Daniel
Vasques | Jornal Folha de São Paulo | 02 de Outubro de 2013
O mercado
imobiliário da cidade de São Paulo apresentou o terceiro melhor resultado nas
vendas dos lançamentos residenciais da história para o mês de agosto.
Foram negociadas no mês 3.464 unidades novas,
segundo dados obtidos pela Folha com o Secovi-SP (sindicato do mercado
imobiliário) -alta de 86% em relação ao mesmo período do ano passado.
O volume é inferior apenas ao vendido no mês nos
anos de 2008 e 2009. Na ocasião, o setor vivia um "boom" de
lançamentos, posterior à abertura de capital de boa parte das incorporadoras em
2007, que injetou dinheiro no mercado.
A pesquisa com a atual metodologia começou em 2004.
No acumulado do ano, as vendas subiram 46% em
relação ao mesmo período de 2012. O resultado foi puxado pelo segmento de um
dormitório, nicho de investidores, que apresenta neste ano recorde histórico
nas vendas.
O total comercializado até agosto de imóveis de um
quarto (5.601 unidades) supera os números de todo o ano passado (4.202). Essas
unidades compactas são um dos focos dos lançamentos em bairros de alto padrão
ou próximos a centros financeiros.
Em cenário de juros mais baixos e com menor
rendimento das aplicações financeiras, esse tipo de imóveis ganhou a
preferência dos investidores. São um meio de garantir rentabilidade com
aluguel, já que as unidades menores são locadas de forma mais rápida.
O investimento nessa tipologia ganhou força também
em razão do excesso de salas comerciais lançadas nos últimos anos, outro nicho
de investidores.
"Vai haver uma entrega um pouco elevada de
salas no fim do ano ou até o começo do ano que vem. Isso fez com que o
investidor migrasse desse produto para o imóvel de um dormitório, com uma boa
relação entre custo e rentabilidade", diz Claudio Bernardes, presidente do
Secovi-SP.
Neste ano, construtoras organizaram ações
promocionais para reduzir o estoque, oferecendo descontos que em alguns casos
chegavam a 30% do valor do imóvel, o que se refletiu na alta dos demais
segmentos.
Nos lançamentos, houve elevação de 39% no acumulado
de janeiro a agosto na comparação com o mesmo período do ano passado, para
18.261 unidades.
RECUPERAÇÃO
Uma recuperação do mercado imobiliário paulistano
era esperada, já que o ano passado apresentou recuo de 27% nos lançamentos e
ligeira queda nas vendas.
Ainda assim, os números surpreenderam parte do
mercado, que prevê necessidade de redução no número de lançamentos para
equilibrar oferta e demanda, caso os lançamentos não se reduzam logo.
"Se o setor continuar crescendo forte, em
algum momento vai ter que dar um ajuste, até o final do ano ou até o começo do
ano que vem", diz Bernardes. "O nível de crescimento está
incompatível com o restante da economia e com o mercado imobiliário do
país."
Segundo ele, o Rio cresce em ritmo menor que o de
São Paulo e, nas outras cidades, há estabilidade ou decréscimo. "São Paulo
se justifica por ser uma economia muito pujante, mas nem tanto."
Para Eduardo Zaidan, vice-presidente de economia do
SindusCon-SP (sindicato da construção), porém, não há motivo para preocupação e
a única incerteza diz respeito ao Plano Diretor, em discussão na Câmara.
De acordo com ele, a renda e o volume de crédito
para financiamento estão em bom nível, e a demanda por imóveis continua forte,
o que leva a um crescimento "saudável" do mercado.
"Em muitas outras capitais do Brasil, a
demanda caiu, mas em São Paulo continua muito forte", afirma.
