Para associações, lei
que chega entre hoje e quarta à Câmara pode permitir edifícios em regiões
estritamente residenciais
Artur Rodrigues
e Diego Zanchetta | Jornal
O Estado de S. Paulo | 13 de setembro de 2013
Moradores de bairros nobres
das zonas sul e oeste da capital paulista querem impedir que o novo Plano
Diretor Estratégico da cidade possibilite a construção de prédios onde hoje só
há casas. O projeto deve chegar entre hoje e quarta-feira à Câmara Municipal.
Os bairros fazem parte da
categoria de zona de uso estritamente residencial de densidade demográfica
baixa. Além de prédios, são proibidos nessas regiões comércio e serviços. Entre
esses bairros estão Jardins, Brooklin, Alto de Pinheiros, Pacaembu, Chácara
Flora e Cidade Jardim.
O medo se deve ao fato de a
Prefeitura planejar adensar áreas perto dos eixos de transporte da cidade, como
corredores de ônibus e metrô. A proposta do Plano Diretor permite que
empreendimentos em áreas com esse perfil possam ser construídos em até quatro
vezes o tamanho do terreno, desde que construtoras paguem por isso.
PROTEÇÃO
Os integrantes das
associações de bairro temem que áreas estritamente residenciais perto de meios
de transportes vão acabar sendo abrangidas pela flexibilização. O diretor da
Associação de Moradores dos Jardins (AME Jardins), João Moradei Junior, afirma
que o objetivo da entidade e de outras associações de moradores é conter a
"fúria do mercado imobiliário" em relação a regiões bastante cobiçadas.
O diretor da AME Jardins
alega motivos estruturais, de meio ambiente e até históricos para manter as
zonas residenciais. "O Jardim América e o Pacaembu são bairros históricos,
do início do século passado. De uma hora para outra, podem ficar descaracterizados",
afirma Moradei.
Segundo o diretor da
associação, regiões arborizadas como os Jardins também são responsáveis pelo
equilíbrio ambiental da cidade e isso também poderia estar ameaçado pelo
projeto atual do Plano Diretor.
GARANTIA
O vereador Nabil Bonduki (PT),
da Comissão de Política Urbana da Câmara Municipal, garantiu que as zonas
exclusivamente residenciais (ZER) não sofrerão modificação alguma por meio do
novo Plano Diretor.
"Nessas áreas não será
mexido em nada. Os novos potenciais construtivos vão ser distribuídos em eixos
de desenvolvimento ao longo dos corredores de ônibus e estações do Metrô",
afirma o vereador.
A AME Jardins e outras
associações formaram um grupo de trabalho para discutir termos considerados
vagos na prévia do plano. Eles pretendem conversar com membros do Executivo e
comparecer a todas as audiências para garantir que nada mude em suas regiões.