Márcia De Chiara | Jornal O Estado de São Paulo | 02 de julho de 2013
O preço dos imóveis prontos, a maioria usados, subiu 1% em junho e
acumulou alta de 5,8% no primeiro semestre. Em 12 meses até junho, a
valorização foi de 11,9%, segundo o Índice FipeZap, que calcula o indicador com
base nos anúncios feitos na internet em sete capitais brasileiras.
"Em 12 meses e neste ano até junho, a alta de preços superou a
inflação", observa o Eduardo Zylberstajn, coordenador do indicador. No
índice apurado para as sete capitais, os preços médios subiram 2,5% no primeiro
semestre, descontada a inflação do período. Em 12 meses até junho, a alta real
foi de 4,8%.
Quem comprou imóveis nesse período fez um bom negócio, levando-se em
conta a variação dos preços médios, diz Zylberstajn. Mas essa avaliação não
pode ser generalizada, pondera o economista.
Em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Fortaleza e Recife, por exemplo,
o desempenho dos preços superou a variação da inflação acumulada em 12 meses.
Já em Belo Horizonte e no Distrito Federal, os preços dos imóveis perderam para
a inflação. No Distrito Federal, o preço médio caiu 0,7% em 12 meses até junho
e em Belo Horizonte a alta foi de 6,3%, ante a inflação de 6,8% no período.
Em valores absolutos, o preço mais alto do metro quadrado está no Rio,
cotado a R$ 9.285,
"A fase de boom dos preços dos imóveis já passou",
afirma o coordenador do índice. Ele não acredita que período de elevação
vigorosa e generalizada das cotações do metro quadrado do imóvel, com alta o
mensal superior a 2%, como ocorreu entre 2010 e 2011, se repita. Desde maio do
ano passado, os preços médios do metro quadrado têm oscilado em 0,8% e 1% ao
mês nas sete capitais avaliadas.
Na opinião de Zylberstajn, o mercado está se normalizando e deve, daqui
para frente, ter um comportamento mais saudável. De acordo com o economista,
essa mudança no comportamento dos preços dos imóveis reflete as incertezas que
pairam sobre os rumos da economia. "Há um sentimento de muita incerteza e
isso acaba contaminando os preços dos imóveis." Além disso, as
incorporadoras optaram por recompor margens mesmo à custa de uma velocidade de
vendas menor.