Por Chiara Quintão
De São Paulo
Arthur Matarazzo Braga, Astério Safatle, Beto Horst, Fernando Albuquerque e Ricardo Setton queriam deixar de ser executivos para voltar ao lugar de empresários. Tinham recursos, experiência e contatos. No fim de agosto, deixaram a PDG Realty - da qual faziam parte desde que a Agre foi incorporada pela empresa em maio de 2010 - e, na sequência, se dedicaram à montagem da Lote 5. Cada um se comprometeu com R$ 20 milhões.| Horst, Albuquerque, Safatle, Braga e Setton (da esquerda para a direita) têm recursos, contatos e experiência conjunta de 108 anos no mercado imobiliário |
Os R$ 100 milhões serão desembolsados entre três e cinco anos, principalmente na obtenção de licenças, em infraestrutura e marketing. Para formar o banco de terrenos, a prioridade é adquirir áreas por meio de permutas. Os sócios da Lote 5 avaliam que sua rede de contatos vai contribuir para essas parcerias. "Relacionamento aqui é o que não falta", diz Albuquerque.
A Lote 5 espera se tornar uma das dez maiores do setor de loteamentos. A projeção é que os lançamentos cheguem a R$ 250 milhões por ano. O segmento chama a atenção por margens mais elevadas e menor oferta em relação à incorporação residencial. O estímulo de vendas pelo tíquete médio mais baixo que o de imóveis prontos também foi levado em conta. Os clientes potenciais são dos segmentos econômico, de classe média e média em ascensão. Os lançamentos começarão pelo interior de São Paulo, mas serão prospectados negócios em regiões em desenvolvimento, com mais de 200 mil habitantes de outros Estados.
O risco de que atrasos nas aprovações das licenças possam postergar lançamentos não preocupa a Lote 5, segundo os sócios. Ao sair da PDG, eles se comprometeram a não atuar em loteamentos até agosto de 2014, quando esperam já ter as licenças necessárias para dar a largada aos lançamentos. Por cinco anos, Albuquerque, Setton e Horst não podem participar do conselho de administração de incorporadoras listadas em bolsa.
Horst e Safatle fundaram a Agra Incorporadora, que se tornou Agre após a aquisição - em parceria com a Veremonte, do espanhol Enrique Bañuelos - da Abyara e da Klabin Segall. Horst foi presidente da Agra e da Agre, e Safatle, diretor de engenharia da Agra e presidente da Abyara.
Setton passou a ser sócio da Agra dois anos depois da sua criação e foi diretor financeiro e de relações com investidores da empresa e da Agre. Albuquerque participou da fundação da FAL2 Incorporadora, foi sócio da Agra e presidiu a Klabin Segall. Braga esteve à frente da Agra Loteadora, Agre Urbanismo e PDG Urbanismo.
Embora tenham saído ao mesmo tempo da PDG, a decisão de cada sócio de deixar a incorporadora foi independente, conforme Albuquerque. À medida que as empresas adquiridas, nos últimos anos, pela PDG passaram a ser integradas, a posição de executivos foi se tornando desconfortável para eles, e a vontade de cada um de voltar a empreender ganhou força. A afinidade de trabalhar em conjunto levou os cinco a decidir montar uma empresa em parceria.
No fim do primeiro semestre, começaram a negociar as respectivas saídas da PDG com o então presidente da empresa, Zeca Grabowsky. Conforme os sócios da Lote 5, a decisão não teve relação com a entrada da Vinci Partners no controle da PDG nem com o fato de Carlos Augusto Piani ter assumido a presidência. Por contrato, não poderiam ser demitidos até maio de 2015. Para sair antes, pagaram multa à PDG.
Na Lote 5, as decisões são tomadas por unanimidade, e nenhum cargo está acima dos demais. A prospecção de terras e definição de projetos ficam por conta de Albuquerque e Braga. Safatle responde pelas áreas administrativa e financeira. Setton é responsável pelo marketing e relacionamento com bancos e investidores. Para continuar a se dedicar aos negócios familiares, Horst optou por não ter responsabilidades diárias, assumindo a função de pensar o que será a Lote 5 nos próximos anos.
O modelo adotado na Lote 5 possibilita que os cinco sócios façam o que gostam, "sem pressa", segundo Horst. Por não ter capital aberto, há menos urgência no prazo para obtenção de retornos pela empresa. Da antiga Agra, importaram o modelo de produção terceirizada e de incentivos na remuneração dos colaboradores que cumprirem metas. Após o lançamento de projetos, para aumentar o giro dos recursos, a empresa vai securitizar recebíveis, conforme Setton.
Futuramente, a Lote 5 pode se tornar proprietária de áreas do entorno dos loteamentos para empresas interessadas em incorporar projetos residenciais e condomínios logísticos.
Fonte: Jornal Valor Econômico