Jornal Folha de São
Paulo | 14 de Janeiro de 2014
Para
atender o governo e ampliar a capacidade do trecho ferroviário que recebe a
Norte-Sul - e que faz parte de sua concessão-, a ALL (América Latina Logística)
estima que sejam necessários mais R$ 10 bilhões em investimentos na linha entre
Estrela d'Oeste e Campinas, no Estado de São Paulo.
Segundo a Folha apurou, o valor é considerado pela empresa
como "adicional" e, portanto, não faria parte das obrigações impostas
pelo contrato de concessão com o governo. Do montante, mais de R$ 8 bilhões
precisariam ser investidos na duplicação em si do trecho e mais de R$ 1 bilhão
para aumentar o número de trens em circulação.
Os
números foram apresentados ao governo em um estudo que deu início à discussão
sobre as necessidades de duplicação da linha sob domínio da empresa.
Representantes
da ALL ouvidos pela Folha sustentam que não há interesse da companhia, neste
momento, em devolver o trecho concedido.
Contudo,
internamente, a diretoria já discute qual seria uma reparação aceitável, paga
pelo governo, para que o trecho seja devolvido. Cálculos mostram que já foram
injetados, até o momento, R$ 17 bilhões em valores atualizados na ferrovia pela
ALL.
Para não criar
um problema de difícil solução com a empresa, o governo vem dando mais ênfase
na tentativa de solucionar o financiamento da duplicação, sem ter de retomar o
trecho.
Das opções que estão sendo avaliadas há: a entrada de um investidor, um novo aporte do BNDES ou uma saída pelo novo modelo de concessões, em que a Valec garante a compra de toda a capacidade da ferrovia.
Das opções que estão sendo avaliadas há: a entrada de um investidor, um novo aporte do BNDES ou uma saída pelo novo modelo de concessões, em que a Valec garante a compra de toda a capacidade da ferrovia.
A preocupação
do Ministério dos Transportes é acabar com o gargalo no trecho antes que haja
um aumento da carga transportada resultante da expansão da malha e da entrada
em operação dos novos concessionários.
Nos últimos
dias, a ALL se tornou alvo de desconfiança por parte dos investidores após
seguidas reuniões do governo para tratar da saúde da empresa. Apesar dessa
movimentação, a companhia afirma ter dinheiro em caixa -cerca de R$ 2 bilhões.
Segundo
comunicado de ontem da Cosan, a Rumo, controlada pela empresa, "tem
mantido tratativas preliminares com a ALL" sobre uma possível fusão.
