quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Eldorado Brasil pretende levantar R$ 500 milhões com venda de terras

Fabiana Batista e Stella Fontes | Jornal Valor Econômico | 08 de Agosto de 2014

A Eldorado Brasil Celulose, empresa controlada pela J&F Investimentos, dona da JBS, contratou a consultoria imobiliária da NAI Commercial Properties para vender oito fazendas que detém nos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. As propriedades somam 83 mil hectares e estão avaliadas em R$ 500 milhões. Embora esteja abrindo mão das terras, a Eldorado pretende viabilizar o uso do eucalipto plantado nessas áreas em sua operação.

A venda dos ativos está alinhada à estratégia da companhia de não imobilizar recursos em terras - hoje, mais de 80% de suas florestas estão plantadas em áreas arrendadas e as que ainda pertencem à Eldorado e estão disponíveis foram colocadas à venda. Além disso, os recursos virão em um bom momento para a produtora de celulose de eucalipto, que inaugurou sua primeira fábrica, em Três Lagoas (MS), em novembro de 2012.

Ao mesmo tempo em que sua alavancagem financeira medida pela relação entre dívida líquida e resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ainda é elevada - estava em 14 vezes no fim do ano passado -, a companhia se prepara para um novo ciclo de crescimento. Com investimentos de R$ 8 bilhões, a Eldorado pretende iniciar a operação de uma nova linha de celulose em Três Lagoas em 2017.

O principal executivo da Commercial Properties, Aloisio Barinotti, diz que a expectativa é concluir a venda das terras até o fim deste ano. Muitos fundos, nacionais e estrangeiros, afirma ele, já procuraram a consultoria para negociar os ativos.
Das oito fazendas, cinco estão cultivadas com eucalipto em parte da área. Juntas, as propriedades somam mais de 14 mil hectares plantadas com a cultura. Segundo Barinotti, o interesse da Eldorado é firmar com os compradores das terras um contrato de fornecimento de madeira por até três ciclos. No mínimo, a empresa espera fechar acordo para entrega de um primeiro corte de eucalipto.

Para atender a atual unidade industrial, com capacidade de fabricar 1,7 milhão de toneladas de celulose por ano, e fazer frente à expansão, que envolve uma linha de 2 milhões de toneladas por ano, a Eldorado está plantando eucalipto em ritmo acelerado. São cerca de 50 mil hectares por ano, com o objetivo de chegar ao fim de 2014 com 210 mil hectares de plantio.

A principal fazenda ofertada pela Eldorado está localizada no município de Água Clara (MS) e tem ao todo 26,5 mil hectares, dos quais 7 mil hectares cultivados com eucalipto. Pela fazenda, o grupo pede R$ 200 milhões, valor que não inclui a madeira.

A segunda maior propriedade está em Corumbá, cidade do pantanal sul-mato-grossense. Com 21,5 mil hectares, a fazenda está avaliada em R$ 25 milhões e tem vocação pecuária.
No município de Dois Irmãos, a Eldorado colocou à venda três propriedades rurais, que somam 6,8 mil hectares, sendo 3,7 mil hectares com eucalipto. Juntas, as três fazendas estão avaliadas em R$ 105 milhões, também sem considerar o valor da plantação. Ainda em Mato Grosso do Sul, a empresa está vendendo uma propriedade de 208 hectares, em Anastácio, por R$ 5 milhões.

No portfólio, há duas propriedades localizadas no Estado de Mato Grosso. A maior delas, de 13,5 mil hectares, está localizada em Pontal do Araguaia, e está avaliada em R$ 60 milhões. A fazenda tem 3,6 mil hectares cultivados com eucalipto. A outra fica em Alto Araguaia, tem 11 mil hectares, e pela qual a Eldorado está pedindo R$ 50 milhões.

Em novembro do ano passado, a Fibria, maior produtora mundial de celulose de eucalipto, também levantou recursos com a venda de terras, porém sem abrir da gestão das florestas.
A companhia - controlada pelo grupo Votorantim e pelo BNDES - firmou um contrato com a Parkia Participações para a venda de cerca de 210 mil hectares de terras, localizadas nos Estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Bahia e Espírito Santo. A operação envolveu um valor total de R$ 1,65 bilhão.

O acordo da Fibria, com prazo de até 24 anos, incluiu ainda um contrato de venda de madeira entre as duas empresas.

Procurada, a Eldorado preferiu não se manifestar sobre o assunto.


terça-feira, 27 de maio de 2014

Arrendamento da Rodopa pela JBS pode ser impugnado

Luci Ribeiro | Jornal O Estado de São Paulo | 14 de Maio de 2014
       Gado da JBS














BRASÍLIA - A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) recomendou "impugnação" da operação de arrendamento de ativos da Rodopa Indústria e Comércio de Alimentos e da Forte Empreendimentos e Participações pela JBS. A decisão está em despacho publicado no Diário Oficial da União (DOU). Agora o caso será encaminhado ao Tribunal do órgão, que dará a decisão sobre o negócio.
O ato de concentração prevê a locação de três unidades frigoríficas de abate e desossa da Rodopa e Forte pela JBS. As unidades estão localizadas nas cidades de Santa Fé do Sul (SP), Cassilândia (MS) e Cachoeira Alta (GO).
Em abril, o Cade classificou o caso como "complexo" e determinou novas diligências para aprofundar sua análise. Na ocasião, a superintendência destacou em documento que "a instrução realizada até o momento indica que há concentrações relevantes nos mercados de carne in natura e abate, especialmente em razão da posição de liderança da JBS nesses mercados e da relevância da Rodopa como concorrente".

O texto ainda citou que as duas empresas assumiram uma série de frigoríficos em 2012, sendo que algumas entraram em operação somente em 2013. "Tais mudanças podem ter modificado as condições estruturais da indústria, sendo necessário avaliar novos dados de mercado, além de fatores atuais relacionados à dinâmica de rivalidade no setor", justificou.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Os desafios da Cosan além dos trilhos

O objetivo é ser a maior companhia de logística integrada do país

Mônica Scaramuzzo | Jornal O Estado de São Paulo | 19 de Maio de 2014

Trem da ALL: a empresa terá de tomar mais dívida para superar os desafios

























São Paulo - Ele fez fama e (muita) fortuna com açúcar e álcool. Durante anos conhecido como "rei do etanol", o empresário Rubens Ometto Silveira Mello tem agora em suas mãos uma bucha de canhão.

Caberá ao grupo Cosan, do qual é controlador, transformar a endividada América Latina Logística (ALL), que tem boa parte de sua malha e ativos sucateados, em uma concessionária ferroviária eficiente.

Os desafios não serão poucos. Para promover essa virada, na avaliação do mercado, a empresa terá de tomar mais dívida. Só dessa forma ela conseguirá atingir seu objetivo: ser a maior companhia de logística integrada do País. A dívida líquida da companhia no primeiro trimestre do ano somou R$ 4,6 bilhões.

Idealizada para ser o grande veículo de escoamento da safra brasileira de grãos do Centro-Oeste para o Porto de Santos, a ALL deu dor de cabeça ao governo e foi alvo de bombardeios de todos os lados.

Os problemas foram em boa parte atribuídos à gestão errática e à dificuldade da companhia em dar vazão a todos os contratos firmados com clientes, afirmam fontes.

Muitos dos críticos da ferrovia apostam que, sob a gestão da Cosan, a nova Rumo-ALL conseguirá fazer valer o peso de sua responsabilidade, que é tornar mais ágil o agronegócio da porteira para fora.

"A trajetória do grupo Cosan, que protagonizou os principais movimentos de fusões e aquisições nos anos 2000 para se tornar líder no setor sucroalcooleiro e se verticalizar no segmento de combustíveis, foi de sucesso. Agora, a companhia tem pela frente sua prova de fogo para se consolidar como um grupo de infraestrutura e energia", diz Herbert Steinberg, sócio da consultoria Mesa Corporate.

As negociações que culminaram na mudança de controle da ALL não foram nada fáceis. Foi uma novela, que durou dois anos, com muitas idas e vindas, disputas na Justiça e mudanças no meio do caminho, até chegar na proposta apresentada pela Rumo, subsidiária da Cosan, em 24 de fevereiro, na qual o grupo assume o comando da companhia.

A nova Rumo-ALL aguarda agora o aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para pôr em marcha um ambicioso plano de expansão, com investimentos de R$ 7 bilhões nos próximos cinco a sete anos, segundo fontes de mercado.

Divisão

O grupo Cosan também vai se separar em dois negócios - infraestrutura, com a nova Rumo-ALL, e energia, que abarca as seguintes divisões: Raízen (distribuição de combustíveis e produção de açúcar e etanol), Comgás (gás canalizado), Radar (propriedades rurais) e lubrificantes.

"Nós vemos uma segregação cada vez maior porque enxergamos tipos de investidores diferentes, objetivos e dinâmicas diferentes entre esses dois negócios", diz Marcos Lutz, presidente do grupo.

Essa mudança começou a ser desenhada em meados dos anos 2000. Pragmático, Rubens Ometto percebeu que ser "apenas" líder no volátil mercado de açúcar e álcool seria um tiro no seu próprio pé. Foi um trabalho de desapego, muito incomum em empresas familiares.

"A verdade é que sempre acreditei no setor de açúcar e álcool. Tentei a vida inteira trazer meus pares para trabalhar, juntos, no desenvolvimento do mercado internacional. Via muita sinergia nessa união, mas sempre fui mal interpretado. Chegou uma hora que cansei", diz Ometto.

Para dar essa guinada, foi a mercado buscar executivos de calibre pesado - assim, como ele, estilo linha dura. Ex-CSN, Lutz entrou em 2007 e ajudou Ometto a dar forma à companhia de infraestrutura. Marcelo Martins, vice-presidente de finanças e relações com os investidores, se juntou ao time no mesmo ano para coordenar o processo de fusões e aquisições e gestão financeira.

Julio Fontana Neto, que transformou a MRS de uma ferrovia deficitária em companhia lucrativa, chegou em 2009 para colocar a Cosan literalmente nos trilhos. "Estar em uma negociação do lado oposto da Cosan é muito difícil. Eles são uns tratores", diz uma fonte.

O time da Cosan - resultado da contração dos nomes das usinas Costa Pinto e Santa Bárbara - não só consolidou a companhia como maior produtora de açúcar e álcool do Brasil, como promoveu a diversificação da empresa.


Com forte DNA em aquisições, o grupo segue analisando novas frentes nos setores em que já atua: quer continuar crescendo, mas sem perder o foco. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Carrefour planeja shoppings e projetos imobiliários em área de hipermercados

Luciana Dyniewics, Leandro Martins e Isadora Spadoni | Jornal Folha de São Paulo | 11 de Maio de 2014

Para otimizar o espaço em terrenos já ocupados pela rede e ampliar o fluxo de clientes, o Carrefour vai construir empreendimentos comerciais e imobiliários no entorno de lojas da marca no Brasil.

Os dois primeiros projetos serão em São Paulo, mas a proposta é levar o programa para outros locais, em áreas que abrigam as bandeiras Carrefour Hipermercado, Carrefour Bairro (supermercado) e Atacadão (atacarejo).

"Temos 170 pontos no Brasil que serão avaliados e uma parte significativa tem potencial para os projetos", diz Fernando Lunardini, vice-presidente de real estate do grupo.

Em São Paulo, a área de 60 mil metros quadrados da marginal Pinheiros que em 1975 recebeu o primeiro hipermercado da marca francesa no país abrigará um complexo imobiliário multiúso.

A obra ocorrerá em parceria com a Odebrecht Realizações Imobiliárias –procurada, a companhia confirmou.

O hipermercado que existe hoje na rua Pamplona, no Jardim Paulista, ganhará um shopping com 60 lojas.

Os dois projetos aguardam a aprovação da prefeitura. A empresa não divulga os investimentos previstos.

Em todo o país, o plano incluirá de galerias de lojas a shoppings, além de prédios residenciais e comerciais.

"Vamos avaliar a vocação de cada local. A ideia é valorizar os terrenos, mas sempre reforçando o lado do varejo."




sexta-feira, 9 de maio de 2014

Com R$ 1 bi, GJP ampliará sua rede para 48 hotéis até 2018


Luciana Dyniewics, Leandro Martins e Isadora Spadoni |Jornal Folha de São Paulo | 08 de Maio de 2014

A rede de hotéis e resorts GJP, do ex-controlador da operadora de turismo CVC, Guilherme Paulus, anuncia hoje seu plano de expansão para os próximos quatro anos.

O projeto demandará um aporte de R$ 1 bilhão de investidores.

Do montante total, R$ 300 milhões (que já haviam sido divulgados no ano passado) serão aplicados até 2016.

A companhia pretende encerrar 2018 com 48 unidades em operação -hoje são 14. Os focos da ampliação serão aeroportos, polos industriais e cidades com praias.

Até agora, a empresa já venceu licitações para instalar hotéis no terminais de Confins (MG), Santos Dumont (RJ) e Vitória. "Assim que a Infraero anunciar novas concessões, vamos participar. No momento, estamos nos preparando para Porto Alegre e Curitiba", afirma Paulus.

No Nordeste, a rede pretende construir novos resorts. Já foram fechados projetos para Aracaju e Maceió. Natal e Fortaleza estão em análise.

No interior do país, deverão ser instalados empreendimentos em cidades que concentram grandes companhias. Nos Estados da região Sul, os contratos de 19 unidades foram assinados (todos três estrelas).

Sobre a possibilidade de a oferta brasileira de apartamentos superar a demanda com o grande número de lançamentos de hotéis no mercado, o empresário afirma não estar preocupado.

"Não vejo esse problema. Além disso, há cidades onde [o parque hoteleiro] não cresceu, como Fortaleza e Natal."

A GJP faturou cerca de R$ 150 milhões no ano passado. Para 2014, a previsão é atingir R$ 180 milhões, o que representará um crescimento de 20%. Ainda não foram feitas projeções para 2018.

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"Não vejo esse problema [de um possível excesso de oferta no setor hoteleiro]"

Leite gaúcho


Luciana Dyniewics, Leandro Martins e Isadora Spadoni |Jornal Folha de São Paulo | 08 de Maio de 2014

A Cooperativa Santa Clara, do Rio Grande do Sul, vai investir R$ 90 milhões na construção de uma nova fábrica de processamento de leite e de dois mercados agropecuários no interior do Estado.

A nova planta, que será instalada em Casca (distante cerca de 230 quilômetros da capital), terá capacidade instalada para produzir 1 milhão de litros de leite por dia –quase o dobro do que é processado hoje pelo grupo.

"A princípio produziremos cerca de 350 mil litros de leite longa vida por dia, mas iremos avaliar a possibilidade de fabricar derivados de leite", afirma Alexandre Guerra, diretor-executivo da cooperativa gaúcha.

 
 


O aporte para a primeira fase do projeto será de cerca de R$ 80 milhões.

Também serão investidos aproximadamente R$ 10 milhões na abertura de mercados agropecuários nos municípios de Jacutinga (RS) e David Canavarro (RS).

"As lojas atenderão principalmente os associados, mas também estarão abertas para outros moradores."

Crise no etanol provoca reestruturação na Unica


Para evitar a perda de associados, a principal entidade do setor de açúcar e de etanol vai redefinir o orçamento, o quadro pessoal e a sua agenda

Jornal O Estado de São Paulo | 09 de Maio de 2014

RIBEIRÃO PRETO - Principal entidade do setor produtivo de cana, etanol e açúcar, a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) prepara a maior reestruturação interna em seus 17 anos de existência.

Com uma das piores crises setor sucroalcooleiro, a Unica deve reduzir em mais da metade o orçamento anual. Ele já foi de R$ 40 milhões, está em torno de R$ 23 milhões e irá para pouco mais de R$ 10 milhões. Consequentemente, haverá uma redefinição da agenda, da atribuição e do quadro funcional.

No próximo dia 20 de maio, na reunião que deve alçar o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues à presidência do conselho deliberativo da Unica, representantes das cerca de 120 usinas associadas avaliarão, ainda, a redução na contribuição das empresas e o corte orçamentário. As medidas tentam deter a debandada de associados, preservar usinas em dificuldades, hoje insatisfeitas com o valor cobrado e, no futuro, a atrair novas empresas ou o retorno das dissidentes. "A questão principal não é quem fica ou quem sai, mas qual será a agenda da Unica e a quais atividades vai se dedicar com outro orçamento", disse uma representante da associação ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado.

A diretora presidente da Unica, Elizabeth Farina, confirmou que a reestruturação, iniciada timidamente em março com o fechamento do escritório em Ribeirão Preto (SP), será ampliada por causa das dificuldades do setor sucroalcooleiro. "Algumas usinas não estão tendo geração de caixa suficiente para pagar funcionários nem para manter a associação com a Unica", reconheceu a executiva.

Para o conselheiro da Unica e diretor de Cana-de-Açúcar do Grupo Tereos Internacional, Jacyr Costa Filho, a forte redução nos custos da entidade é uma adaptação à realidade do setor. A política de restrição aos aumentos da gasolina, adotada pelo governo, a consequente perda de competitividade do etanol sobre o combustível de petróleo, bem como a queda no preço do açúcar levaram ao fechamento de dezenas de usinas e outras à recuperação judicial.

Novo discurso. A Unica também mudou o discurso político e o trato com o governo federal. A tradicional postura de cautela foi substituída por contestações e ataques ao governo e a Petrobrás. Na primeira delas, em 15 de abril, a Unica criticou as declarações da presidente da Petrobrás, Graça Foster, de que o setor sucroenergético não ofertava mais etanol por falta de investimentos na produção.

Em nota, a Unica classificou as declarações "artifício de linguagem, utilizado para inverter a ordem dos acontecimentos e justificar os danos causados ao setor sucroenergético" pelo governo federal, controlador da Petrobrás. / GUSTAVO PORTO, FRANCISCO CARLOS DE ASSIS E JOSÉ ROBERTO GOMES