Urbanização. Plano desenvolvido desde
abril em uma das áreas que mais crescem na cidade também prevê mudança da
Ceagesp, criação de ciclovia e trilha de caminhada com 50 km entre a Represa
Billings e a Barragem da Penha e uma rede de corredores verdes
Tiago Dantas | Jornal O Estado de São Paulo | 04 de junho de 2013
O Estado estuda
desativar o Cadeião de Pinheiros e transferir para outro lugar a Companhia de
Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) como forma de abrir espaço
para um plano de revitalização das margens dos Rios Pinheiros e Tietê. Nas
próximas semanas, o governo espera uma resposta do Banco Mundial para começar a
detalhar os projetos.
Os terrenos,
que somam cerca de 750 mil m² e estão em uma das áreas que mais crescem na
cidade, dariam lugar a uma área verde com metade do tamanho do Parque do
Ibirapuera, que seria interligada a uma rede de parques previstos no projeto.
Uma das ideias é levar para o local a filial de algum museu internacional -
como o Guggenheim -, além de criar espaço para apresentações de artistas
independentes e a prática de esportes. O governo ainda não fala em prazos ou
custos envolvidos na empreitada.
O plano está
sendo desenvolvido desde abril pelo Comitê de Requalificação Urbana e Social
das Marginais, ligado à Secretaria da Casa Civil, e tem o apoio da iniciativa
privada por meio do Movimento Brasil Competitivo. O protocolo de intenções
entre as partes foi assinado em 15 de abril no Palácio dos Bandeirantes.
A mudança da
Ceagesp é pleiteada há alguns anos, mas enfrenta resistência de comerciantes e
clientes. A área pertence ao governo federal e abriga a maior central de
abastecimento da América Latina, por onde circulam cerca de 50 mil pessoas
diariamente. A retirada do cadeião, por sua vez, depende da construção de
quatro ou mais Centros de Detenção Provisória (CDPs) no Estado para abrigar os
presos do local - atualmente, são 6.140.
Ciclovia. As diretrizes iniciais do comitê preveem a construção de uma ciclovia
e uma trilha de caminhada de 50 quilômetros de extensão ligando a Represa
Billings, na zona sul, à Barragem da Penha, na leste, acompanhando os Rios
Pinheiros e Tietê. Ao longo das ciclovias, estão previstos pontos de empréstimo
e estacionamento de bicicletas, além de "bicitáxis".
Uma rede de
corredores verdes integraria esse novo parque das margens dos rios com os
Parques da Juventude, na zona norte, da Aclimação, na região central, e do
Ibirapuera, na zona sul.
O primeiro
passo para a requalificação é a construção de uma ciclopassarela ligando o
Parque Villa-Lobos à Cidade Universitária e à ciclovia da Marginal do Pinheiros
e a derrubada do muro do câmpus da Universidade de São Paulo na zona oeste. A
ciclopassarela foi anunciada em dezembro, com previsão de entrega no primeiro
semestre de 2014.
Outra diretriz
prevista no Plano de Requalificação é a limpeza dos rios, o que pode permitir
sua navegação. Para isso, as intervenções devem começar a ser feitas em cidades
do leste da Grande São Paulo já neste ano. O grupo ainda estuda modelos
econômicos capazes de viabilizar os custos do projeto.

