à inflação oficial esperada para o mês.

Foram elas Recife, onde o preço médio do metro quadrado caiu 1,0%; Distrito Federal, São Bernardo do Campo (SP) e São Caetano do Sul (SP), onde os preços subiram apenas 0,1%; e Santo André, onde a alta foi de 0,2%. A inflação pelo IGP-M, que reajusta os aluguéis, foi de 0,29% em fevereiro, enquanto a inflação oficial pelo IPCA foi projetada, pelo Banco Central, em 0,48% para o mês.

A alta do índice foi puxada principalmente pelas valorizações do preço do metro quadrado anunciado em Fortaleza (+2,8%) e Florianópolis (+2,0%). Em São Paulo e Rio de Janeiro a alta também teve fôlego, fechando o mês em 0,8% e 1,3% respectivamente. Dentre as cidades que já têm dados suficientes para a apuração dos preços nos últimos 12 meses, Fortaleza foi a que teve a maior valorização, de 16,7%, seguida de Niterói (+15,7%), São Paulo (+14,8%) e Rio de Janeiro (+14,7%).

O Índice FipeZap Composto – indicador inicial, com apenas sete cidades – também fechou fevereiro com alta de 0,9%, sendo 12,9% no acumulado dos últimos 12 meses. Veja na tabela a variação dos preços do metro quadrado anunciado nas 16 cidades do Índice FipeZap Ampliado. As cidades que aparecem em negrito são aquelas que compõem o Índice FipeZap Composto.

RegiãoVariação mensal Fevereiro/13Variação mensal Janeiro/13Em 12 meses
Fortaleza2,80%3,40%16,70%
Florianópolis2,00%1,10%ND
Rio de Janeiro1,30%1,00%14,70%
Salvador1,30%1,40%9,70%
Belo Horizonte1,20%1,30%10,00%
Porto Alegre1,10%1,30%ND
Curitiba1,10%0,90%ND
Vila Velha1,00%1,00%ND
Índice FipeZap Composto (7 cidades)0,90%0,90%12,90%
Índice FipeZap Ampliado (16 cidades)0,90%0,90%ND
São Paulo0,80%0,90%14,80%
Vitória0,60%0,90%ND
Niterói0,50%0,60%15,70%
IPCA0,48%*0,86%6,19%*
IGP-M0,29%0,34%8,29%
Santo André0,20%0,80%9,30%
São Caetano do Sul0,10%0,70%11,90%
São Bernardo do Campo0,10%0,00%11,40%
Distrito Federal0,10%-0,10%2,50%
Recife-1,00%-0,20%9,10%

(*) Estimativa do Banco Central
Fontes: Índice FipeZap e Banco Central



O Índice FipeZap também acompanha o preço médio do metro quadrado anunciado nas 16 cidades. Veja na tabela a seguir:
RegiãoPreço médio do metro quadrado (R$)
Rio de Janeiro8.824
São Paulo6.978
Niterói6.511
Média Nacional6.410
Distrito Federal6.380
Belo Horizonte5.074
Recife5.058
Fortaleza5.047
São Caetano do Sul4.766
Florianópolis4.524
Porto Alegre4.351
Santo André4.128
Salvador4.094
São Bernardo do Campo3.933
Vitória3.906
Curitiba3.765
Vila Velha3.475
Fonte: Índice FipeZap
O FipeZap tem dados disponíveis sobre São Paulo e Rio de Janeiro desde janeiro de 2008. Para Belo Horizonte, a série histórica começa em maio de 2009. Para Fortaleza, em abril de 2010; para Recife em julho de 2010; e para Distrito Federal e Salvador, em setembro de 2010. Já entre as novas cidades, incluídas no Índice FipeZap Ampliado, as cidades do ABC Paulista e Niterói têm dados disponíveis desde janeiro de 2012. Vitória, Vila Velha, Florianópolis, Porto Alegre e Curitiba têm as séries históricas mais recentes, iniciadas em julho de 2012. O FipeZap Ampliado foi lançado em janeiro deste ano.
O indicador elaborado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) em parceria com o site Zap Imóveis, acompanha os preços do metro quadrado dos imóveis usados anunciados na internet, que totalizam mais de 290.000 unidades todos os meses. Além disso, são buscados também dados em outras fontes de anúncios online. A Fipe faz a ponderação dos dados utilizando a renda dos domicílios, de acordo com levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O índice neutraliza os efeitos da repetição de anúncios, bem como as grandes disparidades de preços. De acordo com Eduardo Zylberstajn, coordenador do projeto na Fipe, de fato há diferença entre os preços anunciados e os preços transacionados (que costumam ser menores), mas, segundo ele, no longo prazo, ambos os valores seguem a mesma tendência.