Márcia De Chiara | Jornal O Estado de S. Paulo | 23 de
setembro de 2013
Além de responder por fatia significativa do crescimento da economia
neste ano, o bom desempenho do agronegócio provoca uma reação positiva em parte
da indústria. Capitalizados por três safras consecutivas, os produtores estão
aplicando a renda do campo no próprio campo. Isso atrai para o País
investimentos polpudos das gigantes do setor de tratores, adubos, sementes e
defensivos.
A Dow AgroSciences, por exemplo, especializada em sementes e defensivos,
está investindo mais de US$ 100 milhões no País em três projetos: uma unidade
produção de sementes de milho em Luís Eduardo Magalhães, no oeste de Bahia; um
laboratório de pesquisa em Cravinhos (SP) e um centro de pesquisa de campo em
Sorriso (MT), o município que mais produz soja no mundo.
"Esse é o maior investimento da companhia dos últimos cinco
anos", afirma o presidente da empresa, Ramiro de La Cruz. Ele conta que a
empresa decidiu "tropicalizar" a tecnologia na produção de sementes.
Por isso, instalou em Cravinhos um laboratório de biotecnologia semelhante ao
que tem em Indianápolis (EUA), com profissionais locais. "O laboratório de
Indianápolis continua fazendo pesquisas para outros países."
La Cruz não revela os planos, mas diz que o Brasil é de "altíssima
prioridade" para futuros investimentos da empresa. "Quando vamos para
o campo, vemos os investimentos dos produtores em máquinas e na capacidade de
produção, o que não ocorre em muitos países", observa o presidente.
Salto. O salto de produção no campo é explicado pelo uso intensivo de
tecnologia e inovação, lembra Alfredo Miguel Neto, diretor de Assuntos
Corporativos para América da Latina da John Deere, fabricante de tratores e
máquinas agrícolas. Tanto é que em pouco mais dez anos a produção de grãos saiu
de 80 milhões de toneladas para 187,9 milhões, com aumento de 135%. No mesmo
período, a área plantada com grãos aumentou 32%. "O desafio é produzir
mais numa mesma área", diz ele.
Atenta para essa oportunidade de mercado, a empresa anunciou neste mês
dois investimentos que somam US$ 53 milhões. US$ 13 milhões serão aplicados na
ampliação do centro distribuição de peças em Campinas (SP), que vai atender aos
países da América Latina. Os US$ 40 milhões restantes serão aplicados na
ampliação da fábrica de tratores de Montenegro (RS).
A partir de 2015, a empresa vai fabricar no País tratores de alta
potência na unidade de Montenegro. Hoje esse trator é importado. Segundo Miguel
Neto, o aumento da procura por maquinário levou a companhia a tomar essa
decisão.
A Agrale, fabricante de tratores de pequeno e médio porte, já percebeu o
aumento da procura por equipamentos de maior potência. Segundo o diretor,
Flávio Crosa, a empresa estuda a produção de tratores maiores.
"Na soja, o uso de tecnologia está igual ou maior do que no ano
passado", diz Lair Hanzen, presidente da Yara Brasil, líder na
distribuição de adubos. Em agosto, ela concretizou a compra Bunge por US$ 750
milhões, o maior investimento da empresa norueguesa. A meta é investir até US$
100 milhões por ano no País para a sua manter participação de mercado.